Um Olhar Crônico Esportivo

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sábado, junho 21, 2008

Briga por camisas

É chato dizer isso, porém, uma vez mais, o Flamengo consegue meter os pés pelas mãos em questão de patrocínios. Há poucos meses houve o problema na renovação com a Petrobrás, que redundou em prejuízo para o clube (em momento algum o clube e o patrocinador mostraram, cabalmente, que nenhum mês, além de dezembro, ficou sem patrocínio).

Agora é o patrocínio da Nike, história velha, que vinha se arrastando há mais de ano. Em mais de uma oportunidade esse Olhar Crônico Esportivo disse o óbvio: a Nike não aceitaria passivamente nenhum rompimento de contrato e iria para a justiça brigar pelo cumprimento integral do contrato em vigor. Dito e feito, feito como dito. Pressionado pela necessidade de dinheiro a curto prazo – tal como o Corinthians – e tendo ‘perdido’ as verbas gordas das fases finais da Libertadores, o Flamengo fez o que ameaçava fazer: rompeu unilateralmente com a Nike e assinou novo contrato com a Olympikus. Segundo a Folha de S.Paulo, a empresa já adiantou parte do valor do contrato para o clube – mais um imbróglio à vista.

Não satisfeito com o rompimento, por si só bastante clamoroso, chamou ainda mais a atenção do mercado e dos torcedores ao entrar em campo algumas vezes com três pontos de interrogação no lugar da marca do patrocinador e fornecedor de material esportivo. Ora, a isso a gente chamava de cutucar onça com vara curta. Como a onça é bicho bravo, principalmente quando provocado, sabíamos todos que onça só se provocava com vara muito longa, e que bom mesmo era não provocar o bicho.

Cutucada, a onça foi à luta e contratou o escritório Demarest & Almeida para sua defesa que, basicamente, prega a necessidade do clube honrar o contrato assinado até 30 de junho de 2009. A justiça concedeu liminar ao patrocinador e estipulou multa diária de 1% do valor do mesmo em caso de não cumprimento, ou seja, R$ 70.000,00 diários, já que o contrato tem valor anual de 7 milhões de reais.

O argumento da Nike foi simples: alega ter cumprido o contrato e ser surpreendida com o rompimento unilateral. De seu lado, o clube da Gávea diz o oposto, que a patrocinadora não cumpriu o contrato. Por mais que dirigentes e torcedores acreditem em suas alegações, é sempre difícil provar questões desse tipo num tribunal. Por causa disso, esse Olhar Crônico Esportivo disse que o melhor para o Flamengo era negociar com a própria Nike até o final do contrato, evitando ao máximo qualquer coisa ligada à justiça e advogados.

O patrocínio Olympikus é bom, não resta a menor dúvida, e segue o patamar aberto pela Reebok em 2007 ao antecipar e renovar seu contrato com o São Paulo na base de 15 milhões por ano. O valor de 21 milhões é um sinalizador forte para o Corinthians, também às turras com a Nike, e para o próprio São Paulo – não duvido nada que o clube pressione a Reebok já no final desse ano, principalmente no caso do clube conquistar o título brasileiro, mantendo sua exposição de marca em patamares mais altos e, com isso, justificando a necessidade e justiça de um reajuste.

O Palmeiras abriu concorrência para 2009, já que o contrato com a Adidas termina no final desse ano. Eu acredito que o novo contrato não chegará aos doze milhões por ano, sendo mais provável que fique ao redor dos dez milhões – o dobro do valor atual, praticamente.

A grande incógnita, sem dúvida, passa a ser o que fará o Corinthians. Andrés Sanches já andou falando em rescindir o contrato com a Nike e a situação, no início do ano, chegou a parecer insustentável. De repente, cessaram as declarações negativas, substituídas pelo silêncio, e em evento de marketing esportivo do Instituto Cruyff, o gerente de marketing corintiano, Caio Campos, falou da Nike em tom bastante amistoso, sinalizando que as relações estavam normais ou caminhando para isso. Entretanto, recentemente Andrés Sanches voltou a tocar no assunto e disse estar aguardando o desfecho da contenda Flamengo x Nike para decidir o que fazer.

De acordo com declarações de Braga e Sanches, os dois clubes vêm atuando em comum e trocando consultas em vários assuntos, inclusive nesse de patrocínio. Caso o Corinthians opte por romper, tal como fez o CRF, a Nike ficará numa posição incômoda num mercado grande e importante como o brasileiro, o que poderia ser muito interessante para outros clubes, mas principalmente para o São Paulo. Ao mesmo tempo, o rompimento com o Flamengo, se concretizado, deixará o time do Parque São Jorge com a faca e o queijo na mão para confrontar a Nike e, praticamente, conseguir um novo e excelente acordo.

Essa é aquela clássica situação em que dois brigam e o terceiro, que ficou só olhando, ganha a briga.

Mas, como ficaria a união operacional entre os dois clubes nesse caso?

Uma coisa parece certa: nesse momento, tem muita gente torcendo pelo Flamengo e não é no campo, é nos tribunais. Dirigentes corintianos e tricolores na linha de frente, na fila do gargarejo, puxando aplausos e claque.

Momentos interessantes à vista, aguardem.


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8 Comments:

  • At 11:35 AM, Anonymous Victor said…

    E algum clube do Rio, provavelmente o Vasco, poderá se beneficiar muito desta lide também. Afinal, para ter presença no segundo mercado do país, que é o Rio de Janeiro, e para ter um contra-peso ao Flamengo-Olympikus, não adiantaria à Nike tentar fornecer material ao SPFC ou aumentar seu valor ao Corinthians. Precisaria, sim, ter um parceiro no Rio para rivalizar com a Vulcabras. Se o Flamengo se sair vencedor, provavelmente SPFC conseguirá um aumento junto à Reebok, o Corinthians obterá uma equiparação aos valores do SPFC e algum carioca, muito provavelmente o Vasco, pelo tamanho da torcida, será sondado pela Nike.

     
  • At 12:17 PM, Blogger Emerson said…

    É verdade, Victor, isso que você colocou é muito provável.

    Não só para atingir o mercado carioca, mas também ter presença nacional.

    O Vasco da Gama, porém, ainda apresenta alguns problemas para algumas grandes empresas. Ou melhor, não o Clube de Regatas Vasco da Gama, mas a sua atual direção.

    Nesse momento, apesar dos tamanhos das torcidas, o Fluminense parece ser mais atraente que o Vasco.

     
  • At 12:35 PM, Anonymous Anônimo said…

    Eu como rubro-negro irei no proximo jogo com um espadrapo tapando a logo da nike, e motivarei outros torcedores a fazer o mesmo. (jogar um manto sagrado fora, nunca) A imagem dela ficará muito bonita.

    Quero ver se a Nike irá gostar de continuar com essa briga e daqui a pouco a torcida do Flamengo começar a boicotá-la. Eu pessoalmente nunca mais comprarei um calçado, camisa, ou qualquer item da Nike.

    Não se esqueça que em inúmeros momentos a Nike derrespeitou o Flamengo, como: passar um ano atrasando a entrega de materiais, lançar camisas alusivas a título em sua loja na véspera da decisão deste, lançar novos uniformes sem aprovação do conselho deliberativo (ferindo normas contratuais), etc. Eles claramente derrespeitaram o Flamengo.

    Observação: não sou diregente do Flamengo, apenas um torcedor apaixonado pelo mais querido do Brasil. Se ela quiser patrocinar o bacalhau, boa sorte para ele

     
  • At 7:20 PM, Blogger RODRIGO MOLINA said…

    E aí, Brow! Tudo bem? Uma hora dessas deves estar no Morumbi assistindo SPFC x Sport....

    Bem...é óbvio que a Nike não iria deixar barato. Era mais do que previsível que a multinacional iria ingressar com uma ação judicial visando manter o vínculo com o Flamengo até 2009, quando terminaria o contrato. E assim o fez, através de liminar concedida pela Justiça de São Paulo obrigando o clube a exibir a logomarca da empresa em seu uniforme. Vale ressaltar, que é uma decisão de caráter liminar, ficando pendente a questão, de uma decisão de mérito definitiva.

    Emerson, a Nike se mostrar surpreendida com o rompimento unilateral do contrato é de um ridículo atroz. Uma vez que o acordo entre o clube e a empresa era justamente o de "fornecimento de uniformes", a Nike descumpriu o objeto principal do contrato, ora bolas! Isso sem falar na falta de abastecimento de camisas oficiais nas lojas de material esportivo, até mesmo na Fla-Boutique. No ano passado, na reta final do brasileirão, quando a torcida estava em lua-de-mel com o time com a arrancada da zona do rebaixamento à libertadores, não se encontravam camisas oficiais à venda. Um absurdo! Ali naquele momento, haveria um boom de vendas. A procura foi imensa. Com o resultado financeiro das vendas de camisas do SPFC em razão da presença do Adriano, você pode auferir o tamanho do prejuízo que a Nike causou ao CRF no ano passado.

    Se o descuprimento do contrato é fato assim tão difícil de se provar em Juízo, veremos nas cenas dos próximos capítulos.

    O que mais me intriga no caso em tela, é se procedem as informações de que houve adiantamento da empresa ao clube das cotas de patrocínio referentes a 2009, como divulgou o site FlamengoRJ em fevereiro do presente ano, senão vejamos:

    http://www.flamengorj.com.br/noticia.asp?codNoticia=7956

    Supondo que o Flamengo saia vitorioso na batalha jurídica pelo rompimento do contrato com a Nike, como ficam esses valores referentes a 2009 que teriam sido adiantados? Será que o clube teria de devolver, uma vez que o contrato fora rompido ainda em 2008? Confusão à vista, meu caro...

    E aí, Emerson? O OCE não terá um post sobre a novíssima pesquisa de torcidas do Instituto Datafolha sobre a preferência clubística das crianças brasileiras? Como você mesmo já afirmou, é uma parcela da torcida com altíssimo potencial de consumo, não é mesmo? Afinal, o "Papai, eu quero...Papai, compra..." tem um poder de persuasão pra lá de poderoso, ne não?
    hehehe

    Um abraço,
    Rod.

     
  • At 12:27 AM, Anonymous Pedro Paulo said…

    Emerson, há duas coisas que me intrigam:

    1) Pesquisando no site do tribunal de Justiça de São paulo, eu não achei o processo a qual se refere a essa liminar, bem como se o Flamengo foi devidamente intimado da mesma;

    2)Tanto a Nike quanto o Flamengo já afirmaram que no contrato há uma cláusula arbitral, o que impede a atuação da Justiça sobre questões referentes ao contrato, conforme disposto no Código de Processo Civil, ou seja, o caso deveria se desenrolar por meio da arbitragem,e salvo engano, o foro escolhido foi na França.

    Saudações Rubronegras

     
  • At 3:44 AM, Anonymous fabio p. said…

    Muito bom o post! Confusoes a vista!
    Mas acredito, confusao e reviravolta somente no mercado.
    Porem o caso se apresenta mais simples do que o apresentado no post: 2 partes, obrigacoes contratuais estipuladas. Uma parte nao deixa de cumprir sua obrigacao (usar o uniforme e acessorios e expor a marca). A outra parte descumpre sua obrigacao FORNECER. Ponto final.
    E nessa area do Direito facilmente se prova inadimplemento contratual. Liminares virao, nao podemos ser inocentes em esperar passividade. Mas somente ate a sentenca, onde acaba a guerra das liminares. (Senti uma ponta de inveja em varios pontos do texto do post. rsrs)

     
  • At 3:48 AM, Anonymous Anônimo said…

    Ah! E parabéns aos dirigentes flamenguistas. Ainda que ineficientes em quase tudo, acertaram enfim.
    Ao contrárioo do que o Emerson disse, acertaram as mãos dessa vez ao esperar uma brecha para o rompimento de forma legal.
    *Tbm senti uma invejinha ao querer colocar como falha do time do Fla esse gol de placa!

     
  • At 5:07 PM, Blogger Brasileirão said…

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