Um Olhar Crônico Esportivo

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segunda-feira, novembro 10, 2008

Player global: teremos algum?



O Rodrigo, leitor deste Olhar Crônico Esportivo na bonita e aprazível Porto Velho (saudades de comer surubim no Caravelas), em Rondônia, enviou-me um e-mail muito interessante, do qual transcrevo um trecho:

“O ponto que gostaria de discutir com você é o seguinte: não me conformo com a pobreza técnica dos times brasileiros gerada por administrações, quando não calamitosas, perdulárias, inconseqüentes dos clubes, apenas abaixo do medíocre, deixando de aproveitar todo o potencial econômico que poderiam ser gerados por nossas agremiações.

O ano passado, li na Folha de São Paulo, caderno Dinheiro, uma entrevista de um executivo europeu ligado ao futebol. Não lembro o nome, mas acredito que seja o Peter Kenyon, ex-Manchester United, atual Chelsea. Na entrevista ele diz que ao menos um clube brasileiro, se bem gerido, deveria ser um player global, ou seja, um clube que disputasse os melhores jogadores do mundo em pé de igualdade com os clubes europeus.

O que você acha disso? Você realmente acredita nesta assertiva?”

Vamos começar pela questão de termos ou não um
global player.
Há um ano, em palestra no Brasil, o vice-presidente econômico do Barça, Ferran Soriano, disse a esse respeito:

“
Grandes marcas globais

A direção do Barcelona, assim como as dos demais, estou certo, trabalha com a previsão que o mundo comporta de 5 a 7 grandes marcas globais, clubes que vão dominar de forma decisiva o cenário do futebol mundial. Ele não listou os nomes, mas as probabilidades apontam para Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Milan e Bayern Munich. Particularmente, não enxergo o Chelsea de Abramovich como parte desse clube ultra-seleto. Talvez a Juve, dificilmente Arsenal, Liverpool e Internazionale.
Infelizmente, e obviamente, ele não vê perspectiva para nenhum clube brasileiro ser sócio desse grupo. Aliás, em termos internacionais, ele destacou que o Boca Juniors, e também o River Plate, já são marcas globais. Não é difícil entender essa ausência, uma vez que nossos grandes clubes estão sempre disputando os torneios estaduais ao invés de excursionarem por Europa, Ásia e Norte América, a bordo de um calendário mundial, ponto que esse blog vem batendo frequentemente.”

(Esse trecho faz parte da quarta parte da cobertura da palestra de Ferran feita por este Olhar Crônico Esportivo e postada em 7 de dezembro de 2007.)

Há diferenças entre marca global e player global, mas para efeito prático coloco tudo junto.

Temos clubes que faturam mais que o Boca Juniors e muito mais que o River Plate, desconsiderando, naturalmente, as receitas com transferências de atletas. A economia paulista, tomada isoladamente, é pelo menos 1,5 vez maior que a economia argentina. Apesar disso, como destacou Ferran, Boca e River são marcas globais, mais próximas de se tornarem
global players que São Paulo, Flamengo e Corinthians, os clubes brasileiros de maiores receitas operacionais: TV, marketing, bilheteria, licensing. Outros clubes, como Internacional e Palmeiras, apresentam, em tese, melhores condições potenciais que um River, por exemplo.
O mesmo, provavelmente, com o Cruzeiro (cujas informações financeiras não foram obtidas, daí a ressalva).

O que, então, impede que o Brasil tenha um, dois, talvez até três
global players no mundo do futebol? Pelo menos três marcas globais?

A meu ver:

- Gestão dos clubes

- Gestão do calendário

- Maiores receitas


Dos três itens, o menos importante – sempre a meu ver – é justamente o terceiro.

O próprio Peter Kenyon (ou quem quer que tenha dado a entrevista que o Rodrigo cita) já menciona a questão-chave para termos um player global: “se bem gerido”.
Nossos clubes, de maneira geral, pecam por gestões atrasadas, perdulárias, corruptas (com certeza em muitos casos), absolutamente ineficientes.
Gestões que desprezam o torcedor e, por extensão, a renda que ele pode gerar para os clubes.
Gestões que de marketing conhecem apenas e tão somente o vocábulo.
Gestões que não buscam a união para cuidar de assuntos graves como a proteção ao licensing através do combate à pirataria.
A sorte dos clubes é que no quesito TV eles contam do outro lado com o profissionalismo da Globo, essa sim uma player global. Se melhorassem seus times e gestões, conseguiriam maiores audiências e mais dinheiro ainda da TV.
Gestão, a meu ver, é a palavra-chave que define o status do nosso futebol, e que não se encerra na gestão dos clubes, como abordo a seguir.

A gestão do calendário, em particular, e a gestão do futebol brasileiro como um todo, é atrasada. Nossos clubes têm que disputar torneios deficitários (exceto dois) que a nada levam e consomem, no caso paulista, 23 datas. Falo, é claro, dos estaduais.

A Confederação, que em tese deveria cuidar, proteger e fortalecer nosso futebol, que tem os clubes como base, preocupa-se, de forma quase exclusiva e obsessiva, com as seleções, as muitas seleções sub-alguma coisa e, sobretudo, a seleção principal, galinha fenomenal de ovos de ouro. Nosso futebol propriamente dito, esse pobre coitado que gerou os títulos mundiais, a fama e tudo o mais, fica jogado às moscas, fica entregue à sanha de dirigentes regionais que se perpetuam ad eternum no poder, eles próprios ou seus fechados grupos), e mexem seus pauzinhos de maneira a ter os grandes clubes como somente vacas leiteiras, cuja finalidade única é mantê-los abastecidos, gordos, luzidios, pelo brilhante, como gatos de estábulo que tanto leite gordo bebem que deixam os ratos tomarem conta das rações que deveriam alimentar as vacas que dão o leite que deixa-os gordos, felizes e preguiçosos.

Olhando para o que escrevi fiquei com vontade de cortar a torrente de adjetivos e imagens figuradas, mas, para que? Esse besteirol tem tudo a ver com essas pessoas que cuidam das federações e confederação, que jamais poderão ser chamadas de gestores. Melhor preservar essa palavra para quem faz algo pelo menos parecido com gestão.



Um player global tem que se mostrar ao mundo, este é o primeiro ponto. Nossos clubes, entretanto, e já abordei isso em um post intitulado “Bairrismo, o mal dos nossos clubes”, em 7 de fevereiro desse ano, são players paroquiais.

Temos times de paróquias.

Enquanto um Boca disputa um torneio de verão na Holanda ou Alemanha, engalfinhamo-nos na disputa do nosso Brasileiro. Porque as datas que deveriam ser utilizadas para enfrentar Real Madrid, Barcelona, Manchester e outros de igual porte e nome, em torneios na Europa, Ásia ou América do Norte, são usadas em vibrantes confrontos contra o XV de Campo Bom, o São Bento de Sorocaba, o Friburguense, o Ituiutaba...

Clubes de valor que, como os demais, merecem todo o respeito, mas que não podem ser privilegiados com a existência de campeonatos estaduais anacrônicos e, na quase totalidade, deficitários.

Então, Rodrigo, voltando às tuas perguntas, eu acredito que poderíamos ter, sim, um, dois, três
global players, desde que tivéssemos um futebol gerido com um mínimo de inteligência e preocupação com os clubes.
Desde que tivéssemos um calendário modificado e adaptado ao calendário europeu, que está se tornando um calendário mundial.
Desde que, acima de tudo, tivéssemos nos clubes boas administrações. A partir da introdução dos pontos corridos, em meio ao mar de lamentações que o sistema provocou, já começamos a perceber que há mudanças para melhor na administração dos clubes, inclusive entre os que vivem tomados pelos fantasmas de dívidas monstruosas. Isso é animador.


O Crash de 2008 veio complicar um bocado, ou melhor, irá complicar um bocado o fortalecimento dos clubes no aspecto financeiro. Tudo indica que teremos dois ou três anos de recessão, acompanhando o que irá ocorrer com a economia dos Estados Unidos e da Europa. Os fatores Obama e China poderão influir positivamente, mas não sabemos como e em que medida.
Fazer prognósticos hoje é tarefa mais difícil que o normal.


Há comentários que 2010 será o ano da mudança.

Aproveitando a realização da Copa do Mundo, a CBF mudaria o calendário do nosso futebol, adequando-o ao europeu. Isso por si só não bastará.
Será muito útil no sentido de termos o mesmo time disputando o BR praticamente do começo ao fim, o que hoje não ocorre devido à janela de verão (europeu), mas não será o bastante, a menos que se mexa nas datas destinadas aos torneios estaduais.
São eles que mantêm nossos clubes presos em suas paróquias, repetindo o que já expus.

‘Trocentas’ linhas depois, sequer falei do aspecto técnico e pouca importância dei à questão das receitas. Nesse último caso porque não considero nossas atuais receitas, em fase de crescimento, como o fator limitante. E no aspecto técnico eu não compartilho a opinião que temos um campeonato de baixo nível técnico, que só contamos com jogadores de 3º escalão, etc e tal. Apesar do êxodo anual, temos, sim, bons jogadores e bons times, que seriam ainda melhores e mais estáveis com boas gestões nos clubes.

O Peter Kenyon fala em ser um player globar e “disputar os melhores jogadores do mundo em pé de igualdade com os clubes europeus”. Tão cedo não disputaremos os melhores do mundo, e nem chega a ser o caso. Simplesmente não teríamos como pagar jogadores nessa faixa, em primeiro lugar. Em segundo, podemos, sim, ter clubes em posição de destaque no futebol mundial sem que, necessariamente, tenhamos o dinheiro suficiente para tirar Kaká do Milan ou Cristiano Ronaldo do Manchester.

É o que eu penso. Por favor, fique à vontade para contestar, você e os demais, claro.


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sábado, maio 10, 2008

BR 2008, a largada



Enfim, mais um BR, alvíssaras!

Mas não dá para ficar muito ligado a ele, pois o foco ainda é a Libertadores, para São Paulo, Fluminense e Santos, pelo menos nas duas próximas quartas e quintas-feiras.

De qualquer forma, hoje é 10 de maio e até o dia 1º de julho teremos 8 – oito – rodadas, ou 20% da competição concluída. Portanto, quaisquer previsões feitas hoje valem, a rigor, para oito rodadas.

Depois, até o dia 1º de setembro, teremos mais 15 rodadas com a Janela de Verão aberta; teremos 38% do campeonato disputado, digamos, sub judice.

Finalmente, em 6 de setembro a 24ª rodada marca o início do que seria a reta final, mas poderá ser um período de reorganização de alguns times.

Na última janela de contratações européia, também aproveitada por japoneses e coreanos, dos grandes concorrentes a títulos somente o São Paulo foi de fato prejudicado, com as saídas de Breno, Souza e Leandro, jogadores que, em condições normais, não seriam negociados, não entrariam em nenhum esquema de reformulação de elenco. Foram perdas reais. O impacto para o time é sentido fortemente até hoje.

A perspectiva para essa janela de verão é tétrica, novamente, para o Tricolor.

Hernanes, Alex Silva, Richarlyson e Miranda são as bolas da vez.

Adriano volta para a Inter e Fábio Santos, provavelmente, para o Lyon.

Com os quatro primeiros jogadores, qualquer saída significará a entrada de muitos euros. Isso, porém, não significará muita coisa, pois os quatro são jogadores de baixo ou médio custo salarial para o clube e substituí-los à altura, de imediato, implicaria em despesas elevadas não só de transferência, mas, principalmente, de salários.

Portanto, não é muito provável que saiam os quatro, mas é possível, quase provável, que saiam dois.

No início dessa semana um dirigente são-paulino disse-me o que já se imagina e circula por aí afora: o São Paulo está negociando e vai trazer jogadores de fora. Nada, porém, e muito naturalmente, foi falado sobre nomes.

No Palmeiras são fortes os rumores que Valdívia e mais dois, talvez três jogadores, deixem o Palestra e batam asas para além-mar. Medida que seria muito bem-vinda pelo pessoal da área financeira, que vive fazendo malabarismos para pagar as contas e salários. Sintomática nesse sentido, sem dúvida, foi a contratação de reforços já nesse momento, embora nenhum de peso, para ser titular.nessa .

szaçao o a reta final, mas podergamos, sub judice.tT em duas contas distintas, poreos de Imagem e Arena e Benefparapara

No Santos a situação, aparentemente, é mais tranqüila, até porque o time foi muito reformulado na virada e começo do ano. Essas possibilidades de saídas e de permanências no caso santista, podem fazer do time um dos mais fortes candidatos ao título do Brasileiro 2008.

Infelizmente, se não acompanhei com grande atenção o que acontece ou se comenta no Rio de Janeiro, Minas Gerais e Rio Grande do Sul, mesmo assim já ouvi o bastante para saber que é provável que haja mudanças no Fluminense, tanto de saídas como de chegadas, o que nem sempre é fácil de avaliar pela peculiaridade do patrocínio principal do clube.

O Flamengo, é quase certo, terá que negociar jogadores. Olhando de fora, isso teria de ser feito para reduzir o valor da folha, muito elevado, e também para fazer caixa e poder atravessar os próximos meses. Matéria publicada em jornal carioca nessa semana, no day after da eliminação da Libertadores, passou uma situação extremamente complicada que seria vivida pelo clube.

As informações que descem das Alterosas dão conta que o Cruzeiro também passa por dificuldades financeiras, indicando a necessidade de negociar atletas, prática, por sinal, corriqueira na Raposa, assim como no São Paulo.

O Internacional fechou um excelente balanço, turbinado pela saída de Alexandre Pato e possivelmente atravessará esse período sem grandes mexidas. Isso acontecendo, passaria a ser o grande favorito ao título brasileiro ao lado do Santos.

Somatória de incógnitas, portanto.

São Paulo e Palmeiras, perdendo atletas importantes, conseguirão remontar bons times a tempo de disputar o título?

Como estará a dupla Fla-Flu em 6 de setembro?

Sinceramente, não dá para ter a menor idéia.

E esses sete times, leitoras e leitores desse Olhar Crônico Esportivo, são meus candidatos ao titulo do Brasileiro de 2008.

São, também, desde já, os campeões das incógnitas.

Vejo o Botafogo nesse ano mais fraco que em 2007, e o Vasco, aparentemente, um pouco mais fraco, também. Uma eventual melhora vai depender de como se comportará Edmundo quando o campeonato esquentar e a condição física começar a fazer diferença real.

O Grêmio também vem mais fraco, bem mais, por sinal, que em 2007, assim como o Goiás e, parece-me, o Figueirense, que dificilmente repetirá os bons jogos que vi em 2007. Bom, no caso do Figueira,porém, admito desde já que posso estar redondamente enganado. Lamentavelmente, não vi um só jogo do clube nesse ano, exceto trechos curtos. Como já fui surpreendido no passado, nada impede que o seja novamente. Além disso, o clube tem uma estrutura muito boa e uma administração moderna e interessante. Pode fazer a diferença.

Do Paraná, o Coritiba talvez surpreenda, pois o Atlético derrapou demais, depois de um aparente ótimo começo de temporada. Isso, porém, assim como sobre o Coxa, é mais chute, mais achômetro que previsão pensada.

O outro Atlético, o das Alterosas, aparenta estar em nível inferior ao do ano passado. Dois de seus principais jogadores e reforços, dificilmente suportarão o ritmo do Campeonato Brasileiro.

O Sport Club do Recife...

Incógnita das grandes. O time atual é bom, sem dúvida, e muito competitivo, podendo fazer um papel de ponta nesse campeonato. Na verdade, imagino o Sport como a oitava força nesse ano, considerando que os clubes que listei como candidatos ao título são as sete maiores forças. Muito da diferença do Leão poderá e deverá ser feita nos jogos na Ilha do Retiro. Estou muito curioso para ver o que fará o Sport esse ano.

Náutico, Portuguesa, Vitória e Ipatinga não deverão fazer grandes campanhas, na minha opinião de hoje, algumas horas antes do apito inicial do primeiro jogo.

Boa sorte a todos.




Post scriptum


Por essas, principalmente, e por outras, esse Olhar Crônico Esportivo é totalmente a favor da mudança do calendário brasileiro, adequando-o ao que se pode chamar de Calendário Mundial.


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