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quarta-feira, novembro 12, 2008

Players globais – comentando os comentários




Luiz Henrique, toda a estrutura do nosso futebol é baseada em cartórios e nos acordos feitos pelos donos dos cartórios entre eles.

O que é uma federação se não um cartório?
O que é uma confederação se não um grande cartório central?

Nessa estrutura, pensada e consolidada no Estado Novo, não por acaso um regime de ideologia fascista, os clubes não têm poder, os torcedores menos ainda.
Donos de cartórios, ops, quero dizer, presidentes de federações ficam no poder por temporadas longas, a perder de vista. Não raramente, passam esses feudos de pai para filho ou, também, de sogro para genro, principalmente se este nomear o filho com o nome do sogrão, mantendo viva, dessa forma, o nome famoso.

Às federações interessa manter os estaduais, pois a base de votos de seus presidentes está nos times pequenos e estes sobrevivem, em boa parte, ou quase que exclusivamente, do dinheiro ganho nos estaduais da TV e nos jogos contra os grandes.
Se depender deles, os estaduais durariam doze meses, com jogo toda semana.
Isso faz parte de um certo comodismo brasileiro, essa coisa de “pequenos” quererem ser teúdos e manteúdos dos grandes...

Vai ser difícil termos players globais enquanto for mais importante jogar em Sorocaba, Bagé, Juiz de Fora ou Nova Friburgo, por exemplo, do que ver os grandes clubes jogando em Madrid, Amsterdam, Tóquio, Xangai, Milão, Londres...

Sobre o
México: a onda de crescimento pós-NAFTA teve um impacto positivo sobre a distribuição de renda mexicana, cujo PIB é hoje pouco menor que o brasileiro, para uma população que é, aproximadamente, a metade da nossa.
Isto refletiu nos clubes, muitos dos quais têm ótimas estruturas e vão consolidando sua importância no cenário das três Américas.

Eu acredito que já tivemos um bom desenvolvimento da
gestão em muitos clubes brasileiros desde a introdução e consolidação dos pontos corridos e o acesso/descenso de quatro equipes. A necessidade de profissionalizar a administração foi, ainda, reforçada pelo Estatuto do Torcedor e pela adesão à Timemania.
Estamos melhorando, ainda que, na média, a passo de tartaruga manca.

A
Globo não vai interferir nessa estrutura política do futebol brasileiro.
Existindo os torneios estaduais, ela vai brigar para transmiti-los e garantir audiência e fidelidade do espectador.


LBL, quanto à parte técnica, se por um lado concordo que os expoentes máximos de nosso futebol jogam em terras d’Europa, por outro discordo muito de quem diz que por aqui só joga o resto, o terceiro escalão de nossos jogadores.
Esses mesmos jogadores, transplantados para bem organizados times europeus, ganhando bem, com boas condições de trabalho e direções firmes, transformam-se em profissionais de primeira linha.
No momento em que tivermos mais clubes organizados, com boas receitas, com gestão profissional, inclusive no aspecto técnico, teremos elencos melhores.


Ronaldo, veja como são as coisas: até mesmo boa parte dos rubro-negros não gostaram da indicação do Marcelo de Lima Henrique. Estamos falando em players globais e a Confederação e sua Comissão de Arbitragem fazem uma barbaridade dessas. É longo o caminho à frente...


Fernando, paradoxalmente, Flamengo e Corinthians largariam bem atrás hoje numa hipotética corrida para se transformarem em players globais.
Isso em relação a São Paulo e Internacional, não só pelas conquistas recentes, mas também pela estrutura e visão de suas direções.

Potencialmente, entretanto, os dois clubes poderão ser
global players, desde que se estruturem de fato e não de discurso.

Você fala em Top 4 e eu tendo a concordar, mas em parte. Talvez não tenhamos quatro, talvez tenhamos mais de quatro. Talvez, e infelizmente, não venhamos a ter nenhum.
O açodamento da nova diretoria palmeirense foi ditado, em boa parte, por essa visão e pela realidade do futebol hoje, culminando com a necessidade de não deixar o São Paulo distanciar-se.
A nova direção vascaína também tem essa visão, mas de imediato não tem como correr atrás, não sem antes limpar o entulho deixado por Eurico Miranda.
A mesma coisa, diga-se, que vem fazendo o Corinthians em relação aos (muitos) anos de administração Dualib.

O desenvolvimento do Brasil e de seu futebol, levou à multiplicação de times de ponta, de grandes clubes. Essa é uma discussão que mereceria, sozinha, todo um seminário. São Paulo tem quatro grandes times (Santos incluído), o Rio de Janeiro também tem quatro, Porto Alegre e Belo Horizonte têm dois grandes cada uma.
Mas, temos mercados que suportem todas essas agremiações?

Londres, por exemplo, tem um grande time e alguns médios, como o Tottenham e, originalmente, o Chelsea, que só cresceu em virtude da quantidade brutal de dinheiro nele enterrada por Abramovich. Milão tem dois. Madrid, a rigor, tem um só grande clube, assim como Barcelona.

Muitas questões, muitas discussões, muitas possibilidades.

o
Crash de 2008 é um fator novo e complicador. Até 2010, 2011, talvez 2012, viveremos sob seus efeitos, cuja intensidade ainda desconhecemos. Minha crença em virmos a ter players globais permanece, mas demorará mais até chegarmos lá.

Os cartórios tupiniquins ganharam no Crash um aliado de peso, tão maléfico e inútil quanto eles.


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7 Comments:

  • At 11:22 AM, Blogger RONALDO DERLY RODRIGUES said…

    gostei muito desse seu post e sugiro voce aprofundar a questão da existência de mercado ou não para quatro clubes grandes em uma única cidade como é em sampa e no rio,acho que daria mais um post só esse tema.

    abraço ronaldo.

    ps:e o marilia está fazendo de tudo
    para se complicar na série b,ganhando
    em casa deixou empatar,arre égua.

     
  • At 4:55 PM, Anonymous Anônimo said…

    Emerson, voce nao acha que o Fernando Carvalho teve influencia e agiu nos bastidores para que o campeao da Sul Americana possa disputar uma vaga na Libertadores?

    Porque a dois meses atrás ele disse o seguinte na rádio gaúcha perguntando sobre a hipótese:

    " Estou cuidando disso pessoalmente, mas o ideal não é fazer alardes"

    Essa frase cabe interepretações nao acha?.. e outra coisa que me inquieta é que o Inter disse hoje que ja sabia dessa informação.Isso também nao é errado, pois o Palmeiras ,Atletico Pr, Gremio se tivessem essa informação poderiam ter agido diferente na sulamericana.Como os times do exterior que jogaram com reservas muitos deles.Muito estranho nao acha?

    abraço borracho

     
  • At 7:00 PM, Anonymous Fernando said…

    Olá, Emerson.

    Primeiramente agradeço a sua resposta sobre o meu comentário. Concordo com tudo o que você escreveu nesse seu segundo post, principalmente sobre a posição das agremiações nessa “luta” para se tornarem player globais. Sobre esse tema, concordo que o Flamengo e o Corinthians largam atrás de outros times (São Paulo, Internacional e Cruzeiro) devido ao seu endividamento, dificuldade em conduzir os negócios extra-campo (principalmente o Flamengo) e sua diretoria.

    O meu raciocínio ao formar o “Top Four” era de colocar como dominantes os quatro maiores clubes brasileiros, devido as suas potencialidades serem maiores. Na minha opinião esse grupo é sim formado por Corinthians, Flamengo, Palmeiras e São Paulo (sem levar a ordem em consideração), mas no processo de profissionalização do futebol pode haver modificação nesse grupo. O Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Santos não apresentam ainda uma condição de competir com estes outros clubes, claro que isso dentro de um futuro projetado à médio prazo, com todos esses grandes clubes brasileiros estruturados de fato. Sei que tudo isso são apenas chutes sobre incertezas, mas essa minha analise é feita em cima de uma historia desses cubes, sua tradição, conquistas, seu apelo popular, o valor dos patrocínios reais (sem debitar as venda de jogador) sempre superiores aos outros clubes nacionais mesmo em situação ruim, etc.

    O Brasil é um país de proporções continentais (por isso também concordo com 12 sedes para uma copa do mundo) e pensando em campeonato brasileiro, concordo que é inviável pensar em somente 4 clubes dominantes para um país dessa proporção. Poderiam ser os quatro supracitados e mais Internacional, Grêmio, Cruzeiro e Santos, por exemplo. Mas saindo do Brasil e pensando na copa Santander-Libertadores, se eu fosse elencar times brasileiros que poderiam formar um grupo dos 7 clubes dominantes, as maiores “marcas americanas” (traçando um paralelo com as marcas globais!), eu colocaria esse top 4 brasileiro, junto ao Boca/River na argentina, e algum clube mexicano (mesmo que os melhores do campeonato mexicano vão para a recém batizada “Liga dos Campeões da CONCACAF”).

    Agora, tentando deixar essa esfera de hipóteses e conjecturas para lá, espero que os grandes clubes consigam expurgar seus demônios (Dualibs, Euricos, Mustafás, etc), se reconstruir dos escombros, para que disto surja um novo futebol, mais competitivo com a Europa e oriente médio, e muito melhor para todos nós brasileiros. Dentro desse cenário, novas agremiações podem se destacar e outras podem ir para o limbo. Não acredito também que tenha espaço no mercado do futebol para que os 12 maiores clubes brasileiros disputem em condição de igualdade (motivo pelo qual atualmente eu excluí Botafogo, Fluminense, Atlético MG e Vasco), alguns destes vão sair de cena e brigar por Copa do Brasil e estaduais.

    Concordo com a sua crença em termos players globais há longo prazo. Espero também que algum clube brasileiro consiga entrar entre as marcas globais. Dentre as marcas americanas, acho que o São Paulo é o time com maiores possibilidades dentro dos brasileiros e, quanto a isso, espero que nossos clubes consigam dominar o cenário das Américas assim como os paulistas dominam o cenário brasileiro.

    Um grande abraço

    Fernando

     
  • At 12:32 AM, Blogger Luis Henrique said…

    Acho muito agradavel ler seus textos e mais uma vez você demostrou sua capacidade de colocar em palavras os fatos do nosso futebol. Obrigado pela bem explicada resposta.

     
  • At 10:21 AM, Anonymous Maurício Pena said…

    EMERSON,

    Se a análise feita para se ter um PLAYER GLOBAL for o fator dívidas, é preciso que se leve em consideração que o Flamengo tem cerca de 200 milhões em dívidas dos quais aproximadamente 196 milhões estão equacionados com a Timemania. Você sabe melhor do que ninguém que se a dívida tá composta e com prazo e forma de pagamento definidos ela não causa grandes temores. Nada nesse país, em se tratando de futebol, mídia esportiva, marca, etc, pode passar sem a presença de ponta do Flamengo. As conquistas no futebol são CÍCLICAS, ou alguém acha que o São Paulo vai continuar sendo Campeão Brasileiro todo ano ? OU ano sim, ano não? Acredito que, se campeão esse ano, o São Paulo vai amargar um bom período sem títulos no Brasileiro a partir de 2009 porque, do contrário, é melhor acabar com esse campeonato.

     
  • At 5:11 PM, Anonymous Anônimo said…

    Vale ressaltar que a maioria dos clubes possui dividas com vencimento em curto e médio prazo (botafogo, corinhtinas, palmeiras, atletico MG, fluminense, flamengo e vasco), o que acaba por comprometer o fluxo de caixa desses times durante todo o campeonato. Todas as grandes marcas do futebol brasileiro são importantes para o sucesso do campeonato, e com o Flamengo não é diferente. Mas a estrutura e visão de sua diretoria, as más negociações com patrocinador e ainda as dividas de curto e médio prazo fazem o Flamengo um time que não larga na frente pelos Players Globais (exceção feita ao Ronaldo).
    Abraço

     
  • At 5:35 PM, Anonymous Maurício Pena said…

    Lembrou bem meu caro Anônimo...O Ronaldo Fenômeno e o Flamengo já sai na frente...hehehehehehehe

     

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