Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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segunda-feira, dezembro 08, 2008

Goiás aproveita o embalo

(Esse texto era mais amplo, falando também sobre o Flamengo e Petrobrás. Entretanto, essa parte foi suspensa, enquanto esperamos por informações oficiais da empresa, sobre a manutenção ou não do patrocínio ao Flamengo.)


O novo patrocínio do Goiás para 2009 começou ontem, no Bezerrão.

Com a chance de grande audiência em rede nacional, a
Neo Química estreou como patrocinadora do Goiás, no jogo contra o São Paulo, na prática uma decisão de título brasileiro, com direito a grandes índices de audiência e, naturalmente, exposição da marca.

Uma ação inteligente e oportunista – no bom sentido – do Goiás e da Neo Química. As imagens de TV e as fotos nos jornais de segunda-feira estampam o nome da empresa, imagens que serão vistas muitas vezes ainda.

O patrocínio irá até dezembro de 2010, e dará ao Goiás
6 milhões de reais por ano – 250.000 por mês – nesse período. O contrato também estipula que o clube será premiado em caso de conquista da Copa do Brasil e conquista de vaga para a Copa Santander Libertadores.

O ano terminou muito bem para o Goiás na área financeira. Além da estréia do novo patrocínio, com um bom valor, o clube ainda teve a
Uni Anhanguera e o BRB em sua camisa. Somente a exibição do logo do banco rendeu entre 200 e 350 mil reais, segundo fontes diversas.

Completando, a renda no Bezerrão foi de
R$ 1.660.000,00 – a maior do campeonato, dos quais pouco mais de um milhão líquidos foram para o caixa do clube em pleno início de dezembro.

Melhor que tudo isso, só dois disso, como se diz.
Claro, estou falando do aspecto financeiro e não do esportivo.
Mas o esportivo irá se beneficiar desse aporte de recursos.
O Goiás é um clube que se apresenta de forma consistente na 1ª divisão do futebol brasileiro ano após ano, apesar de um deles ter sido muito ruim, quase catastrófico. Mesmo assim, uma performance digna de elogios, desmentindo o mito de que só clubes de São Paulo ou Rio de Janeiro podem ter sucesso no campeonato por pontos corridos.




Post scriptum


Nota oficial da Petrobrás



"Nota de esclarecimento sobre patrocínio ao
Flamengo

A respeito das recentes notícias envolvendo o
Clube de Regatas do Flamengo e a Petrobras, a
Companhia gostaria de esclarecer que continua em
negociações com a presidência do clube para a
renovação do patrocínio."


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sexta-feira, dezembro 05, 2008

Uma comédia de erros




Nem tão comédia e tampouco com um final tão divertido, independentemente do que venha a rolar em campo além da bola, mas tão shakesperiana como a homônima do gênio inglês. Uma comédia de erros que, nitidamente, tem a ver com
o poder, a ambição de políticos e o oportunismo de um grande dirigente do futebol tupiniquim. Depois de uma novela curta, mas intensa, com idas & vindas, sem mocinhos e só vilões, começou a venda dos ingressos para o jogo Goiás x São Paulo.
Sobre o qual falarei uma vez mais.



As vendas começaram ontem, finalmente, em Brasília e em São Paulo. Em Goiânia, devem começar somente hoje.




Em Brasília, as filas começaram a se formar durante a manhã, esperando a abertura das vendas, que estava previst
a para as 14:00, mas que começou depois das 16:00, com muito mais gente nas filas. Há relatos que os guichês fecharam no início da noite, deixando ainda muitos torcedores sem ingresso.

Em São Paulo, desinformação. Logo cedo já havia torcedores no Morumbi aguardando a abertura da bilheteria principal, o que só ocorreria depois que os ingressos chegassem de Brasília. Chegou a circular a informação, passada por funcionário do clube, que os ingressos só chegariam tarde e seriam vendidos hoje, sexta-feira. Muita gente abandonou a fila e foi embora, mas os que persistiram, sabe-se lá porque, foram recompensados, pois os ingressos chegaram ao Morumbi e a venda teve início.

Estamos falando de um jogo que decide um campeonato, que será realizado num estádio minúsculo, com capacidade para menos de 20.000 torcedores. Está certo que é moderno, recém-inaugurado, mas, assim mesmo, é muito pequeno e, assim mesmo, a operação banal de vender 19.000 ingressos é tão complicada, tão confusa, que chega a assustar. Quanto evoluiremos até 2014?

E ingressos caros, ou caríssimos, frente à média de preços do Campeonato Brasileiro e da Copa Libertadores. Esse é outro capítulo e mais um erro a ser somado aos que serão comentados agora.



Erros...


Na visão deste blogueiro, temos dois grupos de erros nesse episódio.
Os erros de fora do futebol, cometidos por instituições do Estado e os erros de dentro do mundo da bola.

Começarei pelos erros de dentro.

1 –
STJD: errou ao punir o Goiás por incidente no qual, a rigor, não há culpa objetiva do clube; curiosamente, o mesmo tribunal deixou de agir assim em casos parecidos, quando vândalos brigaram entre si e não foram contidos pela polícia.

2 –
STJD, que erra novamente, ao determinar que punição com perda de mando de campo deve-se dar através da realização da partida em outra cidade a mais de 100 km de distância; na prática, na vida real fora do tribunal, isso conduz muito mais a uma punição ao visitante do que ao punido, pois este, geralmente, continua jogando para sua torcida, não tem sua logística muito afetada e não toma a pior punição, que é a perda da renda; há mesmo casos em que a renda do jogo da punição supera a média de renda do clube punido. O visitante, porém, que nada tem a ver com a história, tem sua logística alterada sempre para pior, precisa mudar sua programação de treinos e viagens, geralmente acaba jogando em condições piores de estádio, gramado e até de segurança, do que os demais participantes do campeonato nos confrontos contra o clube punido. Diante disso, o melhor seria a manutenção da punição antiga, em que o clube punido jogava em sua sede habitual com os portões fechados. Chato, sem a menor dúvida, estranho de ver pela televisão, ouvir no rádio, mas uma punição que não dava margem a tantos problemas e bate-bocas.

3 –
CBF: cometeu o absurdo de decidir sozinha o local do jogo, sem consultar os clubes. Ignorou o desejo que os dois clubes manifestaram de jogar, por exemplo, no Rio de Janeiro, no Engenhão, ou em Uberlândia, no Parque dos Sabiás. A diretoria do Goiás encarava com bons olhos a perspectiva de jogar no Rio de Janeiro, onde a repercussão de mídia seria ainda maior do que o normal, mesmo em se tratando de jogo decisivo. Outro ponto a favor: a maior cobertura internacional, que tem muitos representantes no Rio de Janeiro, muito mais do que em Brasília, por exemplo.
Finalmente, mas não menos importante, fosse no Rio ou em Uberlândia, a presença de público seria muito maior, dando mais brilho e motivação para o jogo.
Curiosamente, até mesmo a direção do Grêmio, parte interessada nisso tudo, manifestou-se favorável ao jogo no Rio de Janeiro, acreditando que grande número de torcedores do clube iriam a campo torcer contra o São Paulo.
Para o Goiás também teria sido ótimo jogar na cidade de Uberlândia, que além do estádio com capacidade para 50.000 torcedores, prontificou-se a pagar as despesas dos dois times para jogar na cidade. No entanto, apesar de tudo isso, prevaleceu a decisão autoritária e solitária da CBF, marcando o jogo para Brasília, para um estádio pequeno, entregue a uma federação confusa que sequer consegue imprimir e distribuir num prazo razoável uma carga de menos de 20.000 ingressos.


Cabe uma pergunta: a quem interessou mandar esse jogo de grande repercussão para o pequeno estádio do Gama, que há poucos dias já recebeu o mais importante amistoso da Seleção Brasileira disputado em Terra Brasilis nos últimos anos?


4 –
Federação Brasiliense e governo do DF: erraram ao estipularem preços absurdos para o uso de um estádio tão pequeno: R$ 135.000,00 de taxas e mais 10% da renda. A pressa com que recuaram diante do clamor de torcedores, imprensa e Goiás Esporte Clube, é um bom sinal do caráter meramente oportunista e especulativo de tal taxa.
Ficou claro, também, que o uso do estádio é fortemente condicionado por interesses políticos, causando espanto a este blogueiro que o governador de uma unidade da Federação tenha ficado 5 horas em reunião a discutir esse assunto. Ou é amor demais pelo futebol ou falta de ter o que fazer.

5 – Finalmente, errou o
Goiás ao indicar o preço esdrúxulo de 400 reais para os ingressos. Esse erro, contudo, seria pago somente por ele, que teria uma arrecadação pífia, que talvez nem cobrisse o pagamento dos juízes e a viagem de ônibus do time de Goiânia para Gama. Um erro que seria pago com a pior e mais "preciosa" parte do corpo do ser humano e de suas instituições: o bolso.
Muitos dizem que o Goiás assim agiu em retaliação à CBF e seu autoritarismo mais que suspeito nesse caso. Pode ser. Como também pode ser que seja verdadeira a explicação de seus diretores: aumentaram o preço, com a promoção de reduzi-lo em 50% com a entrega de donativos, simplesmente para fazer algum dinheiro e terem um bom lucro depois do pagamentos das taxas brasilienses e demais despesas do jogo.


O Goiás, entretanto, não teve tempo e condições para sofrer com seu erro, ou reavaliá-lo, pois foi atropelado por uma sucessão de outros erros: os erros de fora do mundo da bola. Vamos a eles:


1 –
PROCON: errou ao intrometer-se em assunto que não é e não pode ser de sua alçada. Um jogo de futebol é um produto para o entretenimento das pessoas, ninguém é obrigado a vê-lo. Vai ao jogo quem quer e quem pode. Como espetáculo, seu preço é condicionado por muitas variáveis, como, por exemplo, a qualidade dos artistas ou atletas, a importância da partida, sua condição de ser única. Os clubes têm o direito de estipularem os preços que melhor entenderem para cada partida, a partir de um patamar mínimo, somente. Se o preço para o espetáculo for muito alto, ninguém irá vê-lo e o clube terá prejuízo. Ponto. Compete ao PROCON, isso sim, zelar para que os direitos do torcedor, transformado em consumidor a partir da compra do ingresso, sejam respeitados. Isso inclui, por exemplo, a garantia do torcedor chegar ao local com minutos de antecedência e encontrar o lugar que está marcado em seu ingresso, vazio, esperando por ele. Inclui a existência de bons sanitários, por exemplo, além de outros pontos, muitos outros pontos passíveis de melhoras e carentes de fiscalização.

2 –
MP: errou tanto quanto o PROCON ao intrometer-se no mesmo assunto, querendo, talvez, mostrar serviço. Melhor faria agilizando o combate aos fatores que geram insegurança e trazem prejuízos reais para as pessoas.



Tivemos, enfim, uma sequência de erros que se transformou, com boa vontade e algum sarcasmo, numa comédia. Quem paga por ela, como de hábito, é o torcedor.

Os preços, finalmente definidos, continuaram altos para o padrão brasileiro:

-
R$ 100,00 para as arquibancadas atrás dos gols;

-
R$ 150,00 para as arquibancadas laterais;

-
R$ 250,00 para as cadeiras na “tribuna de honra”

A meia-entrada será válida apenas para estudantes, idosos e professores (categoria que a imprensa não tem colocado como habilitada a comprar meio-ingresso, o que lhes é permitido por lei do DF), devidamente identificados. O desconto de 50% com a entrega de donativos foi cancelada. O motivo, segundo diretores do Goiás, é a existência de outra lei brasiliense que proíbe esse tipo de promoção.

As filas e a procura pelos ingressos estão mostrando que os preços, agora, talvez não sejam assim tão altos, tão caros.
Fica, de qualquer forma, uma certa tristeza por tantos erros terem sido cometidos.
Fica a tristeza de não ver esse jogo no Rio de Janeiro, num estádio com quase cinqüenta mil torcedores.
Fica a lição para os clubes.
Fica, por último, uma pergunta:
será que aprenderam alguma coisa?


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quarta-feira, dezembro 03, 2008

Dezessete reais a menos

Cinco horas de reunião entre diretores do Goiás e governantes brasilienses, governador inclusive. Cabe até a pergunta: pode um governador de uma unidade federativa ficar cinco horas em reunião com dirigentes de um clube de futebol?

Ao fim e ao cabo, saiu-se da reunião com os preços definidos tal como no Post scriptum de ontem neste Olhar Crônico Esportivo.

Com uma diferença, entretanto: acabou a história de doar alimentos e pagar meia-entrada. A meia-entrada será privilégio de estudantes e professores, estes em função de lei específica do DF. Segundo explicação do Vice-Presidente do Goiás, Edmo Pinheiro, uma lei brasiliense proíbe esse tipo de promoção.

No frigir dos ovos, houve uma redução de 200 para
183 reais. Esse é o valor médio estimado por este Olhar Crônico Esportivo, considerando a venda de todos os lugares – 19.400 (parece que a polícia brasiliense liberou lotação total) – e com números aproximados para as arquibancadas laterais e norte/sul (atrás dos gols).

Nesse caso, teríamos uma renda por volta de 3.500.000 e um preço médio dos ingressos a 183 reais. Isso não ocorrerá, naturalmente, em função das
meias entradas, cujo número não foi divulgado.

Tanto barulho por dezessete reais.

Mais uma aula de Brasil que poucos frutos renderá.

Quanto aos donativos, adeus.
Será que os adversários do governador José Roberto Arruda aproveitarão esse cochilo?
Para quem não lembra, esse senhor era senador da República e renunciou ao mandato, junto com Antonio Carlos Magalhães, para escapar de inevitável cassação do mandato e dos direitos políticos, devido ao episódio conhecido como a fraude do painel de votação do Senado.

Até esse momento, faltando dois minutos para as duas da tarde de quarta-feira, o site do Goiás não traz nenhum esclarecimento sobre os novos preços e sobre a cassação, quero dizer, a eliminação da troca de donativo por metade do valor de face do ingresso.

Enfim, vida que segue.

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terça-feira, dezembro 02, 2008

Intromissões indevidas



Fui surpreendido pela divulgação que os ingressos no Bezerrão para o jogo Goiás x São Paulo iriam custar
R$ 400,00. Num primeiro momento não dei atenção, achando que fosse brincadeira.

Mas não era, a coisa era séria e soava como meio ofensiva, até, com a explicação que o preço seria de somente (sic) duzentos reais se o endinheirado torcedor levasse também dois quilos de alimentos para as vítimas da enchente em Santa Catarina.

Cheguei a manifestar-me por escrito sobre isso, na internet, criticando com acidez a diretoria do Goiás.

Hoje, porém, tive oportunidade de ouvir as entrevistas de dois diretores do clube goiano, um deles o diretor administrativo do Goiás, Marcelo Segurado (clique aqui para ouvir na íntegra). Logo no início, Marcelo esclarece que o Goiás Esporte Clube tem excelente relacionamento com o São Paulo, desfazendo, assim, algumas conversas em sentido contrário. Fala, na sequência, das punições sofridas pelo clube, devido a incidentes entre torcedores nos jogos contra o Vasco e contra o Cruzeiro. É bom destacar, também, que o diretor do GEC atribui a punição aos “vândalos“ e não critica a medida tomada pelo STJD.

Resumindo, Segurado diz que se esse jogo final, valendo a conquista do título, fosse no Serra Dourada, também teria os preços reajustados, as cadeiras para 70 ou 80, a arquibancada para 50 reais, dando ao clube a chance de um bom faturamento. Com a punição, fizeram um jogo em Itumbiara, onde o clube teve prejuízo, devido à baixa renda. Esse é um ponto importante: o Goiás Esporte Clube teve prejuízo em Itumbiara e, por conseqüência, queria fazer o jogo contra o São Paulo em outro estádio de maior porte. Pelo que ele fala, e pode ser conferido no áudio linkado acima, o clube via com bons olhos a sugestão do São Paulo para fazer o jogo no Maracanã ou no Engenhão, assim como a oferta da cidade de Uberlândia, que ofereceu o Parque dos Sabiás, com capacidade para 50.000 pessoas, em ótimas condições financeiras para o Goiás, e oferecendo-se, inclusive, para pagar as despesas do São Paulo.

O Goiás, entretanto, foi surpreendido pela marcação do jogo pela CBF para o novo estádio Bezerrão, na cidade de Gama, no Distrito Federal. Como esse estádio tem apenas 19.000 lugares e a diretoria deverá vender somente 18.000 ingressos, optou-se pelo aumento nos preços dos ingressos para poder dar algum lucro para o Goiás.

É importante essa sequência para entendermos que os dois clubes não queriam jogar em Itumbiara, que ambos queriam jogar em estádios grandes, com boas condições de jogo para o São Paulo, e com bom retorno financeiro para o Goiás.

Marcando o jogo para o Bezerrão a CBF atropelou os dois clubes e o próprio STJD, que recém-retirou a punição de perda de mando sofrida pelo Goiás, mas não a tempo de reverter o jogo. Ficou decretado: Jogue-se no Bezerrão.

Que é bom estádio, isso não se discute. E bem localizado, numa área com alto poder aquisitivo – não a cidade de Gama, mas sua vizinha rica, a capital da República, cidade que tem a maior renda per capita do Brasil.

Mas...
Somente 19.000 lugares.

Ora, o Goiás que já sonhava em terminar o BR 2008 com dois milhões líquidos dessa renda em seu caixa, dinheiro bastante para pagar dezembro, décimo-terceiro e férias de seu elenco, viu-se, de repente, obrigado a jogar em um estádio pequeno, onde a renda, aos preços normais, daria algo como oitocentos mil reais ou menos, brutos.

Agora vem a parte mais incrível de tudo isto. O diretor goiano foi claro, como podem constatar pelo áudio linkado: a administração do Bezerrão cobra uma taxa administrativa de campo (para usar o campo, vestiários, bilheterias) de nada mais, nada menos, que R$ 135.000,00 – chamada por Marcelo de “exorbitante”. E é mesmo, muito exorbitante. Tem mais: há também a taxa de 10% da renda bruta como aluguel. Além dessas taxas, há outras (repetitivo, não?): 5% para o INSS, 5% para a Federação Brasiliense, 5% para a Federação Goiana e 5% para a CBF. Mais as despesas com juízes, seguro de vida, etc. Enfim, uma exorbitância. Não há como definir melhor.

O próprio Marcelo Segurado tornou a conversar com o presidente da Federação Brasiliense e este mostrou-se irredutível, não iria reduzir nenhuma cobrança, dizendo, segundo o Marcelo, que esse jogo não deveria ser jogado lá e outras milongas mais.

Diante disso, a diretoria goiana resolveu cobrar 400 reais pelo ingresso, estabelecendo a meia-entrada em 200 reais, com a condição do torcedor não estudante levar 1kg de alimento ou roupa, cobertor, brinquedo, etc (segundo o site oficial do clube os donativos arrecadados serão todos destinados à Organização das Voluntárias de Goiás - OVG.

Dessa forma, a diretoria do Goiás espera arrecadar por volta de pelo menos dois milhões de reais brutos.

Diante dos fatos expostos, caso não sejam contrariados, o Goiás está correto. Quatrocentos reais, o preço oficial, ou duzentos, na “promoção”, são valores muito altos para um jogo de futebol com ingressos de preço único.
Como parâmetro, em 2005 e em 2006 o próprio São Paulo cobrou 150 reais pela cadeira nos jogos finais da Copa Libertadores.

Em tempo: o artigo 16 do Regulamento do Campeonato Brasileiro dá ao clube mandante o direito de cobrar o que quiser, desde que dentro das normas legais.
Esse artigo, posteriormente, recebeu um complemento a pedido dos clubes, estabelecendo o preço mínimo dos ingressos em dez reais.

Ou seja, o Goiás está certo aos olhos do regulamento, e está certo na minha visão a respeito desse tema, que já manifestei em outras oportunidades.
Diante disso tudo, fica claro que esse jogo poderia e deveria ser realizado no bonito Engenhão.



Demonstrativo da renda com ingresso a 50 reais


Ainda a tempo: se o Goiás cobrasse 100 reais cada ingresso e estabelecesse a meia-entrada como padrão (estudantes mais os doadores), e vendesse todos os 18.000 lugares, obteria uma renda bruta de 900.000 reais. Com os descontos devidos:


Despesa

% s/ renda bruta

Valor

Taxa de uso do estádio


135.000

Taxa de aluguel do estádio

10%

90.000

INSS

5%

45.000

CBF

5%

45.000

Federação Brasiliense

5%

45.000

Federação Goiana

5%

45.000

Arbitragem, seguro, outras


10.000 (estimado)


Total despesas

415.000


Renda líquida

485.000 (estimado)



Uma final de Campeonato Brasileiro – ou melhor, um jogo que se transformou em final – tem um grande atrativo e merece uma diferenciação em seu preço. Acho duzentos reais um valor alto, mas não mais exageradamente alto, pois o que realmente está pela hora da morte são os custos adicionais, particularmente os custos do estádio.



Punição?

Fica uma questão: é essa a melhor maneira do STJD punir os clubes? Antes, jogava-se a partida da punição com os portões fechados. Sem dúvida, uma coisa horrível, absolutamente sem graça. A gritaria contra foi alta, por parte dos clubes e por parte dos usuários e mantenedores do espetáculo, os torcedores.

Será que jogar fora de sua casa, a partir de um raio de 100 km é mesmo uma punição?

E por que o tribunal tinha de se intrometer numa questão que poderia e deveria ter sido solucionada pelas duas diretorias?



Post scriptum


A decisão do Goiás provocou intensa polêmica em Brasília e São Paulo, principalmente, repercutindo no Rio de Janeiro e na CBF.

Depois do presidente da Federação Brasiliense ter dito ao diretor do Goiás que a posição da Federação era definitiva, inarredável, o ex-Senador J R Arruda, governador do DF entrou em cena, forçando a reunião e convencendo seu pessoal (alguma dúvida a respeito?) a reduzir as taxas cobradas inicialmente.

Depois de longa negociação com a diretoria do Goiás, incluindo o presidente Pedro Goulart, foram definidos 3 diferentes preços para diferentes setores do estádio:

- Tribunas de honra: R$ 250,00 >> R$ 125,00

- Arquibancadas laterais: R$ 200,00 >> R$ 100,00

- Arquibancadas atrás dos gols: R$ 150,00 >> R$ 75,00


Todos que levarem donativos pagarão meia-entrada.
Preços ligeiramente salgados, sem dúvida, mas compatíveis com a importância do jogo.
Não é simpática essa atitude, mas é correta, de um ponto de vista profissional num esporte competitivo e de custos tão elevados como o futebol.

Não podemos perder de vista dois pontos importantes nesse episódio:

1 - A interferência indevida e autoritária da CBF.

2 - Os custos cobrados por uma federação que administra um bem público.

Muitas críticas estão sendo feitas ao Goiás, mas, na minha visão, não são justas.

É importante, também, destacar que esse caso cria uma importante jurisprudência para uso futuro pelas outras equipes.


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