Um Olhar Crônico Esportivo

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sábado, outubro 20, 2007

G5, C 13 e negociações isoladas


Fabio Koff é ex-presidente do Grêmio e dirige o C13 há 12 anos. Quer ficar mais 3 anos e depois, aproveitando o novo estatuto, outros 3 anos. Nesse caso, dirigiria o Clube dos Treze por nada menos que 18 anos. A essa altura dos acontecimentos, é inevitável que se pense em seus desejos como sendo apenas a expressão de um projeto de vida, nada tendo a ver com o sucesso e bem-estar dos clubes associados.

Affonso Della Monica é presidente do Palmeiras. Teoricamente, deveria estar alinhado com os interesses de Flamengo e São Paulo, mas dificilmente vai ficar ao lado do Tricolor, por força de velhas rixas que ganharam força internamente nos últimos anos.

Eurico Miranda é o Vasco. Seu estilo administrativo torna difícil qualquer análise baseada na lógica, exceto uma: ele,e por extensão o clube, estará sempre do lado oposto ao que estiver o Flamengo.

Andrés Sanches é o novo presidente corintiano. Para ser gentil, o mínimo que se pode dizer é que está perdido no emaranhado que se tornou o clube do Parque São Jorge. Ainda não descobriu o tamanho da dívida, mas sabe que é gigantesca e em sua maior parte vencendo a curto prazo. Pior: em sua maior parte é dívida que não poderá entrar na negociação da Timemania. Comenta-se que o clube já teria recebido adiantamentos da Globo sobre o ano de 2008, hipótese na qual esse blog não acredita, mas que dá uma boa imagem do tamanho do imbróglio que Sanches recebeu (e ajudou a criar, não se pode esquecer). Mais ainda que Vasco e Palmeiras, o Corinthians deveria estar na linha de frente contra a gestão Koff e, principalmente, contra o atual modelo de distribuição dos direitos de TV. O alinhamento com o C 13 e a declaração de Fernando Carvalho que o Corinthians continuaria negociando seus direitos juntamente com os demais clubes são sintomáticos e indicativos do momento de fragilidade que vive o clube.

Fernando Carvalho, nome de prestígio entre os dirigentes mais recentes, deve ter calculado que é mais interessante ao seu Internacional manter-se ao lado e à frente da maioria, apostando na sobrevivência do C 13, do que arriscar-se a um vôo oposicionista ao lado de forças que ele não conseguirá controlar (Flamengo e São Paulo).

Fluminense e Grêmio, assim como o Palmeiras, abdicaram de exercer papeis de protagonistas e permanecem a bordo do mesmo navio, onde sentem-se confortáveis.

O mesmo ocorre com o Santos, talvez o mais confortável dos quinze passageiros do navio C 13.

Rivalidades clubísticas, projetos pessoais e clubes enfraquecidos parecem ser determinantes no funcionamento e fixação de objetivos do C 13. A reclamação do presidente do Flamengo contra a atuação inexistente dessa entidade continuará sendo verdadeira. Mesmo que Fernando Carvalho seja candidato a presidente e vença, ou continue como vice de Fábio Koff, mas com papel mais determinante no dia-a-dia do Clube, a ausência ou oposição dos clubes do G5 vai tirar boa parte do peso da nova administração.

Mar de rosas no G5?

Longe disso. Mares de rosas são verdadeiros nas imediações do porto seguro em que começam. Logo depois as rosas diminuem e os espinhos aparecem. Num certo ponto, as rosas inexistem e os espinhos são a única realidade.

O primeiro imbróglio possível, mas não provável, é o rebaixamento para a série B que ameaça, ainda, o Atlético. Um pouco, talvez, o Botafogo, mas isso muito mais por um momento que pode e deve ser passageiro. Isso quebraria parte da pouca uniformidade que apresentam esses clubes.

O segundo imbróglio aparecerá quando (e se) forem negociados os direitos de TV para 2009. Os apetites de Flamengo e São Paulo serão muito maiores, como já se pode ver hoje, e um choque com os apetites dos demais passa a ser previsível, mesmo porque a realidade dos clubes é muito dinâmica e sujeita a alterações de peso em função de resultados dentro dos gramados. Isso e mais as fortes lutas políticas que marcam alguns dos membros do G5, acaba levando a constantes trocas de posições políticas.

Creio que, a curto ou no máximo a médio prazo, o G5 estará às voltas com insolúveis problemas de convivência. O resultado direto disso tudo, inevitavelmente, será a negociação direta dos clubes com a TV. Hoje, com a presença solidificada da Globo, os clubes precisam de união para uma boa negociação. Amanhã, com a possível presença da Record e a concorrência com a Globo, a negociação isolada deixará de ser perigosa e passará a ser muito atraente.

Se você enfrenta um adversário muito grande e muito forte, você precisa, para equiparar-se a ele, juntar-se aos seus iguais, ganhando força.

Se você enfrenta adversários que disputam o mesmo objetivo, você pode agir isoladamente, aproveitando-se da disputa entre os adversários.

Hoje, para negociar só com a Globo, a união é fundamental, seja de treze, vinte ou de cinco.

Amanhã, alguém atuando isoladamente poderá dar-se bem.

Acho que é esse o futuro.


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