Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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segunda-feira, novembro 24, 2008

Rolando pelo mundo – Edición Sudamericana...



... e final de BR



Brasileiro na final da SA


Depois de amanhã, finalmente, um time brasileiro começa a disputar a final da Copa Nissan Sudamericana.

Demorou, mas o futebol brasileiro chegou lá, através do Sport Club Internacional, de Porto Alegre.

Muitos dirão que o Inter lá chegou porque nada mais tinha a fazer no Brasileiro, sem possibilidade de conquistar uma das vagas para a Copa Santander Libertadores de 2009. Em parte é verdadeiro, não resta dúvida, assim como não deixa
de ser verdadeiro, também, que o clube passou a priorizar sua participação na Sul Americana como forma de premiar sua torcida e a si próprio com uma grande conquista em 2008, à altura do time que foi formado no Beira-Rio. É voz corrente entre jornalistas especializados, boleiros de todos os tipos e matizes e até mesmo entre torcedores adversários, que o Colorado tem hoje o melhor grupo de jogadores do futebol brasileiro.

Destaque para D’Alessandro...
Destaque para Nilmar...
Destaque para Alex, que está comendo a bola...
Destaque para Guiñazu...


Muito dinheiro foi investido na montagem desse plantel e na sua manutenção. Na recente janela de verão, Nilmar e Alex tinham propostas para deixar o Brasil, assim como Guiñazu, e todos ficaram, alguns a um custo realmente alto, como Nilmar.
Diante dessa combinação de fatores, o Inter,
taticamente, optou por centrar esforços na Sul Americana, dentro de uma visão estratégica de fortalecer sua marca na America Latina e, por extensão, no resto do mundo.

O adversário será um time tinhoso, perigoso, como todo time argentino, e ainda por cima bom de bola: é o Estudiantes de La Plata, comandado pelo excelente Verón.

Não será fácil, mas o Internacional tem plenas condições de conquistar a Copa.
Mesmo na eventualidade que isso não aconteça, disputar essa final deverá mexer com os participantes brasileiros da Sul Americana em 2009.





Peru fora... por enquanto


A CONMEBOL, seguindo decisão tomada pela FIFA, decidiu suspender temporariamente o futebol peruano, sua seleção inclusive, de todas as competições internacionais.

Amanhã, em Assunção, serão sorteados os grupos da
50ª edição da Copa Santander Libertadores e a entidade máxima do futebol sul-americano decidiu que as 3 vagas a que o Peru tem direito permanecerão suspensas, mas entrarão no sorteio normalmente.
Espera-se uma definição desse imbróglio até meados de dezembro.

Essa medida da FIFA foi tomada em função da ingerência do governo peruano na Federación Peruana de Fútbol. Resta saber se o governo peruano manterá sua decisão e dessa forma tirará o país e seus clubes de todos os torneios internacionais, ou se cederá à FIFA. As duas posições parecem impossíveis, inaceitáveis, então, o jeito é torcer por uma solução de consenso, que salve a honra do governo que não quer ceder a uma entidade esportiva, e que não desautorize a FIFA, ciosa ao extremo no sentido de evitar que governos determinem os rumos do futebol em seus associados.

O que está mexendo com a cabeça de duas torcidas brasileiras, em especial, não é a solução que será encontrada, se é que alguma será. Pelo contrário.

Nesse momento, torcedores do Internacional, que disputa a final da Copa Nissan Sudamericana, e do Fluminense, vice-campeão da Copa Santander Libertadores 2008, estão torcendo pela permanência do impasse, o que obrigará a CONMEBOL a chamar três outros clubes para ocupar as vagas dos peruanos.

Os colorados apostam na lógica e na importância de dar ao campeão da Sudamericana uma das vagas, desejo que, por sinal, parece casar com a vontade da Confederação em valorizar essa Copa e dar ao seu campeão uma vaga na Libertadores.
Os tricolores cariocas apostam na lógica de estender o convite de participação ao atual vice-campeão da competição.

Uma coisa, porém, parece certa para este blogueiro: caso o Internacional seja o campeão, a CONMEBOL de forma alguma irá dar duas das três vagas para times brasileiros. Então, na minha visão, se o Estudiantes vencer, fica com uma das vagas e o Fluminense com a outra, restando a terceira como uma incógnita, que poderia ser resolvida com um convite a um time da MLS, a liga norte-americana.

Por outro lado, se for o Inter o campeão e ficar com a vaga, o Fluminense ficará a ver navios. Nessa hipótese, sigo com a possibilidade de uma vaga para a MLS e não tenho a mínima idéia com relação à terceira.


Enquanto os bastidores fervem em Assunção, resta aos torcedores praticar o velho exercício da paciência.




Em construção


Este Olhar Crônico Esportivo não poderia deixar de mostrar essa pequena obra-prima de bom humor e gozação com os adversários do
São Paulo:



“Em construção” é uma expressão que traduz bem o momento: apesar do sentimento da torcida e das opiniões manifestadas pela maioria dos jornalistas, torcedores de outros times e até mesmo técnicos como Luxemburgo e Renê Simões, o Campeonato Brasileiro ainda está aberto.

Restam 6 pontos em jogo e a vantagem do São Paulo sobre o Grêmio é de 5 pontos.

O campeão pode sair nesse domingo, no Morumbi, mas também poderá sair no outro domingo, em outro estádio, quem sabe o Olímpico.

Ou, quem sabe, o Maracanã. O diretor de futebol do São Paulo, João Paulo de Jesus Lopes, apresentou uma idéia para o Goiás estudar: levar o jogo final para o estádio do Maracanã, uma vez que o Serra Dourada está vetado.

Confesso que essa idéia é apaixonante, sobretudo se o título estiver em disputa.


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domingo, agosto 03, 2008

Um olhar estrangeiro...


... sobre o Fluminense.

Na reta final da Libertadores 2008, lembro-me de ter comentado no Jogo Aberto que a opção total pela Copa LA feita pelo Fluminense era perigosa demais. Ainda antes, logo nos primeiros jogos, fiz o mesmo comentário, mas os torcedores do Tricolor carioca no blog do Lédio rebateram esse e outros comentários na mesma linha dizendo ser a coisa certa a fazer. Como muitas respostas eram extremamente agressivas, optei por não comentar mais a respeito, até porque o São Paulo acabou eliminado pelo Fluminense e muitos viam comentários do tipo como manifestações de despeito, dor-de-cotovelo, inveja e assemelhadas.

Talvez... Meus comentários, entretanto, foram inspirados pelas campanhas recentes do próprio São Paulo na Copa e, em particular, a de 2005.

A disputa da LA exige demais dos clubes e dos elencos. Tenho sempre presente na memória uma declaração do Muricy, dizendo que só quem está nos vestiários do São Paulo depois de cada jogo pela Libertadores consegue ver o estado físico em que os jogadores terminam a partida. Segundo ele, todo jogo da Libertadores é extremamente desgastante tanto no aspecto físico como no emocional.

Em 2005, terminado o jogo contra o CAP no Morumbi, título conquistado, fiquei vazio. Emocionalmente vazio, futebolisticamente vazio. Isso impressionou-me bastante, tanto que escrevi a respeito na época. A partir desse meu estado, que observei em outros torcedores são-paulinos, reforcei a crença que eu já tinha antes do jogo final: os titulares deveriam ser afastados do Brasileiro por pelo menos 15 dias. Mais que isso: deveriam ficar no mínimo dez dias afastados do futebol, em férias, período que talvez, e só talvez, fosse suficiente para recolocar a todos de volta na vida real, ou seja, jogos e mais jogos pelo Campeonato Brasileiro.

Eu acreditava que os jogadores também estavam esvaziados emocionalmente, sem condições, sem capacidade de concentração para a dura disputa do BR. De fato, o time jogou muito mal algumas partidas, freqüentou a última faixa da tabela por algumas rodadas e dali saiu a duras penas e a um custo emocional, novamente, bastante elevado. A salvação da lavoura foi a boa arrancada no início do campeonato, ao mesmo tempo que ainda disputava as primeiras fases da Libertadores. Sem ter sido brilhante, foi boa o bastante para dar ao time alguns pontos preciosos que tornaram menos difícil a saída da aterradora última faixa da tabela de classificação.

Ao criticar o empenho total do Flu na Libertadores, e ao ver o time derrapando com um ponto, dois pontos, na última posição da tabela, tinha em mente a situação vivida pelo Tricolor paulista apenas três temporadas antes.

Tinha em mente, também, a campanha do Palmeiras em 2002, quando o time dirigido por Roth despencou de uma cômoda posição para a zona do rebaixamento e de lá não mais saiu. O time era bom, nada espetacular, mas bom o bastante para que fosse aceito com naturalidade entre os 5 ou 8 primeiros colocados. As campanhas de times que sofreram o rebaixamento, como essa do Palmeiras e a do Corinthians, por exemplo, mostram os jogos na parte de baixa são mais difíceis, os erros são mais freqüentes, a falta de sorte vira uma rotina, ao contrário do que acontece com os líderes, para quem, às vezes, tudo parece dar certo. Tudo isso, evidentemente, é bastante subjetivo, mas o futebol é subjetivo. Nada mais idiota que o objetividade, e um famoso tricolor carioca de outros tempos escreveu magnificamente a respeito.

A perda do título para a LDU era uma possibilidade que jamais poderia ser ignorada por quem decide e comanda os destinos do clube. A história é pródiga em exemplos para que alguém deixe de pesar, criteriosamente, todos os contras de uma situação. Tudo bem que os torcedores pensem dessa forma, mas os profissionais em nenhuma hipótese podem dar-se a esse luxo. Esse foi, a meu ver, o maior pecado da direção do Fluminense, e uma frase proferida por seu treinador expressa à perfeição essa linha de pensamento e de conduta: “Vamos brincar no Brasileiro.”

Sou contrário ao uso de frases fora dos contextos em que foram formuladas, mas, nesse caso, essas já célebres palavras de Renato Gaúcho cobrem com bastante correção toda a situação, toda a linha de atuação tomada pelo clube. O time seria campeão, outra hipótese era impensável, e, uma vez Campeão Sul Americano, seria uma brincadeira de criança deixar as últimas posições da tabela e terminar com tranqüilidade o campeonato, usando-o mais para afinar a equipe para a disputa do Mundial, no Japão.

Diga-se, a bem da verdade, que a direção até tentou concentrar os jogadores no BR em certo momento, mas não conseguiu, o que levou o próprio time titular a ser derrotado em pelo menos um jogo do Brasileiro. Depois disso, vendo que o foco estava distante, foi mantida a opção de usar jogadores da reserva e dos times de base, preservando os titulares para a disputa mais importante. Naquela altura, não havia mais nada a fazer, os dados estavam lançados.

O intervalo entre a eliminação do Boca e o jogo em Quito foi outra fatalidade para a equipe. Não custa lembrar que esse intervalo já era conhecido desde antes do início da disputa, portanto não cabem críticas à sua existência. Num comentário da época, chamei-o de “férias”, tal como agora usando as aspas. Até fui contestado por um blogueiro, mas na verdade foi exatamente isso: um período de férias, em que os jogadores, depois de eliminarem de forma suada, brilhante, sofrida, disputada e outros adjetivos, os times “copeiros” e tidos como favoritos do São Paulo e do Boca, relaxaram, tanto física como, principalmente, mentalmente. O resultado foi a derrota em Quito, por um placar de respeito. O resto é história.

Ontem, ao chegar do sítio e ligar a TV, deparei com o jogo do Flu contra o Inter.

Jogo tinhoso, difícil, contra um time em ascensão, embora irregular. Meu palpite era por um empate, minha torcida era por uma vitória tricolor. Infelizmente, os colorados venceram e até com alguma facilidade, em especial no primeiro tempo. Nesse momento, ainda mais com os desfalques de dois jogadores negociados e dois convocados, começa a ficar ainda mais difícil encaixar três vitórias seguidas, capazes de dar um alento à equipe. Num campeonato por pontos corridos é muito raro um jogo deixar de valer alguma coisa. Nesse momento, os adversários mal colocados na tabela lutam com unhas e dentes para alcançarem uma posição cômoda. Os bem colocados precisam defender e melhorar suas posições, cada jogo é, em maior ou menor grau, uma verdadeira decisão.

Esse final de turno deixa dois jogos terríveis para o Fluminense: São Paulo em casa e Ipatinga fora. Na sequência, já no segundo turno, o Galo em casa e o Náutico em Recife. Por mais espantoso que possa parecer, creio que o jogo menos difícil para o time do Fluminense, por suas características, será contra o São Paulo, paradoxalmente o mais forte e melhor colocado desses adversários. O Ipatinga é osso duro, em especial na sua casa, e divide com o Fluminense as duas últimas posições da tabela. É o tal do jogo de “seis pontos”. O mesmo ocorrerá com o Galo, ferido, machucado, estremecido por derrotas terríveis, mas, que diabos, serão onze contra onze em campo. Depois, outra pedreira: o igualmente abalado Náutico, em pleno Aflitos, onde à inexistência de algo parecido com um gramado somar-se-á a luta desesperada dos donos da casa para escaparem, ou até saírem, da última faixa da tabela. Em tese, portanto, será justamente o São Paulo o único time que, provavelmente, deixará o Fluminense jogar e cujos jogadores não terão a lâmina cortante e fatal do rebaixamento em suas gargantas. Por outro lado, será o São Paulo, há poucas semanas eliminado da Libertadores por esse mesmo time, nesse mesmo estádio.

Ao fim e ao cabo, o que sobra desse longo texto?

A história de um erro.

Cometido pela direção e pela comissão técnica do clube.

Os seres humanos que se dedicaram e fizeram uma campanha magnífica na Libertadores sofrem, ainda, do vazio emocional criado pelo final da competição.

Vazio agravado ao extremo pela perda do título. Vazio que não foi previsto com seriedade e prevenido.

Não enxergo culpa nos jogadores. Sim, são eles que entram em campo e correm atrás da bola, mas suas ações são ditadas, orientadas, definidas em boa parte pelo que fazem direção e comissão técnica. O erro já aconteceu e, como sempre, a realidade está aí, presente e assustadora. Ontem, ao contrário das lotações estupendas e das festas maravilhosas, vimos um Maracanã com poucos torcedores, a maioria (ao menos aparentemente), cobrando, vaiando e xingando os heróis absolutos de há poucas semanas.

É difícil, bem sei, mas esse é o momento do torcedor do Fluminense apoiar de fato e com paixão, os jogadores e até mesmo seu treinador. Essa é, a meu ver, a única forma de preencher rapidamente o buraco criado pela derrota, o vazio emocional que mina as forças e a confiança de cada jogador. Se com apoio já será difícil, sem ele será muito mais, quase impossível, impedir que uma tragédia, tão absurda quanto injusta, aconteça.

Só lembrando que no futebol não há justiça ou injustiça, só resultados.


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quarta-feira, julho 02, 2008

Final de Libertadores





Hoje é uma daquelas noites especiais, que, felizmente, têm sido comuns nos últimos anos: a Copa Santander Libertadores chega ao seu final e um time brasileiro, ao menos, está envolvido. Assim tem sido desde 2005, quando o São Paulo recebeu o Atlético Paranaense para o jogo final. Em 2006, o Internacional recebeu o São Paulo e venceu. Buenos Aires e o Boca receberam o Grêmio em 2007 e fizeram a festa.

Hoje é uma noite inédita, pois o Maracanã receberá dois times que nunca venceram ‘La Copa’. De um lado, o anfitrião, Fluminense, e do outro, ‘La Liga’, a LDU de Quito.

‘La Liga’ entra em campo como campeã, pois traz consigo a vantagem confortável de poder perder por 1 gol e ainda conquistar o título. Se perder por 2 gols, o jogo vai para a prorrogação e, se assim permanecer, a decisão dar-se-á nos pênaltis.

O Fluminense entra em desvantagem, mas nada que possa assustar demasiadamente. Precisa vencer no tempo normal por pelo menos dois gols de diferença, levando o jogo para a prorrogação. Se vencer por três gols, será campeão.

Difícil?

Sim, muito difícil, mas não impossível e, como disse acima, não é assustador.

E paro por aqui.

Esse jogo é, acima de tudo, imprevisível. Se fosse o caso de apostar na velha ‘loteca’, seria palpite triplo obrigatório.

É, La Liga é frágil na defesa e o Flu é forte no ataque, mas, e daí?

Os fatores que entrarão em campo na noite de hoje e decidirão esse título, está além da qualidade técnica dos jogadores e da inteligência e astúcia de seus treinadores.

Falar sobre eles é tarefa para quem não mais está entre nós, caindo no chavão mais repetido desses últimos meses, desde que o Fluminense encorpou-se na competição: Nelson Rodrigues.

Ao contrário do que diz Galvão Bueno, o Fluminense hoje não é Brasil. É só o Fluminense, como tem sido há muito tempo nas disputas da Libertadores: o Brasil não torce de forma uníssona e unânime pelo time que tem as cores de sua confederação na disputa. Longe disso, até. Talvez não na noite de hoje, até por ser a primeira vez que o Flu disputa esse título, mas em outras noites, com outros times, a torcida contra chegou a ser maior que a torcida a favor. Nada vejo de errado nisso, pelo contrário. Acredito que futebol é o que é graças aos clubes e clube cada um tem o seu e torce, de verdade, somente por ele. Isso independe do torcedor ser do primeiro, segundo, terceiro, quarto ou quinto mundos. É assim que é.

Como diz Galvão Bueno, o Equador hoje é LDU. Do outro lado essa frase é verdadeira. Mais que nunca o futebol equatoriano torce por um só time nessa noite. A possível conquista da Liga Deportiva Universitaria de Quito será a consagração para um futebol que vem apresentando evolução segura, constante, nos últimos dez a quinze anos. Hoje, disputar um jogo pela classificatória para a Copa do Mundo em Quito, não importa se o oponente é Brasil ou Argentina, o favorito costuma ser a seleção equatoriana. Nas duas últimas partidas lá jogadas o Brasil foi derrotado. Não foi o Brasil que perdeu, como gostamos de falar, mas sim o Equador que venceu. Equador que fez belíssima Copa em 2006, cujo time contava com nada menos que sete jogadores de ‘La Liga’, que hoje à noite entrará em campo vestindo, de fato, as cores de seu país. Muito peso ou muito estímulo? Só teremos a resposta nos últimos minutos desse dia ou nos primeiros de amanhã.



E se...

Sim, e se o Fluminense perder o título?

A vida continuará.

Como sempre continua para todos que são derrotados num dia e acordam no seguinte com tudo pela frente, como sempre.

Esse trecho do texto não é movido pela chatice ou torcida contra ou descrença na conquista do Fluminense. Caso conquiste o título, o time e o clube estarão, por algumas semanas (poucas), no melhor dos mundos. Tudo será brincadeira, tudo será alegria. Mesmo assim, entretanto, a posição na disputa do Campeonato Brasileiro continuará extremamente perigosa e exigirá trabalho redobrado para recuperar a concentração e levar o clube a uma posição confortável na tabela.

Todavia, em caso de perda do título, a situação no BR 08 será dramática e o esforço para sair do buraco terá que ser triplicado, quadruplicado. Este é o motivo pelo qual escrevo esse trecho: em minha opinião, a Comissão Técnica do Fluminense errou na condução do Brasileiro durante a disputa da Copa Libertadores. Se foi correta a opção preferencial pela Copa, ela foi exagerada ao deixar o Brasileiro aos cuidados da equipe reserva, e ao não conseguir fazer os titulares entenderem a importância de também se dedicarem ao campeonato nacional nos jogos em que foram escalados. Os times brasileiros que disputaram as últimas finais: São Paulo, Atlético Paranaense, Internacional e Grêmio, relegaram, também, o BR a um segundo plano, mas sem perdê-lo de vista totalmente. O melhor exemplo, sem dúvida, foi dos finalistas de 2006, pois um deles foi o campeão e o outro só deixou de disputar o título nas últimas rodadas, quando a conquista não era mais viável e optou-se, só então, por poupar e preparar o time para a disputa do Mundial.

Conquistando ou não esse título, o Fluminense fez uma campanha simplesmente brilhante em toda a competição, de cabo a rabo, de ponta a ponta. Só por isso já merece sinceras congratulações.

Conquistando ou não esse título, o clube, a Comissão Técnica e o time aprenderam as vicissitudes de uma disputa de Libertadores, conheceram os riscos e os prêmios que ela reserva. Que esse conhecimento fique impregnado em todos que participaram da disputa, pois é ele que contará para o futuro, para as próximas disputas da Copa Libertadores de América.

(Hoje à noite, por motivos pessoais, basicamente alguns amigos e meus primos mineiros, serei simpático ao Fluminense. Creio que o jogo será muito duro, mas acredito numa vitória, talvez na prorrogação.)


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