Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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sexta-feira, junho 27, 2008

Comentando...


Briga por camisas...

Pedro Paulo: você estranha a questão ter ido parar à justiça quando, aparentemente, há cláusula contratual estabelecendo foro arbitral em Paris para dirimir pendências; e também relata não ter encontrado o processo Nike x Flamengo no site do TJ paulista.

E o Fabio P. acredita que a questão é simples, uma vez que uma parte fornece e outra parte usa, e que esses são fatos facilmente verificáveis.

Bom, desde o início das escaramuças – e lá vai tempo – venho manifestando minha estranheza diante dos fatos. Não tenho conhecimento íntimo do funcionamento da Nike, mas pelo que sei e ouço dizer, a empresa é eficiente, cumpridora de obrigações, etc. Tendo em conta seu faturamento, seria muito estranho que houvesse ineficiência em grau tão alto como foi apontado várias vezes pelo Flamengo e também, é bom que se diga, pelo Corinthians. Isso significa, portanto, que eu não acredito nas reclamações do Flamengo? Também não, mas isso significa que há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nosso vão conhecimento dos fatos ou pretensos fatos.

Estamos falando de um negócio que, mais que envolver milhões, envolve duas grandes instituições, e quando uma diz pedra e a outra diz pau, há algo mais em cena que um mero curto-circuito.

No mais, apesar de considerar o patrocínio Olympikus muito bom e extremamente interessante – e nem um pouco surpreendente, depois do acordo Reebok/São Paulo e do crescimento do mercado – ainda penso que o Flamengo precisaria manejar essa situação com luvas de pelica. Um novo fato foi criado e, ao que dizem, consumado via pagamento: o contrato com a Olympikus. O problema é que o fato antigo, o contrato com a Nike, não foi resolvido, seja por bem, seja por mal. É como o Zezinho casar com a Rosinha sem ter saído o papelório do divórcio, ou melhor, sem ainda ter a decisão sobre o divórcio. Na vida civil, em tese, implica em bigamia, processo e cadeia.

Cruzes...

Na vida real das corporações implica em longos e custosos, muito custosos processos judiciais. Os advogados adoram.



Imperador do Morumbi

Um comentarista anônimo disse ser ingenuidade acreditar em choro de jogador, pois os tempos são outros.

Concordo.

Ainda assim, entretanto, eu às vezes acredito.

No caso do Adriano eu acredito.

Nem tanto que um dia ele vá voltar, isso é só uma possibilidade, que tanto pode como não pode acontecer. É mais fácil, ou menos difícil, por exemplo, o retorno do Luiz Fabiano, daqui a 4 ou 5 anos.

Acreditei mais na sinceridade das lágrimas e na emoção contida na promessa, melhor dizendo, expressão de desejo.

Que é tão verdadeiro quanto uma promessa, mas sem o peso dessa.



Datafolha pesquisa crianças

No final desse post eu escrevi “Divirtam-se e costurem, o pano está na mesa.”

E a costura continua, como era de se esperar.

O respeitado e reputado DataKombi, através de sua newsletter DataKombi News, refuta os dados do Datafolha que dizem respeito ao clube da Estrela Solitária. Eu, como não bobo e não gosto de meter a mão em cumbucas que me são estranhas, vou deixar a pendenga para os analistas e advogados das partes.

:o)

O Rod ataca com o Roberto DaMatta, cujas crônicas muito interessantes sobre o Brasil e o jeito de ser brasileiro, acompanho via Estadão. Mas nem sempre, porém, concordo integralmente com o que ele diz. Nesse caso, mesmo, desconcordo.

“Nenhum brasileiro que se preza muda de time.”

Concordo, mas hoje em dia só a partir de uma certa idade, uma certa vivência, porque mudou o Brasil, porque mudaram as pessoas, porque o “jeito de ser” do brasileiro, que nunca foi estático, é claro, hoje é mais dinâmico do que costumava ser. Vivemos numa sociedade plenamente urbanizada e exposta a uma quantidade brutal de informações. As crianças que crescem hoje, de maneira geral, recebem muito mais informação e também formação por meio de agentes estranhos à família. Isso leva parte da gurizada a ter um comportamento vacilante no quesito “time do coração”.

O que era verdadeiro nos tempos d’eu menino – “Nenhum brasileiro que se preza muda de time” – hoje já não é 100% verdadeiro, precisa de um asterisco, uma nota, uma ressalva.

Portanto, volto a dizer o que escrevi no post: “nessa faixa etária a preferência clubística é muito sujeita a chuvas e trovoadas, e é comum as crianças mudarem sua opção mais de uma vez”, ao contrário de antigamente. Claro que isso também não é verdadeiro nas famílias em que o pai ou avô e outros parentes próximos são torcedores fervorosos de um time ou mais de um time. Novamente, porém, essa não é a tônica dos dias de hoje. Diria até que infelizmente.

Outro ponto discutível e que foi levantado por um comentarista anônimo é a questão da importância do ídolo na formação do torcedor. Ele é importante, sem dúvida, mas eu acredito, ainda, na força da camisa mais que no nome do ídolo, mesmo porque o ídolo passa e a camisa fica. Pensando dessa forma, sem dúvida eu valorizo a importância dos títulos para o crescimento da torcida.

Isso tudo, na verdade, é tão somente uma grande omelete: ao fim e ao cabo, todos os componentes se misturam e você passa a ter dificuldade para identificar o queijo, o champignon, o tomate, todos bem misturados com os ovos.

Esses, porém, estão sempre ali, claramente, dando forma, cor e consistência.

A camisa é o ovo da omelete.

Um outro comentarista anônimo, torcedor do Grêmio, contesta o post sobre a colocação do Grêmio. Conferi os dados e, pelo menos considerando os que tenho em mãos, os números nacionais são os que foram postados. Até o presente o instituto não colocou no ar mais informações a respeito.



Ronaldinho no BR 08?

Antes de mais nada: fonte desse Olhar Crônico Esportivo muito próxima de Fernando Carvalho, disse que, segundo o dirigente, nada há e nem houve entre Ronaldinho e Internacional. Isso já era mais ou menos claro, mas não custa reproduzir o que foi ouvido.

Segue o intenso falatório sobre o destino de Dinho, falam de Milan, falam de Manchester City, falam, novamente, do próprio Barça. Ou seja, fala-se muito e sabe-se pouco ou nada. Seu futuro é uma grande incógnita. Todo esse falatório desencontrado apenas acentua a possibilidade dele ficar por aqui algum tempo. Essa possibilidade, se ilusória ou não, continua sendo colocada em bocas com alguma chance de torná-la realidade.

O Fábio P. contesta a recuperação do Adriano e coloca-a, além de suposta, na conta de uma bem armada ação envolvendo o jogador, a Inter, seu empresário, a Nike, o São Paulo e a CBF. Embora tudo sob o Sol ou a Lua seja possível, não é assim que eu enxergo o que ocorreu. Quanto ao seu futebol, convém lembrar o que disse Muricy há cerca de 60 dias: ele vai atingir seu auge no segundo semestre. Palavras, por sinal, reproduzidas nesse blog.

Qualquer coisa fora do normal que envolva um jogador como Adriano ou Ronaldo ou Cristiano Ronaldo ou Henry e outros mais, é motivo para manchetes. Mas não é correto dizer que o que mais repercutiu de Adriano no exterior foram seus dois incidentes no São Paulo. Quem acompanhou o dia-a-dia da imprensa esportiva européia sabe que sua recuperação futebolística foi o que mais rendeu notícias. Aliás, os patrocinadores do São Paulo deram risadas de orelha a orelha por conta disso, e, acreditem, ninguém melhor que eles para avalizar isso que afirmei.

Ronaldinho voltar ao Brasil por 6 ou 12 meses é um retrocesso?

Não concordo. Na vida, na política, nas grandes ações de governo, recua-se um passo para avançar dois. É uma opção tática, falsamente confundida com atraso ou recuo que permita ao adversário ganhar terreno de fato. Retrocesso seria, sim, Ronaldinho transferir-se para um clube de terceira linha, como o Manchester City. Voltar para um time brasileiro de ponta e disputar o Campeonato Brasileiro e, dependendo do clube, também a Copa Sul Americana, e depois regressar para a Europa com o prestígio reconquistado, não é retrocesso.

Vale dizer que, nesse momento, já completa mais de ano que ele está fora da mídia via Nike, exceto pelo comercial dirigido pelo Guy Ritchie, em breve o ex-marido de Madonna (processo de divórcio em andamento, dizem), em que ele é mais sugerido do que visto. Tudo isso começa a pesar na balança, até mesmo de um atleta como ele.

E eu, particularmente, não acredito que seu retorno se dê num Man City da vida. Aproveito para responder ao Odair: por vinte milhões o Barça não irá dá-lo. Aparentemente, não há mercado para ele na faixa de cinqüenta milhões ou outro número igualmente sonoro e lucrativo. Voltamos, então, “Dois Córgo”, à questão do se ficar o bicho pega, se correr... Será que Guardiola vai ter que engoli-lo? E o elenco? E os novos contratados? Arshavin, o russo do Zenith, foi contratado.

Eis a questão.

Finalmente, o Paulo Machado levantou a questão “Globo e transmissão da final da Libertadores” em São Paulo. A princípio sou contrário a interferências de qualquer tipo nas emissoras. Tal como está, acredito que estamos muito bem atendidos. Meu alvará de tempo já se encerrou e não posso prolongar essa resposta, mas voltarei ao assunto.

Abraços e bom fim-de-semana a todos (mas o blog terá novos posts no decorrer do fim de semana).



Post Scriptum - um pouco mais sobre Ronaldinho

O jornal inglês The Sun publicou nota dizendo que Scolari já teria conversado com Ronaldinho e que nos próximos dias o Chelsea fará oferta de 19 milhões de euros para o Barcelona.

...Pode ser, pode não ser. Mas dá uma boa idéia de como anda o valor de mercado de Dinho nas oropas.

O Barça acaba de pagar 15 milhões por Arshavin. Um jogador que apareceu bem no Zenith e fez boa EuroCopa, sumindo na final. Se ele vale isso, quanto pode valer Ronaldinho? Só 19?

Aqui também entra em cena o amor-próprio do jogador: 19, 20, 25, 30 milhões por alguém como ele é, isso sim, um retrocesso real.

Hoje cedo, no CT da Barra Funda, Muricy Ramalho falou que gostaria de apresentar Ronaldinho ao REFFIS. Para os leitores deste OCE tal declaração não é surpresa, certo?

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6 Comments:

  • At 4:59 PM, Blogger André Monnerat said…

    Diria que a importância do ídolo na escolha do time de coração de uma criança, hoje em dia, só faz diminuir - e por um motivo bem simples: há cada vez menos ídolos no Brasil. Mal o jogador começa a se destacar e bate asas para a Europa. A relação dos torcedores com os jogadores que vestem a camisa de seus times é cada vez mais efêmera.

     
  • At 5:07 PM, Anonymous juliano said…

    se o sp vender hernandes para o barça, em troca ele recebe 11mi + ronaldinho ate o fim do ano. acha que seria justo e rentavel pra ambas as partes?
    abs

     
  • At 6:22 PM, Blogger RODRIGO MOLINA said…

    Muito legal da sua parte, Emerson, escrever um post comentando, debatendo, ou mesmo rebatendo as opiniões dos blogueiros.

    É o OCE cada vez melhor. Um espaço verdadeiramente democrático.

    Noutro dia, dei uma lida em algumas de suas crônicas no outro blog, o Olhar Crônico. Muito Bom! Volto mais vezes.

    Bom fim de semana.

     
  • At 10:21 PM, Blogger Emerson said…

    Negocinho ruinzinho pro São Paulo, Juliano.

    A menos que onze milhões de euros seja o real valor de mercado de Hernanes, coisa difícil de ser aferida por quem, como nós, está fora do mercado, do dia-a-dia das negociações.

    Eu mesmo em momento algum acreditei que Hernanes possa ser negociado por 25 milhões de euros.
    Não hoje...

    Porém, no caso dele permanecer, disputar uma boa Olimpíada e, sobretudo, disputar e bem uns dois jogos da Eliminatória, aí o caso muda de figura, da água para o vinho, e 25 milhões passariam a ser um valor factível e mais que justo.


    André, é bem por aí: na média, o papel do ídolo perdeu importância.
    No Brasil temos apenas dois: Rogério e Marcos. Ambos são goleiros, portanto não têm, mesmo Rogério, a dimensão de um ídolo goleador de fato, como antigamente.
    Os colorados pensavam em ter essa personagem em Fernandão, mas ele foi embora e seu tempo de clube é curto para pensarmos em termos de ídolo à antiga.


    Rod, quando os comentários são interessantes é mais prático e mais fácil postar do que comentar.

    Já tivemos, sempre temos, na verdade, comentários interessantes, mas nem sempre eles se acumulam como dessa vez e numa outra.
    Aqui, aplica-se a primeira lei de Newton.

    :o)

     
  • At 5:24 PM, Anonymous fabio p. said…

    Continuo achando que se Alex Mineiro e Pedrão Barueri tivessem a badalação que Adriano teve (grande parte alcançada pelo sensacionalismo da imprensa européia que, sim, dá mais importância a isso) e tivessem passagem pela europa, estariam na seleção e com status de "astro" sem apresentar futebol algum.

     
  • At 5:27 PM, Anonymous fabio p. said…

    Alias, assim como rodrigo molina, parabenizo pela importância dada aos comentários nos posts. E sou provocativo não por maldade não viu. =)

     

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