Um Olhar Crônico Esportivo

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quarta-feira, julho 02, 2008

Final de Libertadores





Hoje é uma daquelas noites especiais, que, felizmente, têm sido comuns nos últimos anos: a Copa Santander Libertadores chega ao seu final e um time brasileiro, ao menos, está envolvido. Assim tem sido desde 2005, quando o São Paulo recebeu o Atlético Paranaense para o jogo final. Em 2006, o Internacional recebeu o São Paulo e venceu. Buenos Aires e o Boca receberam o Grêmio em 2007 e fizeram a festa.

Hoje é uma noite inédita, pois o Maracanã receberá dois times que nunca venceram ‘La Copa’. De um lado, o anfitrião, Fluminense, e do outro, ‘La Liga’, a LDU de Quito.

‘La Liga’ entra em campo como campeã, pois traz consigo a vantagem confortável de poder perder por 1 gol e ainda conquistar o título. Se perder por 2 gols, o jogo vai para a prorrogação e, se assim permanecer, a decisão dar-se-á nos pênaltis.

O Fluminense entra em desvantagem, mas nada que possa assustar demasiadamente. Precisa vencer no tempo normal por pelo menos dois gols de diferença, levando o jogo para a prorrogação. Se vencer por três gols, será campeão.

Difícil?

Sim, muito difícil, mas não impossível e, como disse acima, não é assustador.

E paro por aqui.

Esse jogo é, acima de tudo, imprevisível. Se fosse o caso de apostar na velha ‘loteca’, seria palpite triplo obrigatório.

É, La Liga é frágil na defesa e o Flu é forte no ataque, mas, e daí?

Os fatores que entrarão em campo na noite de hoje e decidirão esse título, está além da qualidade técnica dos jogadores e da inteligência e astúcia de seus treinadores.

Falar sobre eles é tarefa para quem não mais está entre nós, caindo no chavão mais repetido desses últimos meses, desde que o Fluminense encorpou-se na competição: Nelson Rodrigues.

Ao contrário do que diz Galvão Bueno, o Fluminense hoje não é Brasil. É só o Fluminense, como tem sido há muito tempo nas disputas da Libertadores: o Brasil não torce de forma uníssona e unânime pelo time que tem as cores de sua confederação na disputa. Longe disso, até. Talvez não na noite de hoje, até por ser a primeira vez que o Flu disputa esse título, mas em outras noites, com outros times, a torcida contra chegou a ser maior que a torcida a favor. Nada vejo de errado nisso, pelo contrário. Acredito que futebol é o que é graças aos clubes e clube cada um tem o seu e torce, de verdade, somente por ele. Isso independe do torcedor ser do primeiro, segundo, terceiro, quarto ou quinto mundos. É assim que é.

Como diz Galvão Bueno, o Equador hoje é LDU. Do outro lado essa frase é verdadeira. Mais que nunca o futebol equatoriano torce por um só time nessa noite. A possível conquista da Liga Deportiva Universitaria de Quito será a consagração para um futebol que vem apresentando evolução segura, constante, nos últimos dez a quinze anos. Hoje, disputar um jogo pela classificatória para a Copa do Mundo em Quito, não importa se o oponente é Brasil ou Argentina, o favorito costuma ser a seleção equatoriana. Nas duas últimas partidas lá jogadas o Brasil foi derrotado. Não foi o Brasil que perdeu, como gostamos de falar, mas sim o Equador que venceu. Equador que fez belíssima Copa em 2006, cujo time contava com nada menos que sete jogadores de ‘La Liga’, que hoje à noite entrará em campo vestindo, de fato, as cores de seu país. Muito peso ou muito estímulo? Só teremos a resposta nos últimos minutos desse dia ou nos primeiros de amanhã.



E se...

Sim, e se o Fluminense perder o título?

A vida continuará.

Como sempre continua para todos que são derrotados num dia e acordam no seguinte com tudo pela frente, como sempre.

Esse trecho do texto não é movido pela chatice ou torcida contra ou descrença na conquista do Fluminense. Caso conquiste o título, o time e o clube estarão, por algumas semanas (poucas), no melhor dos mundos. Tudo será brincadeira, tudo será alegria. Mesmo assim, entretanto, a posição na disputa do Campeonato Brasileiro continuará extremamente perigosa e exigirá trabalho redobrado para recuperar a concentração e levar o clube a uma posição confortável na tabela.

Todavia, em caso de perda do título, a situação no BR 08 será dramática e o esforço para sair do buraco terá que ser triplicado, quadruplicado. Este é o motivo pelo qual escrevo esse trecho: em minha opinião, a Comissão Técnica do Fluminense errou na condução do Brasileiro durante a disputa da Copa Libertadores. Se foi correta a opção preferencial pela Copa, ela foi exagerada ao deixar o Brasileiro aos cuidados da equipe reserva, e ao não conseguir fazer os titulares entenderem a importância de também se dedicarem ao campeonato nacional nos jogos em que foram escalados. Os times brasileiros que disputaram as últimas finais: São Paulo, Atlético Paranaense, Internacional e Grêmio, relegaram, também, o BR a um segundo plano, mas sem perdê-lo de vista totalmente. O melhor exemplo, sem dúvida, foi dos finalistas de 2006, pois um deles foi o campeão e o outro só deixou de disputar o título nas últimas rodadas, quando a conquista não era mais viável e optou-se, só então, por poupar e preparar o time para a disputa do Mundial.

Conquistando ou não esse título, o Fluminense fez uma campanha simplesmente brilhante em toda a competição, de cabo a rabo, de ponta a ponta. Só por isso já merece sinceras congratulações.

Conquistando ou não esse título, o clube, a Comissão Técnica e o time aprenderam as vicissitudes de uma disputa de Libertadores, conheceram os riscos e os prêmios que ela reserva. Que esse conhecimento fique impregnado em todos que participaram da disputa, pois é ele que contará para o futuro, para as próximas disputas da Copa Libertadores de América.

(Hoje à noite, por motivos pessoais, basicamente alguns amigos e meus primos mineiros, serei simpático ao Fluminense. Creio que o jogo será muito duro, mas acredito numa vitória, talvez na prorrogação.)


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