Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

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segunda-feira, setembro 15, 2008

Nasce o G4






Nesse blog há uma tag – G5 – que foi criada em 2007, com seu primeiro post no dia 16 de outubro. A esse, seguiram-se mais alguns, escritos durante um período meio agitado, meio turbulento, no Clube dos 13. Um dos posts tem como título “G 5 à vista”, e falava da criação do grupo constituído por Atlético Mineiro, Botafogo, Cruzeiro, Flamengo e São Paulo. No final desse post, esse blogueiro vaticinava que o G5 teria vida curta, dadas suas contradições e diferenças internas, o que levaria os clubes maiores em torcida e visualização na TV a negociarem separadamente seus contratos de direitos de transmissão.

Numa previsão este Olhar Crônico Esportivo acertou: a vida curta do G5; mas errou no motivo para a morte prematura e na decisão dos grandes negociarem isoladamente. Atlético Mineiro e Cruzeiro nunca estiveram, de fato, dentro do G5, apenas flertaram com a idéia e no primeiro embate a sério dentro do Clube dos 13 votaram com a corrente majoritária e com a direção da entidade.

Na prática, Flamengo e São Paulo permaneceram isolados e ausentes, com a participação vacilante do Botafogo. Outro clube que flertou com o grupo, mas ficou fora, foi o Corinthians. Inclusive, durante as negociações dos contratos de TV, o representante corintiano na Comissão de Televisão, Luiz Paulo Rosemberg, representou os interesses do São Paulo e também do Flamengo, fato revelado por este blog. O time do Parque São Jorge, com essa postura, permanecia alinhado ao Clube dos 13, mas não deixava de estar em boas relações com São Paulo e Flamengo, por outro lado. Andrés Sanches, ao seu estilo político, jogava nas duas pontas ao mesmo tempo. Só faltou correr para a área e cabecear.

O tempo passou, algumas contradições se agravaram, São Paulo e Flamengo permaneceram à parte dos processos decisórios do Clube dos 13, Sanches ficou mais à vontade e seguro na direção corintiana e, sobretudo, os dirigentes dos dois oposicionistas em momento algum deixaram de pleitear mudanças nas regras, principalmente, da distribuição dos valores pagos pelo futebol pela TV e outras mídias.

Com a eleição de Roberto Dinamite no Vasco, houve uma grande aproximação, um flerte que passou a namoro, quase virou noivado, entre o clube de São Januário e os ‘rebeldes’, mas, tal como já haviam feito os dois grandes de Minas Gerais, o Vasco também ficou de fora do grupo de oposição e vem votando com a ala majoritária e com a direção de Fabio Koff, nunca chegando a ser parte da oposição que, agora, formaliza sua existência e diz a que veio, com o nome que já caiu na mídia de G4: Botafogo, Corinthians, Flamengo e São Paulo.

Nem tudo, porém, são rosas: na constituição do grupo, Márcio Braga votou em nome do Botafogo e de Bebeto de Freitas. Logo depois, pessoas do clube da estrela solitária começaram a dizer que não era bem assim, que Márcio Braga não tinha representação legal e formal para votar em nome do Botafogo.

Nem bem nasceu e o G4 já corre o risco de virar G3.

Apesar de sua declaração de intenções – excelente, por sinal, mas, como diz o povo, de boas intenções tem um certo lugar que já está cheio delas – os clubes do G4 desejam, em primeiro lugar, garantir aos seus componentes uma fatia maior do bolo geral das verbas negociadas via Clube dos 13.

Não se trata de instituir novas cotas, e sim de aumentar a participação de seus membros nas receitas que superam o valor atualmente em vigor. Não há, pelo menos que eu saiba, uma fórmula a respeito, mas a idéia é manter a participação atual dos clubes nas receitas tal como está e discutir outra divisão nas novas negociações e receitas.

Outro ponto importante que levou os clubes à oposição, conforme foi manifestado mais de uma vez por dirigentes do Flamengo e São Paulo, foi a vontade de participar mais ativamente das tomadas de decisão nos assuntos que dizem respeito aos clubes, processo que, segundo esses dirigentes, seria dificultado ou mesmo impedido pela atuação da direção do Clube dos 13, respaldada, claro, pelo estatuto da entidade.

Sem julgar se o G4 será melhor ou pior que o Clube dos 13, sem entrar no mérito de seus propósitos, este Olhar Crônico Esportivo considera sua criação um fato positivo, no sentido de serem clubes se unindo para lutar por objetivos que consideram justos. Num cenário dominado por uma estrutura federativa ultrapassada, carente de representatividade de fato, amparada tão somente por uma representatividade jurídica, uma legalidade que remonta ao Estado Novo e sua concepção fascista, iniciativas como essa devem ser saudadas. Depois, com a prática, veremos como se comportam.

Temos, agora, o Clube dos 13, a Futebol Brasil Associados e o G4. Há uma tentativa de criação de um órgão formado pelos clubes das séries C e D, esquecidos e abandonados por todos, a começar por quem mais deveria cuidar deles, a Confederação, que supostamente responde por todo o futebol brasileiro, com a missão de desenvolvê-lo e torná-lo melhor a cada nova temporada. Acredito que o desenvolvimento da indústria do futebol levará os clubes, inevitavelmente, a entrarem em choques cada vez mais freqüentes com essa estrutura. Nesse momento, suas entidades próprias ganharão mais peso e importância.

A ver.

Enquanto isso, nasce uma nova tag no Olhar Crônico Esportivo: G4.


Adendo: a seguir, transcrição da Declaração do Morumbi e das Normas Iniciais Para Atuação do Grupo.








DECLARAÇÃO DO MORUMBI



O G4, grupo formado inicialmente pelos clubes Botafogo, Corinthians, Flamengo e São Paulo, reunido em São Paulo no dia 11 de setembro de 2008, declara o seguinte:


1. Na reunião tivemos uma produtiva e instigante discussão sobre a indústria do esporte, suas implicações políticas, questões sócio-econômicas e nossos planos para o futuro.


2. Nos reunimos porque compartilhamos características, crenças e responsabilidades. Cada um de nós é responsável por trabalhar para que nossos respectivos clubes consigam os melhores resultados desportivos, econômicos e sociais. Somos responsáveis por desenvolver ao máximo a indústria do esporte, de forma transparente e democrática, contribuindo para o crescimento do país, gerando emprego e renda. Nosso sucesso fortalecerá o futebol brasileiro e cada um de nós é responsável por assegurar que o esporte seja um vetor de prosperidade e uma ferramenta para o desenvolvimento integral da pessoa humana.


3. Para assegurar os melhores resultados técnicos, econômicos e sociais de nossa atividade, não mediremos esforços para manter um diálogo permanente e pretendemos tomar em conjunto decisões relativas à comercialização de nossas propriedades, como, por exemplo, os direitos de marketing, publicidade, captação, exibição e transmissão de nossos jogos.



4. Assumimos o compromisso de colaborar com a CBF para o desenvolvimento do futebol brasileiro. Estamos seguros que nossas atividades não são incompatíveis com a sua organização. Temos certeza que juntos poderemos contribuir para trabalhar questões importantes como o calendário, o regime tributário dos clubes, a proteção ao atleta em formação e ao clube formador, o êxodo de nossos atletas para o exterior, entre outros.



5. Pretendemos intensificar nossa cooperação entre os próprios membros do G4 e com todas as entidades e instituições, públicas e privadas, para discutir e resolver os nossos problemas.


6. Concentraremos esforços em negociações e estudos de mercado capazes de potencializar produtos ainda pouco explorados como, por exemplo, os relativos às novas mídias, internet, telefonia celular, naming rights e toda segunda linha de patrocinadores. Nós estamos convencidos que o G4 pode desempenhar um papel importante no desenvolvimento e promoção destes produtos.

7. Acreditamos que a cooperação com outros clubes seja fundamental para alcançarmos os melhores resultados econômicos. Por isso, buscaremos ampliar o G4 de modo a permitir a participação daqueles clubes que compartilharem conosco as necessidades e as condições de potencializar seus resultados econômicos.



8. A Copa do Mundo de 2014, anseio da população brasileira, consolidará as aspirações daqueles que fazem do futebol o esporte mor da nação. Estamos plenamente comprometidos em contribuir para seus melhores resultados e buscaremos ampliar nosso relacionamento com o futebol mundial.



A presente declaração foi aprovada pela unanimidade dos membros do G 4, reunidos em São Paulo no dia 11 de setembro de 2008.



Botafogo

Corinthians

Flamengo

São Paulo





NORMAS INICIAIS PARA ATUAÇÃO DO GRUPO




1- O G4 é o grupo formado pelos clubes: Botafogo, Corinthians, Flamengo e São Paulo

§1º- Outros clubes poderão participar deste grupo, o que alterará seu nome para refletir o número de participantes.


2- A cada ano, o Porta-Voz do grupo será escolhido dentre seus membros, o que será decidido no encontro anterior ao início do ano em que exercerá a função. O primeiro encontro acontecerá na cidade de São Paulo, onde será anunciado o Porta-Voz para 2009, que, excepcionalmente, exercerá a função pelos meses remanescentes de 2008.


3- O Porta-Voz é o responsável por organizar a Reunião Anual do G4, denominada Cimeira. A Cimeira será uma oportunidade para os Presidentes dos Clubes membros discutirem pessoalmente os temas fundamentais para a defesa de seus interesses. O Porta-Voz tem a responsabilidade de falar em nome do G4 e envidar os esforços necessários ao bom andamento dos trabalhos.


4- Reuniões poderão ser organizadas antes da Cimeira para discutir os temas de interesse comum e preparar a agenda da própria Cimeira. Nestas reuniões os Presidentes poderão se fazer representar pelos seus assessores técnicos. As reuniões preparatórias têm o propósito de promover um diálogo permanente e manter o foco dos trabalhos do grupo. Os membros se corresponderão durante o ano inteiro sobre os temas de seu interesse.


5- O presente texto foi aprovado pela unanimidade dos membros do G4, reunidos em São Paulo no dia 11 de setembro de 2008.



Botafogo

Corinthians

Flamengo

São Paulo



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1 Comments:

  • At 8:56 AM, Blogger Fábio José Paulo (FAJOPA) said…

    Uma pena que esses clubes endividados e que antecipam receitas do ano seguinte, atrapalhem iniciativas como essas, que visam maiores valores para os grandes clubes brasileiros.

    Lamentável!

     

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