Um Olhar Crônico Esportivo

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segunda-feira, fevereiro 11, 2008

Vai começar!


"A América do Sul tem o maior rio, a maior floresta, a maior cadeia de montanhas e a maior variedade de formas de vida de todos os continentes da Terra.

Somente a Bacia Amazônica tem 1/5 de toda a água doce do planeta.”

Assim começa um dos belíssimos documentários da inglesa BBC sobre a América do Sul, um continente que se estende do Caribe e Amazônia à Patagônia e ao encontro tormentoso das águas do Atlântico com as do Pacífico, já quase encostando na Antártica, tendo a Cordilheira dos Andes como se fosse uma gigantesca coluna vertebral de norte a sul. É, igualmente, o continente dos imensos chapadões e da caatinga, do Pantanal e dos grandes planaltos, que estão entre as terras emersas mais antigas do planeta.

Um continente que não é só natureza.

Muito antes da chegada dos europeus aqui florescia uma importante e imponente civilização, a dos incas.

Centenas de povos indígenas habitavam suas terras, do Caribe à Terra do Fogo, das planícies costeiras às altitudes andinas.

Hoje, tirando as línguas nativas e o inglês e francês do Suriname, Guiana e Guiana Francesa, a América do Sul é um continente onde apenas duas línguas irmãs são faladas, o espanhol e o português.

Em meio a tanta diversidade, uma quase unidade linguística.

Esse é um continente de extremos em muitos sentidos, e, voltando ao início, é o continente com a maior variedade de vida sobre o planeta, com parte significativa dela ainda desconhecida.

Esse continente tem um torneio de futebol que é a sua representação esportiva, uma competição que é a cara da América do Sul, é a manifestação no futebol da mesma diversidade e riqueza de ecossistemas e de povos que nos caracteriza:







Sobre a altitude

Esse texto já estava escrito e salvo aguardando publicação, quando saiu a informação que o Flamengo conseguira o apoio do São Paulo e do Fluminense, ao seu pleito, já endossado anteriormente pelo Cruzeiro, contra jogar em cidades acima de 2.750 metros do nível do mar. A postura em si é inócua, é muito mais um jogo para a arquibancada e a tentativa de justificar a declaração infeliz do vice-presidente rubronegro dizendo que preferia perder por WO a fazer seu time jogar de novo na altitude. Já se jogou inúmeras vezes nas altitudes bolivianas e peruanas, sem nenhum acidente, sem nenhum problema médico, exceto desconfortos sentidos em maior escala por alguns jogadores. Não vale a pena reproduzir tudo que já foi dito a respeito e segue o post tal como escrito anteriormente.


Essa velha questão volta à arena das discussões. Sem dúvida, jogar acima de três mil metros é desagradável e alguns jogadores sentem mais que outros. Todavia, é menos perigoso à saúde dos atletas do que jogos sob o sol de verão em cidades costeiras ou do interior, em baixas altitudes e sob temperaturas elevadíssimas. Se a umidade relativa do ar estiver alta e sem vento,as condições ficam ainda piores,colocando seriamente em risco a saúde dos atletas.

Querer tirar a Libertadores de Potosí, Oruro, La Paz, Quito, Bogotá, Medellin, é pasteurizá-la, é diminuir a América do Sul.

Tirar a Libertadores de Cuzco é ofender a memória inca, ofender seres humanos que venceram e viveram nas altas montanhas em tempos remotos e em condições infinitamente mais difíceis que aquelas enfrentadas pelos povos das planícies litorâneas e beira-rio.
Quando se joga em Cuzco pela Copa Libertadores, mais que em outras cidades, sente-se que a América do Sul respira e se mostra por inteiro.

Esse, afinal, é o continente da Copa Santander Libertadores de América.




Libertadores ampliada e em nova fase

A virtual unidade lingüística do continente é, com certeza, em parte responsável pela integração com o futebol do México. A presença dos times mexicanos amplia o alcance e a importância da Copa, e deixa claro que integrar não só a terra dos aztecas e maias, outras duas grandes civilizações pré-colombianas como dizem os nossos livros de história, mas também o futebol dos Estados Unidos, é um processo irreversível e que já teve início com a Copa Sul Americana. Esse é o futuro.

O ano de 2008 marca o início de uma nova fase na vida da Libertadores de América, agora com o patrocínio do Banco Santander (ver a respeito posts desse Olhar Crônico Esportivo em 11/9, 28/9 e 20/12 ). A Copa estará mais presente na mídia em todos os países, com ações de comunicação especialmente pensadas e produzidas para ela.

Sua visibilidade vai crescer principalmente fora do continente e, com ela, sua importância.



Amanhã, uma curta análise sobre os times brasileiros e alguns comentários sobre a Copa.
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