Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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quarta-feira, maio 16, 2007

Ainda e até quando?


Um pouco mais de soccer, séries de tv e Copa Nissan Sudamericana.

Ao escrever um roteiro para uma obra de ficção, seja um longa, uma novela ou um seriado, o roteirista não deixa de representar a sociedade, principalmente se a obra tem como palco o tempo presente. Nas novelas e séries a presença da realidade é mais marcante ainda. Vemos isso cada vez com mais desenvoltura nas novelas da Globo.

Nas séries americanas não é diferente. O impacto e as transformações trazidas pelos assassinatos do ataque de onze de setembro de 2001 são visíveis e até explicitados em inúmeras séries, principalmente as policiais e dramáticas, claro. Os roteiristas de Hollywood e da Costa Leste, no eixo Nova York/Boston, retratam a sociedade em que vivem no tempo em que vivem. E esse retrato, hoje, mostra a presença cada vez maior do soccer, em detrimento do basquete, do football, do baseball e do hóquei.

Isso se dá, ainda, de forma bem distinta. Essa presença maior é forte nos grandes centros urbanos, e mais presente nas Costas Leste e Oeste. O meio-oeste ainda é território dos esportes tradicionais. Essa distribuição casa, também, com a maior concentração de imigrantes hispânicos nas regiões costeiras, em detrimento das centrais. Mesmo nessas, porém, o soccer já é esporte de peso.

Uma das cenas mais significativas dos últimos tempos eu vi em “Heroes”, outro seriado que lidera as audiências. Nele, um garoto hindu sai correndo atrás de uma bola de futebol, que é pega e devolvida por um dos protagonistas. A ação foi filmada na Índia. No episodio de ontem de “Two and a half men”, série cômica que é um dos coqueluches dos últimos anos, o garoto Jake discute com o pai porque este quer ver basquete e o garoto quer ver soccer. Porque é o esporte que mais cresce e porque a menina por quem está caído joga. E ele, naturalmente, precisa inteirar-se e entender esse esporte pra não fazer feio diante da garota. Vale dizer que Jake e sua família são americanos “puros”, assim como a namoradinha.

Os exemplos se sucedem, episódio a episódio, passando por E.R. e outras séries médicas, séries policiais e outras.

Curiosamente, ao mesmo tempo as cenas e menções ao basquete, baseball e futebol americano praticamente sumiram, principalmente quando o público focado é o adolescente ou quando esse universo é retratado.

Curioso? Mais que isso, é sintomático.

E é dentro desse contexto que enxergo a presença forte da Fox Sports no futebol sul-americano, comprando parte dos direitos de tv da Libertadores e comprando a Copa Sudamericana, que, em seguida, negocia com outras redes (ou deixa isso a cargo da Conmebol, dentro de certas regras, ainda não sei ao certo). A Fox chegou como curiosidade, entre nós ainda é vista dessa forma, mas sua audiência é crescente em toda a América Latina, justamente a partir do futebol.

Ontem, em outra prova da consolidação dessa presença, a Fox e a Nissan Hispanic, sediada nos Estados Unidos, assinaram novo acordo de patrocínio, que garante à Nissan mais três anos como patrocinadora da Copa Nissan Sudamericana, com direito a nome e tudo o mais. Com isso, a Nissan completará em 2009 seu sétimo ano consecutivo de patrocínio desse evento, sinal que o retorno foi e é bom, e deverá ser maior ainda do que já é. E para a Nissan e suas agências de propaganda e marketing, essa mensuração de resultados não é difícil, pois esse patrocínio já vem desde a edição de 2003 da Copa Sul-Americana. Isso explica a presença da Toyota na Libertadores e no Mundial, e a dificuldade que o Santander vem encontrando para assumir esse patrocínio.

O soccer e o nosso futebol estão se aproximando. Se tivéssemos um calendário adaptado ao europeu e, por conseqüência, ao americano, nossos times estariam muito mais presentes nos Estados Unidos, que é, ao lado da China, o próximo grande mercado para o futebol. E estamos fora dos dois.

Ainda. E por quanto tempo mais?

Os roteiristas estão nos mostrando os caminhos, só falta aproveitar as dicas.


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terça-feira, janeiro 23, 2007

Toronto será a 13ª equipe


A MLS anunciou que a equipe de Toronto, principal centro econômico do Canadá, será seu 13º membro. Até 2010 serão dezesseis equipes disputando a Liga. Um dos pré-requisitos para a venda da franquia é a construção de estádio específico para futebol, dos quais seis já funcionarão no decorrer desse ano, constituindo, sem dúvida, um avanço significativo, com vários outros entrando em funcionamento até 2010.

O DC United foi vendido para um grupo de investidores de Washington, DC, por um valor que superou todos os anteriores em transações dentro da Liga.

O vendedor foi o mesmo grupo que vendeu o time de Nova York para a Red Bull, que começa a investir mais forte no futebol.

Vários contratos de vendas de direitos de transmissão foram assinados pela MLS com grandes grupos de mídia, inclusive a ESPN, que, por sua vez, investiu 100 milhões de dólares em direitos de torneios FIFA para os Estados Unidos em inglês e espanhol. A grande vantagem desses acordos é que as emissoras passam, também, a investir na divulgação do futebol em seu próprio benefício, mas, também, claramente, em benefício da Liga e das equipes.

O Real Salt Lake já anunciou um patrocínio de camisa, modalidade que a Liga recentemente aprovou. O próximo a anunciar patrocinador é o LA Galaxy, time do Beckham.

Dois times europeus, o inglês Crystal Palace e o espanhol Alaves, anunciaram a criação de times americanos na United Soccer Leagues – USL. Na MLS já existe o Chivas USA, “filial” do nosso conhecido Chivas Guadalajara, que disputou as últimas Libertadores.

Em 2007 a MLS promoverá um torneio de verão com 4 equipes da Liga e 4 mexicanas. A expectativa de sucesso é muito grande, graças, principalmente, à forte presença mexicana nas cidades-sede. Eis aí uma grande oportunidade, mais uma grande oportunidade, da qual os grandes clubes brasileiros ficarão fora, graças à estupidez do calendário e à falta de datas para disputar os grandes torneios de verão que, antes, eram só europeus e agora são, também, asiáticos e norte-americanos. Nada, porém, como disputar um bom campeonato estadual, não é mesmo?

Cliff Dempsey, formado na MLS, foi negociado com o inglês Fulham por um valor recorde, juntando-se a mais de 50 jogadores americanos já atuando na Europa. Finalmente, e não menos importante também, os investimentos na formação de jovens jogadores serão incrementados a partir desse ano.

É isso, na terra de Tio Sam o soccer move-se, aparentemente com direção e senso de oportunidade. E a partir de agora as empresas começam a mover-se com os times, em conjunto.

As bases estão lançadas.


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segunda-feira, janeiro 22, 2007

Soccer: sinais e números de crescimento

Baixada um pouco a poeira levantada pela contratação de David & Victoria Beckham (incluir Mrs. Beckham nessa frase é um pouco de maldade, reconheço, mas tem lá sua lógica, além de um pouco de veneno), é conveniente dar uma olhada em alguns pontos, de forma bem sumária, que fazem acreditar que, dessa vez, o futebol vai pra frente na terra de Tio Sam, e um bom sinal disso é a nova categoria social: “soccer moms and dads”.

- A Major League Soccer – MLS – está em sua 11ª temporada, e já não é considerada um fogo-de-palha como sua famosa antecessora, a NASL. A Liga tem atraído grandes patrocinadores e fechado bons contratos com as tevês. Nos últimos 2 anos nada menos que um bilhão de dólares foi investido na Liga e os times estão investindo na construção de estádios específicos para o futebol, e estão investindo, também, em parcerias com times de países onde o futebol é mais desenvolvido.

- Como diz um dirigente da Liga, há dez anos era muito difícil encontrar um jogo na tevê, e hoje já existem “soccer-only” channels, com jogos da Europa e América do Sul. Segundo ele, essa maior exposição está atraindo os jovens jogadores e criando uma base sustentável de fãs.

- Os Estados Unidos são, hoje, o país que mais investiu na compra de direitos televisivos para torneios FIFA de 2007 a 2014, num total de 425 milhões de dólares na compra combinada para inglês e espanhol; esse valor representa um acréscimo de 125% sobre a compra anterior.

- Apesar do desapontamento que foi a 5ª participação seguida em copas do mundo, a seleção americana tem motivado a rapaziada por todo o país, e isso se manifesta no interesse em torno do treinador e dos jogadores, na audiência dos jogos; ao mesmo tempo, a seleção feminina com um impressionante score de conquistas em Copa e Olimpíadas, contribui bastante para esse maior suporte; cabe destacar que tudo isso é mais verdadeiro quanto menores as faixas etárias da população, o que é muito positivo pensando no futuro.

- Milhões de crianças jogam futebol em todo o país, fazendo do esporte o segundo em popularidade, entre os jovens, atrás, apenas, do basquete.

- É grande o número de jogadores atuando na Europa e melhorando suas performances na disputa de campeonatos mais tradicionais e difíceis.

- E, por último, mas não menos importante nesse momento, o Canadá vai realizar o Mundial Sub 20 e terá times na MLS.

São sinais e sintomas de algo que poderá crescer bastante, como todos esperam, e eu, particularmente, acredito nisso. Já explanei os motivos em posts anteriores, alguns estão repetidos aqui, mas não custa lembrar dois:

- A população hispânica nos Estados Unidos cresce aceleradamente e aumenta sua participação na renda nacional, tornando-se cada vez mais forte economicamente, com os inevitáveis reflexos que advêm disso.

- O tamanho do mercado americano é tão grande que uma iniciativa de sucesso não precisa da totalidade do mercado, algo simplesmente impensável; uma simples parcela desse universo já é o bastante para transformar uma iniciativa em sucesso; a diferença de tamanho entre os mercados americano e os mercados inglês, alemão, espanhol, italiano e francês é uma barbaridade, qualquer comparação é covardia.

Pois é, o soccer chegou para ficar.

E um dia ainda será chamado de football.

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sábado, janeiro 13, 2007

Beckham e soccer... Um pouco mais

Comentários muito interessantes, tanto que preferi um novo post para, não digo responde-los, mas dar continuidade à conversa.

Até agora, pelo visto, Vitor, só eu gosto do jogador de futebol David Beckham.

Hehehehehehe

Ele, de fato, jogou muito no Manchester, e bate na bola como poucos. Mas, sem dúvida, seu carisma e imagem valem muito mais que sua técnica.

Nesse tempo em que vivemos eu não acredito que alguma coisa vá pra frente sem um forte apoio da mídia. Bom, isso é, de certa forma, uma obviedade. Mas a mídia precisa ser motivada, precisa ser “mexida e agitada” para adotar uma causa, um negócio, uma moda, uma onda. Creio que a contratação de DB visa esse objetivo.

Não adianta mexer e agitar se não tiver os elementos para serem agitados.

Ao fazer um bolo, fica fácil ver na batedeira o açúcar, o chocolate, a farinha, os ovos, a manteiga... Aí, basta ligar, ou manter ligada, e acrescentar as gotas de baunilha.

Quando pensamos numa sociedade grande, complexa, multicultural (oba! – consegui usar o termo da moda... estou realizado... hehehehehe) como é a americana (muito mais que a brasileira, apesar de muitos de nós acharmos o contrário), a receita e seus ingredientes ficam menos fáceis de serem vistos. Alguns deles, acredito, têm que ser “vistos” pelo feeling do empresário, do empreendedor, do agitador cultural, do artista. Será que o povo do Galaxy e da MLS está com o feeling apurado? Um investimento desse porte não é feito sem o apoio de levantamentos e pesquisas, sem um él ar pi (Long Range Plan) debatido exaustivamente, etc. Afinal, comprometer um quarto de bilhão de dólares é coisa pra burro, até mesmo na California.

Há anos e anos não vou pros Estados Unidos. Da última vez o presidente ainda era o Bill, embora más e desinformadas línguas atribuíssem a presidência a Mrs. Clinton (hoje está provado que não, o Bill era o Bill, mesmo). Tudo que penso da America é terceirizado ou intermediado por mídias diversas. Não é nada, não é nada, não é nada mesmo, ou seja, o meu feeling pode ser mais furado que a peneira velha do sítio que o Ismael ainda não jogou fora por estar com excesso de furos. Ou não, talvez meu sentimento de que agora a coisa vai pode ser correto.

Os números referentes aos povos hispânicos que vivem nos Estados Unidos impressionam. Tanto quanto os números do futebol feminino. Em filmes e séries de tevê já é normal e corriqueiro ver pais e mães acompanhando seus filhos e filhas aos jogos de soccer. Por sinal, num dos últimos E.R., série que tem Chicago como lar, o filho de um dos médicos criado por um casal moderno de duas mães joga futebol, digo, soccer. Os roteiristas americanos não inserem cenas em séries líderes de audiência (e faturamento) à toa. Se colocam o moleque jogando futebol é porque isso faz parte da realidade que os caras vivem. É um exemplo simplório, bem sei, mas é um entre muitos, como o que já citei no post anterior sobre o número de meninas e mulheres federadas.

Acho que se os caras conseguirem atrair, conseguirem fundir, o gosto e a familiaridade conseguidas pelo futebol feminino, com a presença de grandes massas de migrantes que têm no futebol um de seus símbolos e gostos culturais, a base estará pronta, mexida, agitada, fervilhante.

Só Beckham?

Pois é, só ele?

Acho que não. A tendência é a contratação de mais jogadores de nome, que sejam garantias de presença nas mídias e rostos conhecidos de parte do público, pelo menos. Nesse sentido, concordo que essa poderia ser uma oportunidade de ouro para jogadores como Ronaldo, que começam a enfrentar dificuldades no disputado mercado europeu. E esses jogadores não vão contracenar ao lado de jovens americanos apenas, o que, imagino eu daqui, inevitavelmente abrirá o mercado americano para atletas medianos, bons de bola e baratos pelos padrões da MLS.

Bom, coloquei o carro um pouco à frente dos bois, mas é isso, Henrique, acho que você vai assistir a futebol de boa qualidade não demora muito. Como bem disse o Mundy, os caras transformam tudo em show e nesse ponto eles são bons, seus shows, geralmente, são muito bons. E o sucesso nos Estados Unidos não será medido pelos mesmos números percentuais de amor ao futebol que vemos no Brasil ou na Espanha, Itália e Inglaterra, por exemplo, países que, se comparados aos States, são quase tão pobres quanto essa república tupiniquim, ou com populações que são menores que um quinto da população americana. Esse é um ponto forte, João Luiz, uma liga para o gosto de 30% dos americanos já será a mesma coisa, em termos de mercado, que uma fusão Espanha/Inglaterra. Os grandes ganhos de escala nos Estados Unidos são obtidos com números percentuais baixos em relação ao total da população.

Bom, é isso, por enquanto. Valeu, pessoal, bom fim de semana.


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Beckham na terra do soccer


Meu gosto pelo ridículo nunca foi grande. Hoje, depois de meio século vivido, posso dizer que é quase nulo. O quase fica por conta dos atos e situações ridículas que eu mesmo perpetro, de vez em sempre, e também por aqueles perpetrados por parentes e amigos, a quem tudo se perdoa e quase tudo se aceita.

Esse parágrafo azedo foi para destacar o péssimo programa “Futebol em debate” ou “Esporte em debate”, na Rádio Jovem Pan. Que já primou pela qualidade e hoje prima pela boçalidade. Os participantes se atropelam, um fala por cima do outro que fala por cima do um que fala por cima daqueloutro e assim vai, numa zona irritante e infernal. Ontem, em viagem para o sítio, tentei ouvir o programa. Impossível. Desliguei o rádio. Foi a terceira ou quarta vez que tentei ouvir esse programinha imbecil e imbecilizante. E pela terceira ou quarta vez não consegui. O que mais me deixa impressionado é que o Tostão participa dessa coisa. Não como os outros, claro, mas participa. Isso, naturalmente, quando dão a ele algum espaço. E quando surge esse espaço, acreditem, lá vêm os boçais falando por cima, atropelando.

Um desses caras, o chefe do bando e que já foi, na minha opinião, bom jornalista e comentarista (favor atentar ao tempo verbal), o Sr. Flávio Prado, passou os poucos minutos que ouvi do programa bradando contra a contratação do Beckham, contra o futebol americano, contra os americanos, contra os Estados Unidos. Um completo absurdo.

Claro que é fácil mais do que nunca foi, falar mal dos Estados Unidos. Eu faço isso com freqüência. Não engulo George Walker e seu séqüito fundamentalista e medieval. Sinceramente, não estou disposto a gastar o pouco dinheirinho que tenho numa viagem para ser humilhado e constrangido em aeroportos. E, ainda por cima, ficar com medo das otoridades policiais e fiscais. Em matéria de respeito aos direitos de cidadãos estrangeiros, a “pátria da liberdade e das oportunidades” está pior que a maioria das republiquetas bananeiras.

Bom, isso posto, vamos ao que importa:


Beckham no Los Angeles Galaxy.


A primeira coisa que salta à vista é que foi um grande, um grandioso negócio. Possivelmente para todas as partes envolvidas – mas, não custa lembrar que a Liga ainda não aprovou a transação.

Pelé deu o chute inicial nas grandes tentativas de popularizar o nobre esporte bretão que consagrou Odvan. Foi uma curta época de ouro, em que o Cosmos e suas estrelas brilhavam intensamente. Embora tenha deixado frutos, aquele, possivelmente, não foi o melhor momento para ação de tal magnitude. Agora, todavia, é outra a América. O espanhol corre aceleradamente para se tornar a segunda língua oficial do país. Não riam, essa questão vem sendo debatida com seriedade nas universidades (lá, diferentes das de cá), no Capitólio e na Casa Branca. A questão, hoje, não é se, e sim quando, pois é um fato irreversível. A diversidade étnica e cultural que permeia os trezentos milhões de habitantes é gigantesca e é, com certeza, um imenso campo cheio de oportunidades fantásticas para quem tiver visão, recursos e decisão de investir.

Diante desse quadro, imaginar que o soccer cresça também no mundo masculino não é utopia ou delírio.

David Beckham agrega muitos valores extra-campo ao seu bom futebol. É um ícone dos tempos “pós-modernos”. É um sujeito boa pinta, que encanta as mulheres, notadamente as mais jovens. Tem um comportamento condizente com sua fama e nada mais exemplar para torna-lo um ícone do que a associação imediata e automática de seu nome à palavra-conceito “metrossexual”. Na terra de Tio Sam, o soccer é esporte de grande difusão e a Federação americana tem mais de 20 milhões de jogadores federados. Perdão, jogadoras federadas. Um número impressionante, não? Impensável. Pois bem, com Beckham no campeonato da MLS – Major League Soccer – a audiência das tvs vai crescer e muito graças ao público feminino. A médio e longo prazo, o masculino acompanhará.

Beckham e sua mulher Vitória, ela mesma um outro ícone, tem grande penetração, também, entre o jovem público masculino. Ele é um modelo bem ao gosto dos valores americanos (bom, dos novos valores, pelo menos): é um cara bem-sucedido na profissão, com as mulheres, tem muito dinheiro e está a caminho de se tornar um astro midiático. E tem a Spice Vitória ao lado, fator que não pode ser diminuído ou tratado com desdém.

Mais dia, menos dia – e acho que estamo mais pra menos do que pra mais – o futebol desencanta de vez nos Estados Unidos. Dias atrás comentei que há vários estádios projetados ou já em construção para o futebol, exclusivamente. E o espaço desse esporte cresce nas telinhas, pois novas emissoras estão se dedicando a ele, algumas só falando e mostrando futebol. Os sinais de crescimento estão aí, visíveis e claros. Mas muita gente não enxerga e, pior, diz que nada representam. Em mais dez, quem sabe quinze anos, o futebol terá nos States um de seus grandes players.

A meu ver, essa foi uma grande tacada, um verdadeiro home run dos caras. ops, sorry, um verdadeiro gol de placa dos caras.

Quem viver, verá.

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