Um Olhar Crônico Esportivo

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terça-feira, setembro 11, 2007

Uma nova Libertadores de America



O que vocês lerão a seguir é apenas um exercício de imaginação de minha parte. Há bases reais para ele, sem dúvida, mas algumas coisas, algumas projeções são frutos do trabalho dos meus neurônios (os dois habituais foram reforçados pela meia dúzia que vive em férias permanentes; eventuais deslizes podem ser creditados a esses malandros, desacostumados com o trabalho).

Há uns dez anos, o Santander deixou o mercado americano, vendendo a parte que lhe cabia num banco local em troca de polpudo lucro. Depois disso, o banco espanhol – cada vez mais do mundo e menos espanhol – expandiu suas operações por todo o mundo, mas com um foco todo especial na América Latina – aquela parte do triplo continente que começa ao sul do Rio Grande (não o nosso “do Sul”, mas aquele, que aprendemos a ver nos faroestes, cruzado por onze em cada dez bandidos que queriam escapar das garras da lei) e termina nas águas geladas de Ushuaia. Ou melhor, começava ao sul do Rio Grande. Hoje, bem, hoje podemos dizer que parte substancial da velha LatinoAmerica mudou-se com armas e bagagem, legal e ilegalmente, para a terra de Tio Sam, que a qualquer hora pode virar do Tio Pepe. Logo mais volto a essa América Latina expandida.

O banco fez o que fazem os grandes bancos para crescer: comprou outros bancos. No Brasil, por exemplo, comprou nada menos que o Banespa, e hoje é um dos dez maiores bancos brasileiros, numa lista em que entram os dois grandes bancos oficiais, também. A operação brasileira do Santander é a terceira do mundo, perdendo apenas para a Espanha e para a Inglaterra. Comprou o Abbey, na Inglaterra, e já começa a colher os frutos. Fez o mesmo na Argentina, Chile, México e outros países latino-americanos, com excelentes resultados, a ponto de ser considerado, hoje, o maior banco latino-americano. Com um problema, porém: a marca Santander não é tão visível quanto o tamanho do negócio. No Brasil, muitos clientes ainda são “Banespa”, e o mesmo, com diferentes nomes, ocorre em outros países.

O ano de 2007 é especial para o Santander, pois é o ano em que haverá a convergência das várias marcas herdadas pelo banco para uma só: Santander.

A importância dessa ação pode ser melhor entendida ao vermos o tamanho da verba destinada para as campanhas de publicidade, construção de imagem corporativa e institucional, ações promocionais e remodelação de agencias somente nesse ano: 290 milhões de dólares. E o ponto alto dessas campanhas, o mesmo ponto presente na maioria dos países e, mais importante, presente nos países-chave, é o contrato de patrocínio da Copa Libertadores de América, que deixará de ser Toyota para ser Copa Santander Libertadores de América.

A partir de 2008, a Copa Santander Libertadores de América será a maior e mais importante ação de comunicação institucional e de marketing do maior banco latino-americano. Não é pouca coisa, e o banco vai querer o máximo de visibilidade para a competição, que já é a mais importante em toda a região, inclusive no México, onde mais e mais cai no gosto dos torcedores.

Bom, e o que tem a ver o futebol com tudo isso?

Calma, já chego lá. Tem mais um pouco de banco antes. Prometo, porém, que é coisa interessante.

Como disse no começo desse texto, há muito tempo e muitas linhas lá para cima, temos hoje o que se pode chamar de América Latina Expandida. Eu, pelo menos, chamo assim ao novo desenho demográfico dos Estados Unidos, onde o espanhol está a ponto de se tornar uma segunda língua oficial, para espanto, talvez, dos fundadores da América.

E esse mercado é essencial para os planos e ambições do Santander, até porque seu concorrente espanhol, o BBVA, já domina parte dos corações, mentes e, principalmente, bolsos e contas correntes de uma parcela da comunidade latina nos Estados Unidos. Há um ano, sinalizando claramente suas intenções, o banco espanhol comprou parte de um banco tradicional e bem estabelecido na costa leste americana, mas sem perder de vista os grandes contingentes latinos, presentes no Sul e Oeste.

Um dos especialistas da área financeira chegou a dizer que não será de estranhar se, em alguns anos, o Santander vender ou comprar a totalidade do banco que é sua ponta-de-lança hoje, e tentar algo mais ambicioso, como colocar sob sua bandeira o Bank of América.

Os caminhos da globalização são muitos e implacáveis.

Ah, sim, o futebol, voltemos a ele. Ou, vamos a ele, finalmente.

Os leitores habituais desse blog já sabem que a MLS tem crescido bastante. Beckham e Vitória foram contratados... ops, ato falho, ela não, só ele. Os times têm procurado se reforçar e Denílson, o nosso Denílson caçado pelos turcos em 2002, foi recém-contratado pelo Dallas. Os times mexicanos têm jogado bastante nos Estados Unidos, onde a Copa Libertadores e a Copa Sudamericana têm boa audiência, a ponto do patrocínio da Sudamericana, recém-renovado por mais três anos, ser da Nissan USA. Provavelmente, a matriz deve redirecionar parte das verbas de publicidade de outros países da região, mas a decisão e o grosso do investimento foram da operação americana da Nissan. Duvido que a empresa e suas agências de publicidade e marketing jogassem tanto dinheiro fora se não tivesse a certeza de retorno.

Isso posto, chego onde queria desde o começo: creio que uma nova Copa Libertadores está em gestação.

Ampliada, é claro. Talvez com 4 clubes americanos, ou com 3 americanos e o outro um centro-americano, hipótese mais remota a meu ver. Mas, ampliada, de qualquer modo.

Confesso que essa perspectiva é tremendamente excitante (no sentido americano, por favor). A nossa Libertadores ganharia ainda mais foros e cara de uma Champions League.

Ou não.

Não?

Não.

Não com esse calendário.

Não com a Sudamericana em seu formato e época atuais.

Até deve dar para sobreviver com essa Sudamericana, mas não dá para conviver de forma decente com esse calendário existente no Brasil. E, praticamente, só no Brasil, já que a Argentina moldou seu calendário ao europeu há um bom tempo.

Independentemente, porém, dessas elocubrações, uma coisa é certa: já teremos em 2008 uma nova Libertadores.

Provavelmente mais atrativa, mais interessante, mais charmosa.

E cada vez mais importante.

Ou, como poderia ser dito, também, cada vez mais “imperdível”.

Bem-vindo, Santander.

E sucesso para todos nós que amamos o futebol.

E todas as Américas.


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1 Comments:

  • At 10:43 AM, Blogger Diego Zaniol said…

    Há tempos penso sobre este assunto e até vou mais longe. Acho que a Concacaf e a Conmebol deveriam se fundir em uma só confederação, unificando todas as competições e tornando o futebol americano (latino e anglo-saxônico) mais forte. Assim teríamos a libertadores como competição principal e uma copa panamericana como competição secundária, lembrando que as eliminatórias também poderiam ser de toda a América ou dividindo um número fixo de vagas para América do Sul, Central e do Norte. Com competições unificadas, os times sulamericanos poderiam "beliscar" uma fatia do milionário mercado dos Estados Unidos, melhorando suas receitas e quem sabe evitando o êxodo de talentos, conseguindo fazer frente aos times europeus.

     

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