Um Olhar Crônico Esportivo

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domingo, março 30, 2008

Tarde agradável na 3ª divisão

Fui ao estádio “Nicolau Alayon”, do tradicional Nacional Atlético Clube, assistir ao jogo do time da casa contra o São Carlos, pelo Campeonato Paulista da Série A 3.

Essa divisão conta com 20 clubes, entre os quais a Francana, o Linense, o Taubaté e o XV de Piracicaba, que já foram membros da 1ª divisão com bastante história. Alguns clubes, como o próprio São Carlos e mais o São Bernardo e o Votoraty, apresentam um “Ltda.” no final do nome, tal como o líder da 1ª, o Guaratinguetá – mas, ao menos por enquanto, sem o mesmo sucesso.


Deixei meu carro no estacionamento do próprio estádio – baita conforto – com toda segurança e comodidade, por módicos dez reais. Justíssimo. Esse, por sinal, é também o preço da arquibancada (e a “meia” sai por cinco reais, claro). Outro conforto do estádio é a localização, numa via paralela à Marginal Tietê, portanto, com acesso fácil de qualquer lugar de São Paulo.


Tarde de outono perfeita para a prática do esporte bretão que consagrou Dodô, o “artilheiro dos gols bonitos”, que começou no Naça, atravessou a Marquês de São Vicente para o CT do São Paulo e ali consagrou-se. No estádio, com capacidade para 11.000 pessoas, apenas uns 500 torcedores – aliás, menos, menos... Ao meu lado sentou-se um cara que, no meio do 1º tempo atendeu a uma chamada no celular. Pela conversa percebi, muito facilmente, que estava ao lado de um empresário. Tinha outro a uns dois metros de onde eu estava. E vi outros dois ou três quando mudei de lugar no 2º tempo.
O primeiro que citei, que falava ao celular, estará assistindo hoje ao jogo Flamengo (Guarulhos) x Linense, em companhia de outro empresário.

Na noite de quinta-feira estava no Morumbi vendo São Paulo x Sertãozinho, bem diferente do jogo de ontem. No Morumbi, a distância para o campo é grande e o estádio imenso torna tudo ainda menor. No Alayon, pelo contrário, tudo parece e está mesmo muito perto. É outro futebol. Aliás, a diferença está também nos jogadores. Jogar na 1ª divisão e, principalmente, num time que disputa a Libertadores, requer jogadores com maior massa muscular, maior resistência, mais força, por exigência mesmo das competições e do ritmo de disputa. Ver um jogo como esse de ontem nos leva para mais perto do futebol real, o que é, também, muito gostoso.

O jogo em si foi agradável como a tarde fresca, nuvens cobrindo o sol, promessa de chuva para a noite. O Naça dominou o começo do jogo, ameaçou, mas não conseguiu marcar.
O São Carlos, a “Águia da Central” como informou o amigo Vinícius, equilibrou e ameaçou até sair na frente.


Primeiro gol, a bola entrando


Rogério, centroavante do Nacional, disparou um petardo que explodiu na trave. Petardo e explodiu são duas palavras bem aplicadas ao chute.

Cometendo uma heresia, o choque violento contra a trave chegou a ser mais bonito do que se a bola tivesse entrado. O São Carlos devolveu com uma cabeçada de seu 10 também na trave.

O segundo tempo começou quente, mas só teve gol aos 13’, marcado pelo mesmo Rogério, em boa cabeçada em bola muito bem cruzada pelo lateral-direito, depois de uma jogada rápida e bonita. Ele mesmo também marcou o segundo gol em outra cabeçada, dessa vez em bola cruzada da esquerda.

Segundo gol, segundo de Rogério


Entre um gol e outro, o São Carlos cresceu muito, graças, em parte, a um recuo do Naça, e esteve muito próximo do empate. Que só não saiu, acredito, porque Rogério se encarregou de jogar um balde d’água fria com seu segundo gol. E graças,

também, às boas defesas do goleiro (cujo nome, lamentavelmente, não registrei), para mim uma boa surpresa, pois, como estou acostumado aos goleiros da nova geração, quase todos muito altos, duvidei de sua qualidade ao vê-lo em algumas defesas no começo do jogo.

Com essa vitória, o Nacional alcançou, pelo menos até o

final da rodada, hoje, a quarta colocação no campeonato. Das 20 equipes, as quatro últimas nessa fase serão rebaixadas e oito serão classificadas para a segunda fase divididas em dois grupos com quatro equipes cada. Dessas oito, as duas primeiras de cada grupo serão promovidas para a Série A 2 e as primeiras colocadas de cada grupo disputarão o título estadual da série. O Naça está bem próximo de se garantir entre os oito.

Quem sabe...

O médico do Nacional, o Dr. Giulio, teve dupla jornada nessa partida e correu para atender os jogadores do São Carlos algumas vezes. É praxe nessa divisão o time visitante não levar seu médico, ficando assim, o médico da casa, como responsável pelos dois times.

Uma excelente maneira de pôr em prática o juramento feito a Hipócrates na formatura e algo bonito de se ver, muito simpático, principalmente nesses tempos de disputas e rivalidades exacerbadas. Mais tarde, o Dr. Giulio disse-me que nas fases decisivas ou em jogos idem, com rebaixamento ou classificação em jogo, a situação muda e cada um leva seu próprio médico.

Dessa forma, lá se foi uma tarde gostosa, com bom futebol, divertida, com índice zero de estresse ou stress, somente lazer de boa qualidade. Compartilhado por pouquíssimas pessoas, o que me leva, uma vez mais, a duvidar da tal paixão do brasileiro por futebol. Hoje, na verdade, estou certo que ela é tão verdadeira como uma nota de sete reais. Já na Inglaterra ou Alemanha ou França, um jogo como esse teria mais de dez mil torcedores, talvez vinte mil, na Inglaterra, onde a média de público nos jogos da 5ª – quinta! – divisão é de 8.500 pessoas.

Terceira, Segunda, Quarta divisões: recomendo seus jogos a todos.

Acreditem, vale a pena assistir.


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3 Comments:

  • At 7:01 PM, Blogger Clube do Bolão said…

    Emerson, sua vinda ao Nacional foi muito bem-vinda!
    Você está intimado a comparecer nos próximos jogos.....
    Gde abraço amigo!

     
  • At 7:02 PM, Blogger Giulio Cesare said…

    Emerson, sua vinda ao Nacional foi muito bem-vinda!
    Você está intimado a comparecer nos próximos jogos.....
    Gde abraço amigo!

     
  • At 1:59 PM, Blogger Vinícius said…

    Emerson, apenas agora pude ler seu post. Grato pela lembrança
    Abraço

    Vinícius

     

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