Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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terça-feira, maio 27, 2008

Altitude 1 x 0

O placar acima não tem nome de adversário. São muitos, com certeza, mas ontem a FIFA recuou de sua medida de proibir jogos acima de 2.750 m do nível do mar. Dessa forma, La Paz e Quito voltam, sem problemas, ao circuito do futebol, inclusive para os jogos válidos pela Copa do Mundo de 2010 (isso mesmo, as antigas eliminatórias, ou classificatórias, estão sendo vistas e tratadas como já sendo a copa...).



Vista de La Paz

A seguir, transcrição de nota do UOL:

“27/05/2008 - 06h59

Fifa suspende proibição de partidas em altas altitudes

Das agências internacionais
Em Sydney (Austrália)

A Fifa atendeu à pressão dos países sul-americanos e liberou nesta terça-feira partidas em altas atitudes. Com isso, as Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2010 poderão ser disputadas normalmente em cidades como La Paz, na Bolívia, a 3.600 metros, ou Quito, no Equador, a 2.830 m.

O presidente da entidade, Joseph Blatter, anunciou que a suspensão da proibição é temporária, e propôs a substituição do veto por um pacote de normas chamado "Futebol sob condições extremas", com orientações sobre partidas em lugares com excesso de calor, umidade, frio e poluição.

"Vamos voltar a discutir o assunto", afirmou o presidente. "A comissão médica pretende examinar as condições a que os atletas são submetidos nessas condições, consideradas extremas, e portanto o Comitê Executivo decidiu por suspender a proibição aos jogos em altitude", confirmou Blatter.

No ano passado, a Fifa havia anunciado uma resolução que proibia partidas acima dos 2.750 metros de altitude, por entender que somente o time da casa teria condições de adaptação ao ambiente com pouco oxigênio.

O presidente da Bolívia, Evo Morales acusou a Fifa de impor o que chamou de "apartheid do futebol" sobre times que jogam na altitude. Nove nações da América do Sul enviaram à entidade um pedido para o fim da suspensão.

Na nova reunião, Blatter admitiu que o veto à alta altitude poderia ser mais detalhado e recomendou o 'pacote' à comissão médica da Fifa. A entidade ainda estuda se normas diferentes serão instituídas em jogos nacionais e internacionais.
”



Nas proximidades de La Paz...

Nada de novo sob o Sol, verdade seja dita. Dificilmente a FIFA manteria sua posição inicial, principalmente porque esse é um assunto que diz respeito, praticamente, só à América do Sul. Com a posição amplamente majoritária dos paises sul-americanos em favor da manutenção dos jogos sem limites de altitude, seria muito improvável que o Comitê Executivo aprovasse algo em contrário. O Comitê, antes de tudo, é um animal político. Como esse blog disse há algumas semanas, Ricardo Teixeira votou errado. Agradou ao Flamengo, praticamente o único clube que posicionou-se contra os jogos na altitude, já que os demais deram um apoio meramente formal e distante, sem envolvimento.

Desagradou profundamente os demais países sul-americanos, principalmente os integrantes do bloco andino: Bolívia, Peru e Equador, assim como a Colômbia e, naturalmente, a bolivariana Venezuela, cujo presidente correu a prestar apoio a Evo Morales em sua cruzada contra a FIFA e a favor dos jogos em La Paz, Oruro, Potosí...

Como disse, nada de novo sob o Sol e nem nos altos dos Andes.


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segunda-feira, maio 19, 2008

Por Mexicanos e Americanos

Esse texto foi escrito para o Jogo Aberto, o blog do Lédio Carmona, onde foi publicado no sábado, dia 17 último com o título The Columbus Crew.

Trata-se de uma réplica, chamemos assim, a um post do próprio Lédio sobre a Copa Santander Libertadores 2008 e a ascensão de dois times mexicanos – América e Atlas – que, dependendo dos resultados, farão uma semi-final da Copa. Ou seja, teríamos, portanto, um time mexicano na final.

Isso acontecendo, independentemente da colocação desse time, o segundo jogo seria realizado, necessariamente, de acordo com o regulamento, na casa de seu adversário, um time sul-americano, que já seria, de antemão, o representante do continente no Mundial de Clubes da FIFA. Porque o regulamento da Copa Libertadores é claro e nítido desde o primeiro ano em que os mexicanos passaram a disputá-la: o representante da CONMEBOL ao antigo Torneio Intercontinental e ao novo Mundial de Clubes, será, sempre, o clube sul-americano melhor colocado na Copa Libertadores.

Aos que já o conhecem: publico-o aqui em especial para os leitores que não o leram no Jogo Aberto.

Por Mexicanos e Americanos, sem mudanças


FIFA

Asian Football Confederation

Confédération Africaine de Football

Confederation of North, Central American and Caribbean Association Football

Confederación Sudamericana de Fútbol

Oceania Football Confederation

Union des Associations Européennes de Football

Essa é a estrutura em que é dividido o futebol mundial, tendo a FIFA como órgão máximo e uma confederação para cada continente.

Cada confederação é um mundo à parte, um reino independente, dentro de certos parâmetros. Todos, com certeza, sabem disso, mas não custa relembrar.

Essa é a divisão formal, política, econômica do futebol.

Essa é, em síntese, a divisão do poder.

Todas as confederações têm o mesmo peso e importância na mesa de negociações.

A OFC vale o mesmo que a UEFA.

A CONCACAF vale o mesmo que a CONMEBOL.

Bem sabemos que na prática a teoria é outra, mas no mundo formal dos acordos e da ordenação de tudo que diz respeito ao futebol, é assim que é e é bom que assim seja.

Certo ou errado, de alguma maneira as sociedades precisam se organizar.

O futebol está alicerçado em símbolos desde seu princípio, e símbolos estão e sempre estiveram ligados à representação do poder e do território. Quando uma pessoa é investida num cargo de governo ou na direção de uma agremiação esportiva, por mais diferente que ela pense, por menos valor que ela dê a coisas desse tipo, o exercício do cargo acaba agregando alguns valores e necessidades, se não às crenças, com certeza à prática dessa pessoa.

As competições FIFA, a mais importante das quais é a Copa do Mundo, são guiadas e criadas tendo em vista a isonomia de todas as confederações. Da mesma forma isso acontece com o Campeonato Mundial de Clubes. No mundo das leis, no mundo formal, vale a máxima de direitos iguais para todos.

Mesmo antes de sua criação, quando tudo que tínhamos era a disputa, oficialmente, da Copa Intercontinental, a CONMEBOL, bem como a UEFA, já eram ciosas na defesa de seus interesses. E quais são os interesses de uma e de outra? São os interesses de seus associados.

O futebol mexicano ligou-se ao futebol sul-americano por interesses mútuos, mas que foram, inicialmente, muito maiores dos mexicanos, todos eles interesses de caráter técnico: os mexicanos, podemos dizer com pouco ou até nenhum exagero, queriam aprender a jogar o esporte bretão que consagrou Cabañas. O fato da seleção mexicana ter evoluído no ranking mundial e ser hoje considerada uma seleção de bom nível, ocorre de forma simultânea com sua entrada na Copa América e o ingresso dos clubes mexicanos na disputa da Copa Libertadores. Dessa forma, os confrontos contra equipes e seleções de países com pouca ou nenhuma expressão futebolística da América Central e Caribe, foram substituídos por disputas muito mais duras no seio da Libertadores, principalmente, e depois também na Copa Sul-Americana. Esses fatos não são apenas coincidências, há entre eles íntimas relações de causa e efeito, que não são totais, mas respondem, em minha opinião, por parcela significativa desse desenvolvimento. Portanto, aos mexicanos interessou, desde sempre, a associação ao futebol da América do Sul.

Da mesma forma, mas em menor intensidade num primeiro momento, interessou também à América do Sul ligar-se ao México, mais por motivos políticos do que econômicos. Num segundo momento, porém, e esse está ligado de forma clara à integração econômica com Estados Unidos e Canadá através do NAFTA, o México literalmente explodiu economicamente, crescendo numa velocidade muito superior a de todos os países sul-americanos. Em poucos anos o PIB mexicano ultrapassou o brasileiro. Nos últimos três anos, muito mais por motivos cambiais que propriamente econômicos, o PIB brasileiro voltou a ser maior que o mexicano. Isso, porém, nem é tão importante, pois o tamanho do mercado mexicano já é gigantesco o bastante para torná-lo extremamente atraente. Portanto, econômica e financeiramente, hoje interessa muito à Sudamericana estar ligada ao México.

Vou mais longe: em 2007 o Dallas disputou a Copa Sul-Americana. Nesse ano será outro, ainda não sei qual, mas teremos novamente um time da MLS – Major League Soccer – na nossa Copinha. A MLS está crescendo, e breve deverá ter 16 ou 18 clubes filiados, dois dos quais do Canadá (um em fase de ingresso). Talvez em 2010 – mas por mim seria já, ou até mesmo antes, em 2006 ou 2007 – teremos pelo menos dois times da MLS disputando a Copa Libertadores.

Isto não é informação de cocheira, não é inside information, é apenas a minha opinião e previsão baseadas no que conheço e tenho lido a respeito do futebol nas Américas.

Porque o Banco Santander investe tanto na Copa Santander Libertadores?

Em parte porque o banco tem no México sua maior operação latino-americana depois do Brasil. Da mesma forma, esse mercado ampliado é o que mantém a Toyota e motiva o VISA, outros patrocinadores de La Copa.

A satisfação dos clubes brasileiros e argentinos com a disputa daCopa Libertadores tem sua razão maior de ser nos ganhos que ela proporciona e que, estou certo, ainda têm muito a crescer. Quando falamos em México, falamos em agregar um mercado consumidor ligado a um PIB de 1,2 trilhão de dólares. E agora começamos a falar no mercado latino dentro dos Estados Unidos, um mercado que, sozinho, é maior que a soma de todos os países sul-americanos.

O caminho da integração é irreversível

Igualmente irreversível é que a CONMEBOL e a CONCACAF jamais abrirão mão de ter seus campeões a representá-las no Mundial de Clubes. A possibilidade de um time de outra confederação representar a CONMEBOL é nula. É um conjunto vazio, matematicamente falando.

Isso é sabido por todos desde sempre. Essa regra pétrea, imutável, foi estabelecida como condição sine qua non para que os mexicanos, e brevemente os americanos, disputassem a Libertadores. É algo sobre o qual não há discussão possível, algo como querer discutir a Lei da Gravidade. Os mexicanos aceitaram e aceitam plenamente essas condições, bem como a de que todo jogo final das Copas seja disputado em território sul-americano, porque para eles disputar esses torneios contra equipes sul-americanas é uma excelente forma de desenvolver seu futebol. Eles em nada são prejudicados, assim como os americanos futuramente, porque disputam a indicação para o Mundial de Clubes através de outra competição. Ninguém é prejudicado, portanto, numa análise fria da situação.

Em suma, a situação tal como é hoje, é atraente para todos os envolvidos, cada qual com seus motivos.

Nenhum centro de poder abre mão de seu sangue vital.

O poder não se transfere, o poder não se dá, o poder é sempre conquistado e defendido com unhas e dentes.

Essas regras são universais, atemporais, extremamente básicas.

Eu, particularmente, sou favorável e, dentro de minhas limitações, escrevo a favor da integração e da entrada dos americanos, dentro das regras do jogo tal como ele é jogado.

Ao menos por enquanto, estamos numa situação winning-winning, ou seja, onde os dois lados ganham e ninguém perde.


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sexta-feira, setembro 28, 2007

Copa Santander Libertadores


Agora é oficial.

Ontem, em Assunção, na sede da CONMEBOL – Confederação Sul Americana de Futebol –, com toda a pompa e circunstância merecida, foi assinado o convênio que une o grupo financeiro espanhol Santander à Confederação e à Copa Libertadores de América, que a partir da edição de 2008 e até 2012, passará a chamar-se

COPA SANTANDER LIBERTADORES

Esse contrato representa uma mudança importante e confirma a importância cada vez maior da Copa no cenário do futebol mundial.

Para o Santander, ela será o principal canal de comunicação com o público latino-americano, como está colocado no post “Uma nova Libertadores de América”, de 11 de setembro:

“A partir de 2008, a Copa Santander Libertadores de América será a maior e mais importante ação de comunicação institucional e de marketing do maior banco latino-americano.”

O valor do patrocínio é de 7 milhões de euros por ano, equivalente a 10 milhões de dólares, ou pouco mais de 18 milhões de reais.

Além desse patrocínio, Um Olhar Crônico Esportivo já adianta que a CONMEBOL terá outros dois: VISA e MOVISTAR. A primeira todo mundo conhece, já a segunda é o braço para telefonia móvel da Telefónica, com operações na maioria dos países latino-americanos.

Fechando o grosso das receitas da Copa Santander Libertadores, a Confederação terá os contratos com as emissoras de televisão. Isso significa uma competição a cada ano mais atraente para os clubes, reforçando a disputa pelas vagas brasileiras, que serão cinco em 2008 – uma pela Copa do Brasil e quatro pelo Campeonato Brasileiro. A sexta vaga de 2006 e 2007 foi fruto da conquista dos títulos de 2005 e 2006 por São Paulo e Internacional. Como ficaram automaticamente classificados para a edição seguinte, o Brasil “ganhou” uma sexta vaga, cujo indicado teve que disputar a pré-classificação.

A Copa Santander Libertadores será disputada por 38 times de onze diferentes países: Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Colômbia, Equador, México, Paraguai, Peru, Uruguai e Venezuela, desde os pré-classificatórios em fevereiro até a final, em julho (provavelmente).

No post já citado “Uma Nova Libertadores de América”, especulei a respeito de sua ampliação com a participação dos times da Major League Soccer – MLS, que reúne treze equipes americanas e uma canadense. O que se pode chamar de teste para essa chegada, está em curso no momento: a participação do DC United, o time da capital federal, Washington, na Copa Nissan Sudamericana. Desnecessário dizer que torço pelo United desde criancinha. Pena que tenha empatado em casa o jogo contra o Pachuca, campeão da última edição da Sudamericana. A tendência é que os mexicanos vençam o jogo da volta com certa facilidade, mas, como no futebol tudo é possível...

A consolidação do campeonato por pontos corridos não está criando uma suposta elite de clubes brasileiros, mas está privilegiando as equipes que têm um mínimo de planejamento, boa administração e estrutura. Uma rápida olhada nos maiores pontuadores no período 2003/2007, mostra que São Paulo, Santos, Cruzeiro, Internacional e Grêmio, tem esses requisitos em comum, uns mais, outros menos, e, como é comum no esporte, aparecendo melhor num ano e não tão bem em outro. Mas são, todos eles, equipes e clubes consistentes e que enxergam na Libertadores muito mais que uma competição esportiva ou uma boa fonte de renda para cobrir déficits.

Em algum momento futuro precisaremos modificar o calendário. Alongar um pouco mais a duração das duas Copas continentais e torná-las simultâneas. Com essas medidas, teremos um futebol mais atraente e emocionante, levando ainda mais torcedores aos estádios.

Bem-vinda, Copa Santander Libertadores.

Bienvenida, Copa Santander Libertadores.

Welcome Santander Libertadores Cup.


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terça-feira, setembro 11, 2007

Uma nova Libertadores de America



O que vocês lerão a seguir é apenas um exercício de imaginação de minha parte. Há bases reais para ele, sem dúvida, mas algumas coisas, algumas projeções são frutos do trabalho dos meus neurônios (os dois habituais foram reforçados pela meia dúzia que vive em férias permanentes; eventuais deslizes podem ser creditados a esses malandros, desacostumados com o trabalho).

Há uns dez anos, o Santander deixou o mercado americano, vendendo a parte que lhe cabia num banco local em troca de polpudo lucro. Depois disso, o banco espanhol – cada vez mais do mundo e menos espanhol – expandiu suas operações por todo o mundo, mas com um foco todo especial na América Latina – aquela parte do triplo continente que começa ao sul do Rio Grande (não o nosso “do Sul”, mas aquele, que aprendemos a ver nos faroestes, cruzado por onze em cada dez bandidos que queriam escapar das garras da lei) e termina nas águas geladas de Ushuaia. Ou melhor, começava ao sul do Rio Grande. Hoje, bem, hoje podemos dizer que parte substancial da velha LatinoAmerica mudou-se com armas e bagagem, legal e ilegalmente, para a terra de Tio Sam, que a qualquer hora pode virar do Tio Pepe. Logo mais volto a essa América Latina expandida.

O banco fez o que fazem os grandes bancos para crescer: comprou outros bancos. No Brasil, por exemplo, comprou nada menos que o Banespa, e hoje é um dos dez maiores bancos brasileiros, numa lista em que entram os dois grandes bancos oficiais, também. A operação brasileira do Santander é a terceira do mundo, perdendo apenas para a Espanha e para a Inglaterra. Comprou o Abbey, na Inglaterra, e já começa a colher os frutos. Fez o mesmo na Argentina, Chile, México e outros países latino-americanos, com excelentes resultados, a ponto de ser considerado, hoje, o maior banco latino-americano. Com um problema, porém: a marca Santander não é tão visível quanto o tamanho do negócio. No Brasil, muitos clientes ainda são “Banespa”, e o mesmo, com diferentes nomes, ocorre em outros países.

O ano de 2007 é especial para o Santander, pois é o ano em que haverá a convergência das várias marcas herdadas pelo banco para uma só: Santander.

A importância dessa ação pode ser melhor entendida ao vermos o tamanho da verba destinada para as campanhas de publicidade, construção de imagem corporativa e institucional, ações promocionais e remodelação de agencias somente nesse ano: 290 milhões de dólares. E o ponto alto dessas campanhas, o mesmo ponto presente na maioria dos países e, mais importante, presente nos países-chave, é o contrato de patrocínio da Copa Libertadores de América, que deixará de ser Toyota para ser Copa Santander Libertadores de América.

A partir de 2008, a Copa Santander Libertadores de América será a maior e mais importante ação de comunicação institucional e de marketing do maior banco latino-americano. Não é pouca coisa, e o banco vai querer o máximo de visibilidade para a competição, que já é a mais importante em toda a região, inclusive no México, onde mais e mais cai no gosto dos torcedores.

Bom, e o que tem a ver o futebol com tudo isso?

Calma, já chego lá. Tem mais um pouco de banco antes. Prometo, porém, que é coisa interessante.

Como disse no começo desse texto, há muito tempo e muitas linhas lá para cima, temos hoje o que se pode chamar de América Latina Expandida. Eu, pelo menos, chamo assim ao novo desenho demográfico dos Estados Unidos, onde o espanhol está a ponto de se tornar uma segunda língua oficial, para espanto, talvez, dos fundadores da América.

E esse mercado é essencial para os planos e ambições do Santander, até porque seu concorrente espanhol, o BBVA, já domina parte dos corações, mentes e, principalmente, bolsos e contas correntes de uma parcela da comunidade latina nos Estados Unidos. Há um ano, sinalizando claramente suas intenções, o banco espanhol comprou parte de um banco tradicional e bem estabelecido na costa leste americana, mas sem perder de vista os grandes contingentes latinos, presentes no Sul e Oeste.

Um dos especialistas da área financeira chegou a dizer que não será de estranhar se, em alguns anos, o Santander vender ou comprar a totalidade do banco que é sua ponta-de-lança hoje, e tentar algo mais ambicioso, como colocar sob sua bandeira o Bank of América.

Os caminhos da globalização são muitos e implacáveis.

Ah, sim, o futebol, voltemos a ele. Ou, vamos a ele, finalmente.

Os leitores habituais desse blog já sabem que a MLS tem crescido bastante. Beckham e Vitória foram contratados... ops, ato falho, ela não, só ele. Os times têm procurado se reforçar e Denílson, o nosso Denílson caçado pelos turcos em 2002, foi recém-contratado pelo Dallas. Os times mexicanos têm jogado bastante nos Estados Unidos, onde a Copa Libertadores e a Copa Sudamericana têm boa audiência, a ponto do patrocínio da Sudamericana, recém-renovado por mais três anos, ser da Nissan USA. Provavelmente, a matriz deve redirecionar parte das verbas de publicidade de outros países da região, mas a decisão e o grosso do investimento foram da operação americana da Nissan. Duvido que a empresa e suas agências de publicidade e marketing jogassem tanto dinheiro fora se não tivesse a certeza de retorno.

Isso posto, chego onde queria desde o começo: creio que uma nova Copa Libertadores está em gestação.

Ampliada, é claro. Talvez com 4 clubes americanos, ou com 3 americanos e o outro um centro-americano, hipótese mais remota a meu ver. Mas, ampliada, de qualquer modo.

Confesso que essa perspectiva é tremendamente excitante (no sentido americano, por favor). A nossa Libertadores ganharia ainda mais foros e cara de uma Champions League.

Ou não.

Não?

Não.

Não com esse calendário.

Não com a Sudamericana em seu formato e época atuais.

Até deve dar para sobreviver com essa Sudamericana, mas não dá para conviver de forma decente com esse calendário existente no Brasil. E, praticamente, só no Brasil, já que a Argentina moldou seu calendário ao europeu há um bom tempo.

Independentemente, porém, dessas elocubrações, uma coisa é certa: já teremos em 2008 uma nova Libertadores.

Provavelmente mais atrativa, mais interessante, mais charmosa.

E cada vez mais importante.

Ou, como poderia ser dito, também, cada vez mais “imperdível”.

Bem-vindo, Santander.

E sucesso para todos nós que amamos o futebol.

E todas as Américas.


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quarta-feira, fevereiro 14, 2007

Libertadores... Única, terrível, maravilhosa


A Libertadores da América é única. Até porque não tem time do Nepal jogando no sopé do Himalaia.

Minhas lembranças de Libertadores vêm de muito tempo atrás, e com elas a primeira decepção, com um vice-campeonato perdido para o poderoso Independiente da Argentina. Vencemos aqui, perdemos em Buenos Aires e o jogo-desempate, que naquela época existia, foi em Santiago do Chile. Perdemos o jogo por 1x0, perdemos um pênalti, perdemos um título. Já naquele distante 1974 jogamos na altitude boliviana e voltamos de lá com um empate. Confesso que essa Libertadores, apesar do vice, pouco nos marcou. Só dezoito anos depois ela nos conquistaria de vez.

Muitos jogos da Libertadores estavam mais para batalhas campais que para jogos de futebol propriamente ditos. As falhas de suas senhorias, os árbitros, não eram grotescas, eram folclóricas. Não havia outra forma de nos referirmos a elas. Em 1981, Paulo César Carpegiani, então técnico do Flamengo, colocou um jogador em campo com a única finalidade de dar um murro em Mario Soto, jogador do chileno Cobreloa e que já tinha jogado pelo Palmeiras, devolvendo agressão que ele praticara no jogo anterior contra um jogador rubro-negro. Lembro-me do episódio e da minha incompreensão, pois não entrava em minha cabeça que o Mario Soto, que tantas vezes enfrentou o São Paulo e que vi jogar no Pacaembu e no Morumbi, pudesse agredir um colega brasileiro da forma como ele agrediu.

Que tempos aqueles!

92, 93, 94...

Dois títulos, dois títulos mundiais e o vice-campeonato em 94, o pênalti cobrado por Palhinha e defendido por Chilavert, goleiro do Vélez Sarsfield à época.

Nossa paixão, minha paixão pela Libertadores estava firmemente estabelecida. Dali em diante, tudo que nos importaria seria voltar à Copa, como a chamam nuestros hermanos de Latino America.

E agora aqui estamos, pelo quarto ano seguido.

Com o São Paulo, nada menos de mais cinco equipes brasileiras, quatro das quais foram campeãs da Copa e do Mundo. Só o Paraná é novato. Santos, Flamengo, Grêmio e Inter já tem intimidades com ela.

A Libertadores tem a cara e a diversidade da América Latina. Participa toda a América do Sul que fala castelhano, ao lado do Brasil, e mais o México. Breve, os times americanos e canadenses participarão, também. Quando isso acontecer, teremos jogos de Toronto até Buenos Aires. Quase que de um Círculo Polar a outro. Uma hipotética final entre o time da cidade canadense e outro de Buenos Aires, terá um jogo no inverno austral em confortáveis dois a cinco graus centígrados, e outro no incômodo verão setentrional, de repente com trinta e quatro ou mais graus centígrados.

Os contrastes também atingirão seus extremos totais, indo da riqueza norte-americana à pobreza peruana, equatoriana, brasiliana e outras.

Durante a disputa de uma Libertadores, joga-se ao nível do mar e joga-se a 4.000 metros de altitude, em Potosí ou Oruro. O acampamento-base do Everest está a apenas 5.300 metros. Não é pouca coisa. Sempre tem jogo em La Paz, a 3.700 m e em Quito, a 2.800 metros. E também na Cidade do México, a confortáveis 2.400 metros acima do nível do mar.

Joga-se em pleno deserto do Atacama e em meio às florestas luxuriantes do Brasil ou da Colômbia. O calor e a umidade de um jogo em Manaus, Belém ou Assunção, podem ser mais exaustivos e desumanos que os 4.000 metros de Oruro e Potosí.

Além de tudo isso, as distâncias são imensas e a estrutura é precária. Assim, em pleno ano de 200 6, os atletas da LDU de Quito demoraram trinta horas para chegar à Porto Alegre, saindo de Quito. Naturalmente perderam o jogo.

Para os times brasileiros, todos os outros times falam a mesma língua do juiz. Isso já foi complicado, hoje nem tanto, pois muitos jogadores já falam espanhol fluentemente. A televisão é soberana e sua presença acomoda as coisas, deixa tudo mais tranqüilo, inclusive a arbitragem do cara que fala a língua “deles”.

Participar da Libertadores virou coqueluche, moda, obsessão...

Dá status e dá um bom dinheiro, graças ao rico patrocínio da Toyota. Tudo indica que já em 2008 teremos um novo patrocinador, possivelmente com um reforço na injeção de recursos. A provável e breve entrada dos times da Major League Soccer vai aumentar ainda mais a penetração da Libertadores e vai aumentar as cotas por participação.

O São Paulo já abriu sua promoção para a compra dos ingressos dos três primeiros jogos. Isso vale para a compra de ingressos de arquibancada, cada uma a trinta reais, com desconto de 10%. A torcida comparece em peso e o Morumbi fica muito bonito. E vai ficando mais e mais bonito à medida que o time passa de uma fase para outra. E a renda da bilheteria, num caso único no Brasil, engorda de forma sensível a receita da equipe. Graças quase totalmente à Copa, a receita de bilheteria do São Paulo em 2005 atingiu, praticamente, 15% da receita total do Departamento de Futebol.

E, finalmente, a Libertadores pode abrir, inutilmente, as portas do mundo que, uma vez abertas, ficarão sem uso graças ao calendário da Terra de Vera Cruz.

Mas a Libertadores é linda e bom que podia ter um hino tal como a Champions League.

Um novo sonho começa essa noite para seis times brasileiros.



Se eu tivesse de comparar Libertadores e Champions League, diria que essa última é a corrida no oval de Indianápolis: emocionante, mas previsível, sempre a mesma coisa.

Já a Libertadores seria o rally Paris-Dakar, assim mesmo, imprevisível, com o nome antigo e as grandes emoções.

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domingo, dezembro 17, 2006

Mundo colorado!


Internacional de Porto Alegre Campeão Mundial de Clubes.

Confesso que apostava minhas fichas no Barcelona, não pelo jogo contra o América mexicano, mas pelo crescimento mostrado nos últimos jogos pela Liga e pela Champions.

E o Barça jogou melhor a maior parte do tempo, hoje.

Mas não conseguiu marcar, não conseguiu vencer a defesa gaúcha e, por fim, Clemer, mais uma vez um grande destaque num jogo decisivo.

A marcação em cima de Ronaldinho funcionou e ele ficou sem espaço para desenvolver o jogo.

E o gol nasceu de um contra-ataque, praticamente o único que encaixou. Iarley limpou a jogada e tocou para Adriano que teve habilidade e tranqüilidade para tocar na saída de Victor Valdéz, aos 35’ do 2º tempo.

No mais, a história do jogo teria de ser contada pelos ataques blaugranos, os chutes perigosos, as defesas de Clemer. De certa forma, Abel Braga repetiu o esquema montado por Autuori para o São Paulo em 2005.

Parabéns ao Internacional!



Vitória brasileira


Sim, vitória brasileira, desse mesmo futebol que é tido e havido como inferior.

O Inter é fruto do Campeonato Brasileiro e da Libertadores, onde só jogam “refugos” ou os jogadores que não têm qualidade para desfilar pelos gramados europeus.

Não é bem assim. Apesar dos grandes nomes estarem na Europa, os jogadores que aqui ficam têm bastante qualidade e no mínimo dois times provam isso. E provam que poderiam, tranquilamente, disputar a Champions League em condições de disputar e chegar, no mínimo, às semi-finais.

Se outros times brasileiros tivessem a mesma organização e seriedade de Internacional e São Paulo, com certeza teríamos mais dois ou três times no mesmo patamar.

Ao fim e ao cabo, a diferença realmente impactante entre o futebol que aqui se joga e o que lá se joga, está mais fora do que dentro do campo.

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quinta-feira, dezembro 14, 2006

Que viva Mexico!



Finalmente, demorou um pouco mas um time mexicano vence um torneio da CONMEBOL.

O Pachuca derrotou o Colo-Colo por 2x1, depois de sofrer 1x0, em Santiago do Chile. É uma vitória há muito anunciada, pois o nível de qualidade, organização e experiência do futebol mexicano só tem subido, impulsionado, sem dúvida, pela presença de 4 equipes mexicanas na Copa Libertadores da América desde os últimos anos da década de 90.

Outro sintoma dessa evolução é a própria seleção mexicana, com excelentes desempenhos em diversos torneios, como a Copa América e a Copa das Confederações. O próximo passo será chegar mais longe na Copa do Mundo de forma consistente e não acidental.

As equipes mexicanas primam por um excelente preparo físico e toque de bola, com um índice de erros de passe relativamente baixo, mesmo se comparado aos índices de times brasileiros. Provavelmente, devido à influência dos treinadores argentinos que dirigiram vários times e a seleção.

Essa vitória vai reacender uma discussão que teima em grassar no Brasil e diz respeito à participação dos mexicanos no Mundial de Clubes caso vençam a Libertadores. Mas essa é uma discussão sem base de apoio, exceto o fato de um time vencer um torneio.

A lógica do sistema é clara e cristalina: o Mundial de Clubes da FIFA é disputado pelos campeões de cada continente, ou seja, de cada Confederação. Indicar o campeão é uma convenção, pois nada impede que uma Confederação indique outro time. Abrindo a Libertadores à disputa por times mexicanos, a pedido destes, a CONMEBOL colabora com o desenvolvimento do futebol em outro país e mercado, mas nem por isso pode ou deve abrir mão de indicar seu próprio campeão para a disputa do Mundial, mesmo que esse não seja o campeão do torneio que aponta o participante. Sem esquecer que dois times mexicanos disputam a Copa dos Campeões da CONCACAF, cujo vencedor disputa o Mundial de Clubes.

Sinceramente, não consigo enxergar justiça e nem mesmo lógica nos repetidos pleitos de jornalistas e torcedores brasileiros no sentido de que um time mexicano, caso vença a Libertadores, dispute o Mundial de Clubes em lugar de uma equipe sul-americana.

Bienvenido, México!

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sexta-feira, agosto 18, 2006

Rescaldo de uma final e Despedidas


Poucas vezes, ou nunca, fiquei tão tranqüilo e sossegado depois da perda de um título como dessa vez.

Claro, passei por todo o gostoso purgatório de todo torcedor, gritei, xinguei, vaiei, assobiei, perdi a voz e a garganta no Morumbi, ganhei uma gripe maledeta que até agora me incomoda, mas ao fim e ao cabo o que ficou de ruim dessa decisão foi só a gripe.

Porque o São Paulo jogou muito, jogou com amor, raça, dedicação, entrega.

Mas o Internacional conseguiu um pouco mais disso tudo. E teve Rafael Sóbis, claro.

Até me arrependo de citar um nome, pois nesses jogos isso acaba sendo uma injustiça.

Como torcedor, como amante do futebol, tenho a minha visão sobre essa final. Já passei-a para cá. Continuarei acreditando até o fim dos meus dias que o lance-chave foi no começo do primeiro jogo. Enfim, deixemos pra lá, já é história.

O jogo dessa quarta-feira foi um espetáculo. Nada menos que quatro gols numa final tensa, disputada, duríssima, é algo raro. Muitas pessoas, inclusive jornalistas e comentaristas fizeram um comentário que diz tudo sobre o jogo: podia ter durado mais tempo, não era para acabar tão cedo! Quantas vezes podemos falar isso de um jogo?

O principal motivo para escrever esse texto é falar do Elizondo. Horacio Elizondo, argentino, juiz do quadro da FIFA, apitou o jogo de abertura da Copa do Mundo de 2006. E apitou o jogo de encerramento dessa mesma Copa. Foi ele, também, que apitou a final do ano passado, no Morumbi. Sua arbitragem foi excelente, já que, por definição, creio eu, não existe arbitragem perfeita. Apesar da dureza e até rispidez na disputa de muitas bolas, tudo transcorreu em calma. Os cartões amarelos foram muito bem usados logo no começo da partida. As reclamações foram poucas, logo contidas. A expulsão do Tinga foi chata, mas foi justa, pois a regra é clara: não pode tirar a camisa ou levantar a camisa e mostrar qualquer tipo de mensagem. Mesmo que seja uma pró-Jesus Cristo. Ainda que a favor. Como ele já tinha um amarelo...

Até o último segundo o São Paulo tentou o gol que forçaria uma prorrogação. Não deu. Há jogos que são assim. Talvez sejam aqueles em que os deuses dos estádios resolvam, mais que só assistir, intervir e fazes das suas.

Fiquei triste, mas não nervoso ou irritado. Apenas triste. Não há porque ficar mais do que isso por perder para alguém que foi melhor.

Em 2007, estou certo, passaremos por tudo isso novamente. Acredito que chegaremos a mais uma final. E venceremos.

E viva o futebol!

Lugano e Ricardo Oliveira

Ambos foram embora, Lugano negociado com o Fenerbahce, da Turquia, e Ricardo Oliveira de volta ao Betis.

Lugano chegou ao São Paulo garotão de tudo, recém-saído do interior uruguaio. Em pouco tempo fez do São Paulo a sua segunda casa e a torcida, em menos tempo ainda, passou a enxergar nele mais que um simples zagueiro, um jogador que punha seu coração nas chuteiras em defesa do São Paulo.

Agora, quase quatro anos depois, ele vai embora. Que seja muito feliz na Europa desde já, pois terça-feira seu novo time decide a permanência ou não na Champions League contra o Dínamo Kiev, onde joga Rodrigo, outro grande zagueiro que foi para lá saindo do São Paulo.

Com Ricardo Oliveira nossa convivência foi curta, mas intensa. O São Paulo foi importante para sua plena recuperação e para voltar ao futebol como está voltando: confiante, seguro, jogando bem, marcando gols e dando assistências. Que seja feliz nessa nova etapa de sua vida, e tenha muito sucesso. Ele merece.

Ambos partiram tristes por deixar o São Paulo. Esse é o melhor comprovante da qualidade de um time, da união de um grupo de jogadores.

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sábado, agosto 12, 2006

Indefinições

Pensei nesse post há dois dias, quando o Real Bétis anunciou, definitivamente, que Ricardo Oliveira deveria reapresentar-se ao time imediatamente. E o título seria “Há males que vêm para bem”.

Entretanto, o próprio Ricardo Oliveira e o São Paulo continuam tentando prorrogar o contrato, não só para disputar o último jogo, mas também, de preferência, para disputar o Brasileiro, a Recopa Sul-Americana e, vencendo a Libertadores, o Mundial de Clubes.

Para Ricardo Oliveira, principalmente se vencer a Copa Libertadores, ficar no São Paulo dar-lhe-á um prazer e uma visibilidade que não terá no Campeonato Espanhol. Aqui, o São Paulo é líder do Campeonato Brasileiro e tudo indica que será, no mínimo, um de seus ponteiros, com grande probabilidade de ser campeão. A Recopa, embora limitada a dois jogos entre São Paulo e Boca Juniors, é uma competição de prestígio e com muita visibilidade no mundo do futebol. Indo ao Mundial, o jogo final contra o Barcelona, hipótese mais que provável, atrairia de forma fantástica a atenção da mídia e da torcida européia, pois reuniria o autêntico campeão europeu, considerado como o melhor time do mundo, contra um time brasileiro que seria bi-campeão das Américas e provavelmente o campeão do Brasil, além de defensor do título de Campeão Mundial de Clubes.

Indo embora, Ricardo Oliveira estaria sumido nos encontros contra Getafe, Gimnástica e outros, com chances para aparecer apenas nos jogos contra Barça e Real. Além disso tudo, Ricardo tem um ambiente muito bom no São Paulo, teve uma recuperação excelente, para a qual a dedicação do pessoal do REFFIS foi fundamental. Ele se sente em sua casa e só agora está entrando em sua forma técnica. Continuar, é a chance para aprimora-la ainda mais.

O São Paulo, naturalmente, ainda luta pela prorrogação de seu empréstimo por tudo que ele representa como jogador.

Perfeito. Mas acho essa indefinição prejudicial ao time. E, confesso, nos dois jogos contra o Internacional gostaria de ver Aloísio em campo.

Aloísio? – devem estar se perguntando os 3 ou 4 leitores desse blog. E pensando, com certeza, que eu enlouqueci.

Nem tanto, não enlouqueci. Não ainda, pelo menos. Há uma lógica no jogo com Aloísio, mais de uma, até.

- A defesa do Inter é forte e marca pesado; é a defesa ideal para o jogo de Aloísio, um centroavante muito forte, que não foge, pelo contrário, busca o contato físico e consegue se dar bem em muitas disputas.

- Com ele em campo, é comum a marcação de faltas na entrada da área e também de pênaltis. Dos cinco gols marcados por Rogério Ceni nessa Libertadores, 3 ou 4 nasceram de faltas ou pênaltis sofridos por Aloísio. Os dois fazem a mais estranha “dupla” de ataque do futebol mundial. Estranha, mas efetiva, com 10 gols nessa competição.

- Aloísio faz um excelente trabalho de pivô, chamando a marcação, abrindo espaços e entregando a bola para um companheiro de frente para o gol adversário. Danilo, Souza, Mineiro, Junior e Leandro ou o próprio Ricardo Oliveira, por que não, além de Thiago e Alex Dias, chutam muito bem da entrada da área.

Por tudo isso, a saída de Ricardo será um prejuízo para o São Paulo, mas não muito grande para esse jogo, especificamente. A meu ver, repito, o que mais atrapalha é a indefinição.

... ... ...

A morte de Weverson, quarto goleiro, e a hospitalização e a cirurgia de Bruno, o terceiro goleiro, abalaram a todos. Dois jovens, com 19 e 20 anos, respectivamente, vítimas de um acidente rodoviário. Além deles, três jogadoras de vôlei do Osasco: Natália, que também faleceu, 20 anos de idade e cotada para já integrar a seleção brasileira adulta, e Clarrise e Paula, com 19 e 18 anos, que estão hospitalizadas, mas, felizmente, sem risco de vida.

Bruno passou por uma cirurgia de 8 horas de duração, na coluna. Ainda não se sabe como seu corpo reagirá e se terá alguma seqüela – que pode chegar à paralisia.

... ... ...

Agora, tudo que resta é aguardar. E torcer.

Pela recuperação de Bruno.

E pela vitória em Porto Alegre.

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quinta-feira, agosto 10, 2006

Post-scriptum de uma derrota

Um jogo de futebol suscita as mais diversas opiniões e interpretações. Cada um vê um jogo, cada um imagina soluções distintas por motivos distintos para reverter uma derrota, ampliar uma vitória, lutar por um empate.

Nessa manhã de 5ª-feira, depois de ver vários lances pela televisão, e ter lido algumas opiniões, fica claro que o enorme buraco no meio-campo Tricolor deixado pela expulsão de Josué foi muito evidente. E muito comentado. Tal fato só aumenta meu espanto pela atitude de Muricy, que preferiu manter os três zagueiros em campo.

Nos últimos tempos, pelo menos no Brasil, a palavra da moda entre os treinadores é “equilíbrio”, todos buscam e querem um time equilibrado em suas linhas, em seu posicionamento no campo. Naturalmente, esse desejo tem sua razão de ser e é claro que um time bem distribuído pelo campo terá um melhor controle das ações, vale dizer, do jogo, com melhores condições de marcar e debelar os ataques adversários, assim como sairá melhor ele mesmo para o ataque. A força do atual time do São Paulo tem seu centro nevrálgico na dupla de volantes Josué e Mineiro, jogadores modernos, rápidos, extremamente eficientes tanto no desarme como na cobertura e, principalmente, ambos com excelente saída de jogo, passando com precisão. Os dois também, e mais o Mineiro, são ótimas opções de ataque, tanto passando como recebendo e chutando a gol. Em termos defensivos, Josué joga mais próximo da defesa, no que seria um “primeiro volante”. Com os dois em campo, o São Paulo exerce um controle eficiente do meio-campo, permitindo à defesa formada pelos três zagueiros jogar com mais segurança e desenvoltura.

Costuma-se dizer que um jogo se decide no meio-campo. Não deixa de ser uma verdade e ontem tivemos mais uma prova disso. Só continuo não entendendo porque Muricy não corrigiu o buraco do meio.

Opinião é opinião, cada um tem a sua.

Vendo e revendo os lances do jogo, fica mais claro para mim: o jogo foi definido na entrada sobre o Mineiro e muito do que veio depois foi conseqüência direta desse lance. O fato de estar no estádio e poder acompanhar o desempenho de Mineiro depois do lance, foi decisivo. A tevê segue a bola e o jogador só aparece quando tem sua posse ou está em sua disputa. A presença no estádio permitiu-me desviar o olhar da bola e acompanhar Mineiro, que demorou pelo menos quinze minutos para poder voltar a jogar, mas não normalmente, pois sentiu a entrada durante todo o jogo e entrou em tratamento logo após terminar o jogo.

Enfim, jogo atípico, derrota atípica.

O São Paulo tem mais 90 minutos. Basta virar.

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Foi só o primeiro jogo

Recém-cheguei do estádio.

Uma noite deliciosa, apesar do placar, apesar do moleque xingando o Muricy o tempo todo.

Aproveito para escrever sem ler comentários, sem assistir a tapes.

Tomei mel com própolis pra ver se minha garganta melhora ou não fica pior do que está, e janto uma maçã. Hoje, excepcionalmente, abri mão do super-sanduíche de pernil na saída. Talvez, porque excepcionalmente, o São Paulo perdeu.

Um jogo atípico, uma derrota atípica.

O time enervou-se logo de saída com a marcação forte do Internacional na saída de bola e com um lance que preciso ver pela tevê – na verdade o único que quero ver: o Mineiro, nosso ponto de equilíbrio ao lado de Josué, foi atingido com menos de 5 minutos de jogo e sentiu a pancada. Parecia que seria substituído e ficou em campo, mancando, por pelo menos mais dez minutos após o atendimento médico. Aos dez minutos, Josué foi expulso por um lance que eu não vi, e disseram ter sido uma cotovelada sem bola. Coisa estranha, pois ele não faz, nunca fez nada parecido no São Paulo.

Esses dois lances marcaram o início do jogo. Com um jogador a mais, parecia que o Inter tomaria conta da partida e sofreríamos uma goleada. Mas não, o que vimos foi um São Paulo aplicado, um Inter confuso e duas claras chances de gol para o São Paulo, defendidas por Clemer.

Mas o coração batia mais forte a cada retomada de bola pelos gaúchos, pois o buraco no meio-campo criado pela ausência de Josué era grande, enorme, um vazio preocupante, que permitia o toque de bola e a armação de jogadas do Internacional. Apesar disso, Rogério Ceni não foi ameaçado de fato.

Pouco antes do final do primeiro tempo, uma explosão de alegria: o volante Fabinho foi expulso e os dois times ficaram com 10 em campo.

Veio o intervalo e, com ele, esperava eu e muitos outros, alguma mudança no São Paulo. Muricy, todavia, optou por voltar com o mesmo time e, sem corrigir efetivamente o buraco no meio, partiu para o ataque. Aos dez e aos dezessete ou dezoito minutos, dois gols do Inter, gols que, normalmente, o São Paulo não tomaria. Mas tomou, pois a defesa ficou desguarnecida.

Por isso quis escrever isso com a minha cabeça, sem informações da mídia: com dez jogadores, não se justifica manter um terceiro zagueiro. A defesa, ao invés de segura, fica mais exposta, pois não há um combate eficaz pela bola no meio-campo. Creio que no intervalo, Muricy deveria ter trocado um zagueiro por um volante, recompondo o meio e aumentando a proteção à defesa pela simples presença de um jogador na região do buraco. Não sei se isso foi tão perceptível pela tevê, mas no campo era muito clara essa falha na disposição do São Paulo.

Foi por ali que Tinga reinou, ajudado por Fernandão. Os dois municiaram Rafael Sobis, o nome do jogo com dois gols. E um terceiro perdido.

Perdido por dois, perdido por dez, Muricy foi para o ataque e trocou um zagueiro, o jovem Edcarlos, por Aloísio. Edcarlos tinha acabado de fazer o gol do São Paulo, em bela cabeçada. Aloísio entrou muito tarde. Antes disso, Danilo foi substituído, sob vaias, por Lenílson. Em todo o jogo, não houve uma única falta na entrada da área do Internacional para a batida de Rogério. Perto do final, Leandro, outro que sofreu uma pancada forte de zagueiro do Inter e sentiu, foi substituído por Richarlyson.

Abel tirou um volante e colocou um terceiro zagueiro, ficando com o time todo atrás, saindo em contra-ataques. Correu o risco de sofrer um empate, pois o nome do jogo, fora Sobis, acabou sendo o goleiro Clemer. E não soube aproveitar a vantagem de um jogador durante quase todo o primeiro tempo. Mesmo assim, um dos contra-ataques quase resulta em mais um gol de Rafael Sobis.

Enfim, um jogo anormal. Ou atípico, fica a gosto do leitor. Não gosto de criticar técnico, pois entendo menos de futebol que eles, mas hoje tanto Abel como Muricy erraram. Um deixou de garantir o título. O outro, permitiu ao adversário uma vitória fora dos planos.

Pela frente, mais 90 minutos de futebol em Porto Alegre. Tudo pode acontecer, claro, mas eu ainda acredito numa boa vitória.

O gol de Edcarlos nos dá essa esperança.

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quarta-feira, agosto 09, 2006

Tá na hora!!!


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"...mas assim que saímos do túnel do vestiário, e entramos em campo, parecia que foi a vez que mais vi o estádio lotado, aquele monte de sinalizadores vermelhos acesos, me fez lembrar quando eu ainda era pequeno e via os jogos com o Maracanã lotado.
Naquele momento tudo em você aumenta, a confiança, o estado físico, psicológico, a garra.......após estarmos perdendo para o Santos e a torcida nos incentivando, aplaudindo, sabia que com qualquer resultado durante o jogo, os 75.000 São Paulinos estariam nos apoiando.
Assim como é mais fácil para nós jogarmos com a torcida ao nosso favor, é bem mais difícil para a equipe adversária jogar com uma torcida dessas contra.
Logo no começo, já entramos com gás total, a conversa e o incentivo que o prof. Muricy nos deu antes da partida foi importantíssima.
Ele nos falou que: "É impossível uma euipe como a nossa perder 3 vezes para um mesmo time".
Após o Fabão cometer o pênalti, que até agora não sei se foi realmente mas tudo bem.......na hora pensei que sendo pênalti ou não, era injusto, estávamos jogando muito bem, dominando completamente o jogo........de repente a torcida inteira gritava p....q....o....p.....é o melhor goleiro do Brasil, dando muita confiança ao Rogério que já é extramente calmo.
Quando ele defendeu aquela bola, ali eu tive a certeza que aquela noite era nossa, e acho que a equipe do Chivas também sentiu isso.
Foram 90 minutos perfeitos, com o nosso time muito bem entrosado, confiante, humilde, sabíamos da nossa responsabilidade e o que deveríamos fazer.
Os gols foram uma consequência natural de como estávamos jogando, claro que o primeiro gol do Leandro deu um alívio.
Um outro momento que considero o mais emocionante do jogo, foi quando a torcida começou a gritar Ooolé, Oooolé, ali começamos a tocar mais a bola, atendendo ao pedido da torcida, ali estava bem claro que mesmo as vezes não olhando para a torcida pois estamos concentrados no que está acontecendo no jogo, o tempo todo estamos ouvindo tudo o que ela está falando.
Quando o juiz apitou, estávamos em mais uma final do campeonato mais importante da América e talvez do Mundo.
Sei que o Japão está perto, bem perto, se jogarmos como estamos jogando é impossível perdermos, estamos muito bem entrosados, o clima na Concentração e de família, de confiança..."

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Extraído do site do Edcarlos, 21 anos de idade, zagueiro do São Paulo, titular em Yokohama, na disputa do Mundial, titular nos últimos jogos da Copa Libertadores 2006, assim como em 2005.

Confesso que essa leitura me deixou no clima do jogo.
Eu ainda não estava, agora estou.
No clima.

"Vamos São Paulo, Vamos São Paulo,
Vamos ser Campeão!"


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Hoje, Mineiro x Tinga


O Abel é um treinador inteligente. Gosta de ver seus times no ataque e jogando bonito. Às vezes o Internacional joga assim, poucas vezes. Geralmente é um time pegador e precavido, que gosta de tomar conta do meio-campo e mandar bolas para Fernandão distribuir, de cabeça, para a esquerda ou direita.

Para a esquerda ou direita...

Se Abel for muito corajoso, e meio louco, quem sabe, pode armar o Internacional hoje com dois zagueiros e três atacantes e tentar surpreender o São Paulo, como fez o Chivas no jogo do Morumbi.

Como? Com Renteria entrando no time, pela esquerda, ficando Rafael Sobis na direita e Fernandão no meio. Essa postura anula a sobra da zaga do São Paulo e cria riscos para Rogério Ceni. Segura um pouco mais Souza e Junior, mas enfraquece o meio-campo e deixa vulnerável sua defesa, para pegar atacantes como Ricardo Oliveira e Leandro, e mais Danilo.

Tudo indica, portanto, que com ou sem um monte de treinos secretos, Abel vai mesmo entrar com três zagueiros e dois atacantes. Um jogo espelhado. O jogador mais perigoso do Internacional, na minha opinião, é justamente Tinga, que já fez a diferença muitas vezes no Internacional. O volante moderno, forte atrás, veloz e hábil e inteligente no ataque. Um grande perigo e, apesar de Fernandão e Sobis, o melhor jogador do Internacional.

A contrapartida de Tinga no São Paulo é Mineiro. Mais discreto, até no corpo e nos cabelos, Mineiro é um marcador implacável, fino ladrão de bolas e que muitas vezes é um atacante de respeito, com gols importantes.

Mineiro e Tinga, hoje, reproduzem a nosso modo e jeito Pirlo, Vieira e outros grandes “volantes” da Copa 2006.

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sexta-feira, agosto 04, 2006

Final brasileira. De novo

O pequeno Libertad foi muito mais longe do que imaginava e chegou a uma fantástica fase semi-final da Copa Libertadores da América. Mas perdeu para o Internacional de Porto Alegre.

Nessa reta final, porém, faltou gás ao valente pequeno time. Por gás, entenda-se tradição, jogadores melhor qualificados e um pouco de coragem para atacar. Não conseguiu vencer o Inter em Assunção, ficando num empate em 0x0. Um resultado perigoso para o Colorado, pois qualquer gol que o Libertad viesse a marcar complicaria a vida dos gaúchos.

Só que os paraguaios não acreditaram em si próprios, não aproveitaram o nervosismo do adversário no primeiro tempo, abdicando do ataque e se concentrando na defesa. Defender é bom, mas só defender é estéril, não frutifica, não rende. Fora a velha máxima, que a melhor defesa é o ataque.

O Internacional voltou para o segundo tempo disposto a resolver o jogo, mas, paradoxalmente, depois de alguns minutos de pressão, deixou-se dominar pelo Libertad. Esse curto domínio gerou duas situações potencialmente perigosas, em bolas cruzadas, mas foi só. Com a entrada de Renteria, mesmo antes dele tocar na bola, saiu o primeiro gol, num chute de fora da área. Posso estar enganado, mas me parece que esse gol foi fruto de um desarranjo na defesa paraguaia que se perdeu com a entrada de Renteria, um atacante voluntarioso, lutador e dotado de alguma técnica. E o pior, um atacante com cara e cheiro de gol. Foi uma boa alteração do Abel.

Feito o primeiro, o segundo foi conseqüência, também em chute de fora da área, dessa vez de Fernandão.

Com 2x0, o Inter começou a tocar mais a bola e deixar o tempo passar.

Na próxima semana, teremos o primeiro jogo no Morumbi.

São Paulo x Internacional, com 70.000 torcedores no estádio. O São Paulo, Muricy Ramalho e os jogadores, sabem que a conquista do quarto título será definida nesse primeiro jogo.

Muricy Ramalho – não importa o resultado, ele, de certa forma, será o grande vencedor. Esse time do Inter foi montado por ele em mais de 90%. Uma mostra de sua qualidade e do valor de seu trabalho.

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quinta-feira, agosto 03, 2006

Mais uma final de Libertadores!



A vitória no México por 1x0 deu ao São Paulo uma dose extra de confiança para esse segundo jogo. O Chivas Guadalajara era um time com excelente desempenho nos jogos fora de casa. Um time perigoso, portanto.

E o São Paulo entrou em campo e começou o jogo da mesma forma que fez em Guadalajara: marcando a saída de bola dos mexicanos, ocupando os espaços, impedindo o Chivas de manobrar do meio-campo para a frente. Apenas os zagueiros tinham relativa liberdade para tocar a bola entre eles. Jogando dessa forma o São Paulo criou algumas boas chances nos primeiros 15 minutos de jogo.

Mas a partir dos 15’, foi o Chivas que avançou a marcação, ocupou melhor o meio-campo e passou a pressionar o São Paulo. Num contra-ataque rápido, uma bola enfiada por trás dos zagueiros quase resultou em gol: Santana recebeu e chutou. A bola desviou em Fabão e ia para o gol. Rogério, pego no contrapé, teve reflexo para desviar o chute com a perna esquerda. Logo em seguida, Bautista, que provocara Lugano na véspera da partida pela imprensa, recebeu livre e chutou por cima na saída de Rogério.

Aos 29’, pouco depois de grande defesa de Osvaldo Sanchez em chute de Junior, Fabão cometeu pênalti sobre Bautista. Morales cobrou e Rogério defendeu. Grande defesa!

E o jogo mudou. O São Paulo acordou com a defesa.

Aos 32’ Ricardo Oliveira tabelou com Leandro e na hora do toque final a bola sobrou para o 9 tricolor que chutou na direita de Sanchez. 1x0.

Minutos depois, num eficiente trabalho de pivô, Ricardo Oliveira recebeu na área, controlou e tocou para Mineiro, na entrada da grande área, que chutou em curva para o gol. Belo gol, mais um de Mineiro. 2x0.

Delírio no Morumbi, mas só entre a torcida. Em entrevista na saída de campo, Rogério deu o tom: nada está decidido ainda, precisamos fazer o terceiro gol.

E ele veio logo aos 3’, em cabeçada precisa de Ricardo Oliveira – sempre ele – em bola cruzada por Souza. Na verdade, mais um passe que um cruzamento.

Depois disso o São Paulo diminuiu o ritmo. O Chivas tentou, até obrigou Rogério a fazer algumas defesas, mas ficou nisso mesmo.

O São Paulo está em sua sexta final de Libertadores.


O time como um todo jogou muito bem. Destaques para Rogério, pela defesa fundamental do pênalti, e para Ricardo Oliveira, presente nos três gols. No mais, um time equilibrado, defendendo e atacando. Ou só ocupando os espaços e reduzindo as margens de manobra do Chivas.


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sexta-feira, julho 21, 2006

Semi-finais definidas

E o Chivas Guadalajara deixa para trás o Vélez Sarsfield – 2x1.

Com essa vitória, ficam definidos os 4 semi-finalistas da Copa Libertadores:

São Paulo x Chivas Guadalajara

Internacional x Libertad


Um desses quatro será o campeão da Libertadores e estará no Japão, em dezembro, disputando o Mundial de Clubes.

--- xxx ---


A tarefa do São Paulo será muito difícil. O Chivas voltou a jogar bem, com o retorno de seus jogadores que serviram à seleção mexicana e da qual formam a base.

O fracasso do México na Alemanha, com certeza, será um combustível extra para motivar o Chivas na primeira conquista da Libertadores por um time mexicano.

Para o São Paulo as dificuldades começam com a própria viagem para Guadalajara e o retorno. Isso praticamente impedirá Muricy Ramalho de usar a equipe titular nos dois próximos jogos do Campeonato Brasileiro.

Sem dúvida, disputar a Libertadores é mais complicado, e ao seu modo, mais difícil que disputar a Champions League. Às distâncias intercontinentais, soma-se a altitude de locais como La Paz, Cuzco, Quito, Cidade do México e até, um pouco, Guadalajara. Em especial nessa reta final, uma equipe precisa de elenco grande e bom o bastante para dedicar-se a duas competições diferentes sem prejuízos.

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quinta-feira, julho 20, 2006

São Paulo x Estudiantes - um jogo limpo

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São Paulo e Estudiantes de La Plata foi um típico jogo de Libertadores. Mas não foi um típico jogo entre brasileiros e argentinos, ao contrário da primeira partida, disputada em Quilmes.

O jogo foi duro, foi tenso, foi muito disputado. Porém, não houve lances desleais, não vimos faltas violentas, tampouco discussões entre jogadores, um empurrando o outro e de repente um monte de gente se empurrando. Até surgiu uma pequena possibilidade, mas logo foi extinta, pelos próprios jogadores dos dois times e pelo juiz chileno. E isso foi muito bom, deixou uma sensação boa no final,nada de raiva por um ou outro jogador, nada de ódios tolos, sem razão e sem necessidade. Também nas arquibancadas e arredores do estádio não houve registro de problemas. Ufa! Foi apenas um disputado jogo de futebol.

O jogo em si não primou pela técnica refinada, mas foi emocionante e muito bom de assistir. Para mim, foram dois os personagens da partida: Diego Simeone, ex-jogador argentino, duro e, muitas vezes, violento, estreou como treinador à frente do Estudiantes. E Rogério Ceni, goleiro do São Paulo.

Todos esperavam que Simeone armasse o Estudiantes atrás, jogando defensivamente, fazendo valer sua vantagem de jogar pelo empate. O próprio São Paulo preparou-se para enfrentar esse tipo de jogo. Mas não, nada disso, o Estudiantes entrou em campo defensivamente forte, mas igualmente forte nos contra-ataques e, sobretudo, na intenção de atacar e manter o São Paulo preso em seu próprio campo. Isso foi feito de forma muito inteligente e perspicaz. Quando a bola estava com o São Paulo para reposição, o Estudiantes recuava, marcando todos os jogadores do São Paulo em condições de receber a bola, mas deixava livres de marcação os três zagueiros, dois dos quais eram reservas.

Uma liberdade aparente, falsa, enganadora. Sem opções para um passe seguro mais adiante, a bola era tocada entre os três zagueiros e o goleiro Rogério, reconhecidamente um excelente jogador com a bola nos pés. Para muitos analistas, é o goleiro que melhor trabalha a bola com os pés em todo o futebol mundial. Quando a bola cruzava o campo de um lado a outro, e caía com Edcarlos ou, mais frequentemente, Fabão, o jogador mais próximo dava um bote. Algumas vezes a bola chegou a ser roubada, criando situações potenciais de perigo. Em outras, o zagueiro, apertado pelo ataque, mandava a bola para longe de qualquer jeito, quando ela ia para fora ou caía sob domínio argentino.

Essa medida simples e eficaz demonstrou que Simeone analisou cuidadosamente a forma de jogo do São Paulo e as características de cada um de seus jogadores. Com isso, além de ter criado algumas situações de risco, atrasou o jogo do São Paulo e isolou sua defesa do meio-campo e do ataque.

No mais, foi um time que se defendeu com garra e determinação atrás. O São Paulo conseguiu criar poucas jogadas de gol, apesar da movimentação de seus atacantes, alas e meio-campistas. Finalmente, sempre que o gol esteve próximo, o goleiro Herrera apareceu bem. As melhores oportunidades para o São Paulo nasceram de jogadas rápidas, com um só toque na bola em progressão rumo ao gol, ou em jogadas pelas laterais e linha de fundo. O gol, por sinal, nasceu da cobrança de uma falta sobre Leandro bem próxima à linha de fundo. O zagueiro Edcarlos entrou pelo meio e tocou de pé esquerdo a bola cruzada para as redes de Herrera, no final do 1º tempo.

Com 1x0, a disputa foi para a cobrança de pênaltis. Herrera adiantou-se e defendeu bem a 4ª cobrança do São Paulo, feita por Danilo. O placar estava igual, 3 chutes e 3 gols para cada lado. Agora, com a defesa, a vantagem era do Estudiantes e a classificação estava muito próxima. Rogério não reclamou do avanço de Herrera, mas adiantou-se, também, e defendeu a 4ª cobrança do Estudiantes , feita por Alayes. Herrera reclamou, mas nada resultou. Junior converteu a última cobrança e pôs o São Paulo em vantagem. E o jovem Carrusca, com certeza sentindo a pressão do momento, chutou mal e para fora. São Paulo classificado para sua terceira semi-final consecutiva.

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