Um Olhar Crônico Esportivo

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sábado, março 29, 2008

Gueto ou Divisão?


Fomos surpreendidos na noite de anteontem com uma aparente boa notícia, mas que poderia e deveria ser muito melhor do que deixou escapar o presidente da Federação Gaúcha:

“Presidente da FGF se antecipa à CBF e anuncia criação da Série D

Do UOL Esporte - Em Porto Alegre

A partir de 2009 o futebol brasileiro passará a ter, também, uma Série D nacional. A novidade foi divulgada por acaso, pelo presidente da Federação Gaúcha de Futebol, Francisco Noveletto, que assim "furou" a Confederação Brasileira, que só deve anunciar o fato na próxima semana.

Em contato telefônico com o UOL Esporte no começo da noite desta sexta, Noveletto admitiu ter cometido um erro. "Achei que era notícia velha e acabei comentando o assunto com um amigo de Pelotas. Só agora, com a repercussão do fato, vi o que fiz. Fiquei numa saia justa".

A Série D, que surgirá em 2009, será disputada nos moldes da Série C atual, ou seja, com 64 clubes e de forma regionalizada. Já a C, em 2009, terá apenas 20 clubes e passará a ser uma cópia do modelo utilizado nas séries A e B, com quatro clubes subindo e quatro descendo ao final da temporada.”

Há alguns anos sou favorável à criação de uma 4ª divisão no futebol brasileiro, acompanhado por uma revitalização da 3ª divisão. Isso, para mim, ganhou importância a partir do momento que concluí pela necessidade de acabar com os torneios estaduais, dando a nosso futebol um calendário mais racional e, de preferência, adaptado ao calendário europeu.

Considero que os grandes clubes precisam ter uma pré-temporada de fato e não de mentirinha, com pelo menos 45 dias de duração e não os risíveis 7 a 12 dias de hoje.

Julgo importante, também, que esses clubes disponham de uma folga no calendário que lhes permita jogar fora do país, nos lucrativos e interessantes torneios de verão da Europa, parte da Ásia e agora também da América do Norte. Esses espaços são hoje ocupados por times argentinos, colombianos e, cada vez mais, mexicanos.

Finalmente, mas não menos importante, os clubes pequenos precisam ter um calendário atraente que mantenha-os ocupados por um mínimo de nove a dez meses para todos. Hoje, a grande maioria desses times fecha para “hibernar” durante seis, até sete meses.

Numa reorganização de nossa estrutura, uma 4ª Divisão seria fundamental para manter as equipes em atividade, disputando longas etapas regionais, antes de chegar a uma fase decisiva mais curta, já com os classificados de todas as regiões.

A 3ª Divisão seria, de fato, um prêmio para as equipes campeãs da Série D – já que a mania besta de usar letras vai continuar. Para mim, a 4ª divisão seria muito ampla, abrigando muito mais que os propalados 64 clubes do vazamento do presidente da Federação Gaúcha, levando a 3ª Divisão, igualmente regionalizada, embora menos que a 4ª, a ter 32, talvez até 40 clubes.

Idéias, projetos, propostas...

Tudo muito vago, tudo muito bonito no papel, seja a minha, seja a de qualquer outro, com uma coisa em comum entre todas: batem de frente com a triste realidade vivida hoje pela 3ª Divisão. Virtualmente ignorada, abandonada pela CBF que contribui com nada ou quase nada. Há dois anos, uma equipe de Belém viajou 100 – cem – horas de ônibus para chegar a Cuiabá e disputar uma partida. Perdeu o jogo, é claro, mas tiveram mais sorte na volta, chegando em Belém depois de apenas 50 horas de viagem.

Se a CBF já ignora a Série C, o que fará com a Série D?

O que pretende a dona do futebol brasileiro?

“Elitizar” e diminuir o gueto chamado 3ª Divisão, nela concentrando os 20 melhores clubes e criar um novo e mais pobre gueto com o pompos nome de Série D?

Ou mudar de fato alguma coisa na estrutura de nosso futebol?

Não gosto de respostas antecipadas, mas, infelizmente, inclino-me a responder “Sim” à primeira pergunta e “Não” à segunda.

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4 Comments:

  • At 2:16 PM, Anonymous GIGI said…

    É Emerson,
    ...tá tudo muito bom,
    ...tá tudo muito bem,
    mas e o apoio financeiro ?
    .
    Infelizmente, o dinheiro determina o sucesso ou o fracasso.
    Pelo que sei, nem a série C tem apoio financeiro suficiente, imagina a série D????
    .
    A idéia é boa, os motivos são nobres, mas sem apoio financeiro não vai, até porque os prováveis clubes participantes são pobres.

     
  • At 11:00 PM, Blogger Emerson said…

    É bem por aí, Gigi, infelizmente.

    Mais uma ficção tupiniquim, essa patrocinada pela dona do futebol brasileiro.

    :o(

    A propósito de armações e mal-feitos, respondi teu comentário no post anterior.

     
  • At 11:34 PM, Anonymous GIGI said…

    Em relação ao post anterior:

    Pelo que entendi, a possibilidade de transmissão pelas TVs educativas e públicas, se dará exclusivamente em eventos olímpicos ou similares em que hajam representantes do Brasil.
    Mas é claro que haverá prejuízos a detentora do direito de transmissão do evento, como por exemplo no caso dos Jogos Olímpicos citado por você.

     
  • At 4:03 PM, Blogger Roberto C. Limeira de Castro said…

    O novo certame da Série D de âmbito nacional é ótimo, o qual, é digno dos nossos mais efusivos parabéns ao Departamento Técnico da CBF, pois, visa tirar mais de 20 clubes do total ostracismo, que participarão da série C.

    Como dirigente de vários clubes participantes da Série C pudemos sentir na pele o que é participar de uma primeira fase da atual série C que dura apenas 20 dias e ter que contratar um elenco de mais de 30 jogadores com um contrato mínimo de 03 meses exigido por lei.

    Por isso, batalhamos muito junto aos dirigentes regionais para pressionar as Federações e a CBF, no sentido de propiciar a regionalização da Série C com quatro grupos de 16 clubes, para que os clubes de menor porte pudessem jogar pelo menos 15 partidas na primeira fase no segundo semestre.

    Para complementarmos a idéia, sugerimos uma série D, ao estilo das Séries subalternas da Itália e da Espanha, que têm em torno de 128 clubes. O objetivo dessa nova série D seria ocupar todos os clubes brasileiros participantes das Séries A estaduais da ociosidade do segundo semestre.

    Seria fácil e barato implementar essa certame da série D democrática, compondo-o com todos os clubes estaduais das Séries As, não incluídos nas três primeiras divisões.

    Bastava para isso, esquematizar os clubes em 27 chaves estaduais no segundo semestre e dias otimizados, no lugar das deficitárias Copas Estaduais. Os Campeões das chaves estaduais (27), se juntariam aos vice-campeões dos 05 mais ricos Estados (SP-RJ-MG-RS e PR) totalizando 32 clubes, os quais, fariam as finais bem motivadas da referida Série D, com ascensão dos 08 primeiros para a série C do ano seguinte. Essa medida daria uma maior mobilidade para que os clubes profissionais de todo o Brasil pudessem se desenvolver.

    Assim, todos os clubes brasileiros das Séries As, regionais, cumpririam o que exige o Estatuto do Torcedor com um mínimo de 10 meses de atividades.

    No primeiro semestre, os principais clubes estaduais disputariam os certames regionais (Sul, SP, RJ, (MG-ES), Nordeste, Meio Norte, Amazônia Ocidental e Centro-Oeste), todos como partes integrantes de uma Nova Copa do Brasil verdadeira, ao estilo da antiga Copa dos Campeões. Os demais clubes estaduais disputariam as divisões inferiores dos regionais com direito ao acesso às Séries As regionais respectivas.

    Mas, como o pessoal do futebol é lerdo e acomodado, já é uma grande conquista essa melhoria qualitativa de mais 20 clubes no espectro de elite.

    Pena, que centenas de clubes estaduais, não incluídos no nível nacional tendem a desaparecer por falta de atividades.

    Uma proposta dessa envergadura teria o total apoio de todos os clubes e Federações. Já, o financiamento de poucas despesas, caberia à CBF e às Federações buscarem patrocínios para os seus clubes ou um apoio estratégico das divisões superiores que açambarcam todos os recursos da TV e da Timemania. Com 2% dos 450 milhões da TV daria para manter todos os clubes em atividade no Brasil e gerando centenas de novos craques para os próprios grandes clubes.Certamente, eles ganhariam 10 ou 20%, com a venda de jogadores, segregando estes 2% da verba da TV.

    Falta visão de conjunto aos dirigentes.

     

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