Um Olhar Crônico Esportivo

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sábado, janeiro 13, 2007

Beckham na terra do soccer


Meu gosto pelo ridículo nunca foi grande. Hoje, depois de meio século vivido, posso dizer que é quase nulo. O quase fica por conta dos atos e situações ridículas que eu mesmo perpetro, de vez em sempre, e também por aqueles perpetrados por parentes e amigos, a quem tudo se perdoa e quase tudo se aceita.

Esse parágrafo azedo foi para destacar o péssimo programa “Futebol em debate” ou “Esporte em debate”, na Rádio Jovem Pan. Que já primou pela qualidade e hoje prima pela boçalidade. Os participantes se atropelam, um fala por cima do outro que fala por cima do um que fala por cima daqueloutro e assim vai, numa zona irritante e infernal. Ontem, em viagem para o sítio, tentei ouvir o programa. Impossível. Desliguei o rádio. Foi a terceira ou quarta vez que tentei ouvir esse programinha imbecil e imbecilizante. E pela terceira ou quarta vez não consegui. O que mais me deixa impressionado é que o Tostão participa dessa coisa. Não como os outros, claro, mas participa. Isso, naturalmente, quando dão a ele algum espaço. E quando surge esse espaço, acreditem, lá vêm os boçais falando por cima, atropelando.

Um desses caras, o chefe do bando e que já foi, na minha opinião, bom jornalista e comentarista (favor atentar ao tempo verbal), o Sr. Flávio Prado, passou os poucos minutos que ouvi do programa bradando contra a contratação do Beckham, contra o futebol americano, contra os americanos, contra os Estados Unidos. Um completo absurdo.

Claro que é fácil mais do que nunca foi, falar mal dos Estados Unidos. Eu faço isso com freqüência. Não engulo George Walker e seu séqüito fundamentalista e medieval. Sinceramente, não estou disposto a gastar o pouco dinheirinho que tenho numa viagem para ser humilhado e constrangido em aeroportos. E, ainda por cima, ficar com medo das otoridades policiais e fiscais. Em matéria de respeito aos direitos de cidadãos estrangeiros, a “pátria da liberdade e das oportunidades” está pior que a maioria das republiquetas bananeiras.

Bom, isso posto, vamos ao que importa:


Beckham no Los Angeles Galaxy.


A primeira coisa que salta à vista é que foi um grande, um grandioso negócio. Possivelmente para todas as partes envolvidas – mas, não custa lembrar que a Liga ainda não aprovou a transação.

Pelé deu o chute inicial nas grandes tentativas de popularizar o nobre esporte bretão que consagrou Odvan. Foi uma curta época de ouro, em que o Cosmos e suas estrelas brilhavam intensamente. Embora tenha deixado frutos, aquele, possivelmente, não foi o melhor momento para ação de tal magnitude. Agora, todavia, é outra a América. O espanhol corre aceleradamente para se tornar a segunda língua oficial do país. Não riam, essa questão vem sendo debatida com seriedade nas universidades (lá, diferentes das de cá), no Capitólio e na Casa Branca. A questão, hoje, não é se, e sim quando, pois é um fato irreversível. A diversidade étnica e cultural que permeia os trezentos milhões de habitantes é gigantesca e é, com certeza, um imenso campo cheio de oportunidades fantásticas para quem tiver visão, recursos e decisão de investir.

Diante desse quadro, imaginar que o soccer cresça também no mundo masculino não é utopia ou delírio.

David Beckham agrega muitos valores extra-campo ao seu bom futebol. É um ícone dos tempos “pós-modernos”. É um sujeito boa pinta, que encanta as mulheres, notadamente as mais jovens. Tem um comportamento condizente com sua fama e nada mais exemplar para torna-lo um ícone do que a associação imediata e automática de seu nome à palavra-conceito “metrossexual”. Na terra de Tio Sam, o soccer é esporte de grande difusão e a Federação americana tem mais de 20 milhões de jogadores federados. Perdão, jogadoras federadas. Um número impressionante, não? Impensável. Pois bem, com Beckham no campeonato da MLS – Major League Soccer – a audiência das tvs vai crescer e muito graças ao público feminino. A médio e longo prazo, o masculino acompanhará.

Beckham e sua mulher Vitória, ela mesma um outro ícone, tem grande penetração, também, entre o jovem público masculino. Ele é um modelo bem ao gosto dos valores americanos (bom, dos novos valores, pelo menos): é um cara bem-sucedido na profissão, com as mulheres, tem muito dinheiro e está a caminho de se tornar um astro midiático. E tem a Spice Vitória ao lado, fator que não pode ser diminuído ou tratado com desdém.

Mais dia, menos dia – e acho que estamo mais pra menos do que pra mais – o futebol desencanta de vez nos Estados Unidos. Dias atrás comentei que há vários estádios projetados ou já em construção para o futebol, exclusivamente. E o espaço desse esporte cresce nas telinhas, pois novas emissoras estão se dedicando a ele, algumas só falando e mostrando futebol. Os sinais de crescimento estão aí, visíveis e claros. Mas muita gente não enxerga e, pior, diz que nada representam. Em mais dez, quem sabe quinze anos, o futebol terá nos States um de seus grandes players.

A meu ver, essa foi uma grande tacada, um verdadeiro home run dos caras. ops, sorry, um verdadeiro gol de placa dos caras.

Quem viver, verá.

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5 Comments:

  • At 10:17 AM, Anonymous Vitor Machado said…

    Emerson, realmente Beckham é um fenômeno de mídia. Li que o clube ganhou mil novos sócios em apenas 4 horas. Isso é impressionante. Beckham é sempre um ótimo negócio, não importa seu futebol. Aliás nunca fui fã dele. No Man Utd era muito bom, mas nunca mais foi o mesmo. Restou apenas a facilidade de bater na bola como poucos. O gol de placa então é para os negócios, como você mostrou. Abraço Emerson.

     
  • At 10:34 AM, Anonymous Anônimo said…

    Bem Beckham como ótimo profissional da atual era do Marketing esportivo, possui extremo tino comercial,ele para mimé um bom jogador , as nada além disso, mas é acima de tudo e não se pode negar isso sabe muito bem explorar seu potencial como homem de negócios, e vou te dizer uma coisa se Ronaldinho possuir 10% do Tino comercial dele, poderia ir para este Time também,pois é um mono mercado que se abre e Todos sabemos que os Americanos possuem grande capacidade de Tusdo transformar em Show , seria uma ótima oportunidade para David Beckham , e ronaldinho poderia poderia aproveitar também.


    Mundy

     
  • At 10:57 AM, Anonymous Anônimo said…

    Emerson, assistir um programa em que participa o Sr. Flavio Prado é totrtura ao extremo. O cara junto com o pretenso jornalista Ming é o que há de boçalidade na imprensa esportiva. Quanto ao Beckham está conseguindo prolongar a usa carreira artistica nos campos de futebol, e criando ainda uma aura de superstar numa terra ainda virgem. Acredito que enquanto ele jogar conseguira atrair uma certa atenção, após quem sabe. Talvez após a população branca americana ser suplantada pela hispanica o futebol tome o mesmo rumo nos EUA. Acho que ainda demora para que a nossa paixão vire um verdadeiro sucesso na terra do Tio Sam.

    João Luiz

     
  • At 6:37 PM, Anonymous Henrique Oswald said…

    Caro Emerson

    Ja moro nos Estados Unidos ha dez anos, e tenho certeza, ou pelo menos espero, que as suas previsoes se concretizem. O futebol aqui esta numa posicao germinatoria, em materia de esporte de massa. A vinda de Beckam com certeza vai ajudar, (a midia local esta acompanhando o caso de perto) mas nao sei o quanto. O que talvez possa ajudar o futebol e o fato de os outros tres esportes de massa nao estao vivendo os seus melhores momentos. A NBA nao tem o mesmo brilho, o futebol americano e por muitos considerado um esporte de bossais e "red-necks", e o Baseball esta com serios problemas de imagem e apelo a nova geracao. Nesse cruzamento de fatos, o futebol, levando em consideracao o imenso numero de imigrantes cujo esporte principal e o esporte bretao, tem grandes chances de deslanchar. Desde que transforme o esporte em negocio. De altas cifras, diga-se de passagem.
    Saudacoes

    Henrique Oswald

     
  • At 11:09 PM, Anonymous Ledio Carmona said…

    Emerson, meu amigo. Acho que a ida de Beckham para Los Angeles é mais uma (boa) tentativa de consolidar uma liga profissional no soccer. E o Beckham tem estofo, mídia e imagem para fazer esse papel. Talvez até mais do que os nossos Ronaldos. Tudo bem: o Gaúcho chegaria perto, mas, para a cultura americana, Beckham é mais interessante. Eu torço para que dê certo. Como vc, nao curto os States. Nao faço a menor questao de ir lá. Mas reconheço que é um mercado necessário ao futebol. Tomara que vingue. E vida longa a Beckham, que, acreditem, é muito bom jogador.

    Abraçao.
    LC.

     

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