Um Olhar Crônico Esportivo

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domingo, outubro 14, 2007

CALENDÁRIO 2008


Parabéns à CBF. Estamos na primeira quinzena de outubro e já temos o calendário do futebol brasileiro para o ano de 2008.

Esse, porém, é o único elogio que esse calendário merece. Apesar das recomendações de preparadores físicos, médicos e fisiologistas, além da experiência internacional, uma vez mais nossos atletas que jogam futebol não terão uma pré-temporada antes de iniciar as disputas por títulos regionais e pelo título da Libertadores. As férias terminam dia 6 de janeiro e já no dia 16 começam os campeonatos estaduais. No dia 30 começa a fase Pré-Classificatória da Copa Santander Libertadores, e no dia 13 de fevereiro começa a Copa do Brasil.

CAMPEONATOS

DATAS

Estaduais

16 de janeiro a 4 de maio

Copa do Brasil

13 de fevereiro a 11 de junho

Libertadores

30 de janeiro a 2 de julho

Brasileiro - Série A

11 de maio a 7 de dezembro

Brasileiro - Série B

11 de maio a 30 de novembro

Brasileiro - Série C

6 de julho a 23 de novembro

Sul-Americana

13 de agosto a 3 de dezembro

Mundial de Clubes

14 a 21 de dezembro

JOGOS DA SELEÇÃO

6 de fevereiro

Amistoso (data Fifa)

26 de março

Amistoso (data Fifa)

15 de junho

Paraguai x Brasil (eliminatórias)

18 de junho

Brasil x Argentina (eliminatórias)

20 de agosto

Amistoso (data Fifa)

7 de setembro

Chile x Brasil (eliminatórias)

10 de setembro

Brasil x Bolívia (eliminatórias)

12 de outubro

Venezuela x Brasil (eliminatórias)

15 de outubro

Brasil x Colômbia (eliminatórias)

19 de novembro

Amistoso (data Fifa)

Pré-temporada?

Não, tecnicamente não. Dez dias é pouco tempo a mais que o necessário para as avaliações médicas e físicas dos jogadores. O ideal seria um período de 40 a 45 dias, pelo menos, suficiente para permitir aos jogadores adquirir uma boa performance física, trabalhando lentamente, de forma a diminuir os riscos de contusões pelos esforços excessivos que toda competição acarreta. Naturalmente, dentro desse período, na sua metade final, não há mal algum em começar a jogar, desde que amistosos, sem o peso e intensidade que têm uma competição oficial. Real Madrid, Barcelona e outros grandes europeus fazem isso, alguns até com exagero, como o Madrid em 2005 e o Barça em 2006, mas amistoso é uma coisa, competição oficial é outra, bem diferente.

Realmente, chamar dez dias de pré-temporada não é errado, é ridículo.


Campeonatos Estaduais

Começarão já no dia 16 de janeiro. Pelas características e história do futebol brasileiro, a maioria dos torcedores ainda valoriza essas competições, resultando em cobranças aos jogadores por vitórias e títulos. Com isso, o organismo começa a ser exigido em alta intensidade muito prematuramente.

Essas competições ocupam três meses e meio do calendário, o que significa exatamente um terço do tempo dedicado ao futebol no ano. Um terço da temporada a troco de... Em termos efetivos, quase nada. Um título de expressão regional que se encerra em si próprio. Mesmo com os novos valores pelos direitos de TV, principalmente em São Paulo, são competições de baixo retorno financeiro.

Os times e federações do Nordeste reclamam da falta de tempo para organizarem as copas regionais, que fizeram muito sucesso em toda a região. Esse latifúndio de tempo poderia ser usado pelos grandes clubes para melhor preparação, além de jogarem amistosos por todo o país. Há nada menos que dezoito capitais do país sem times na 1ª Divisão, além de grande número de cidades de porte, capazes e interessadas em receber os grandes times brasileiros que seus moradores não vêem há muitos anos em muitas delas.

Os estaduais engessam seus participantes aos seus próprios quintais, transformam nossos grandes clubes em paroquiais, simplesmente.


Copa do Brasil

Como sempre, sem a presença dos cinco, às vezes seis, clubes que estão disputando a Copa Libertadores. Isso a transforma numa aberração, mesmo porque seu único prêmio é dar ao vencedor uma vaga na Libertadores seguinte, uma vaga que os melhores times do ano ficam proibidos de disputar.

Ora, essa regulamentação faz da Copa do Brasil uma competição de menor importância, e faz com que seu prêmio seja injusto. Da forma como está hoje, há mais mérito em passar essa vaga da Libertadores para o quinto colocado do Campeonato Brasileiro.

Outro problema dessa competição é a época em que é jogada, o que faz com que seu vencedor encare o segundo semestre com menor motivação, a menos que esteja de fato na disputa do título brasileiro. Caso contrário, o campeão entra em campo para cumprir tabela, ora mais, ora menos.


“Datas FIFA”

Nada menos que dez, sendo quatro para amistosos, cuja única finalidade é arrecadar euros e dólares para o caixa da Confederação.

Na Europa, os campeonatos são interrompidos nessas datas. No Brasil, sequer se pensa nessa possibilidade, primeiro porque a seleção habitualmente só convoca jogadores que estão atuando no exterior, e segundo porque a CBF não se incomoda com a situação dos clubes brasileiros e se terão de jogar sem alguns de seus atletas, eventualmente convocados.


Campeonato Brasileiro

Fica com respeitáveis sete meses, ou dois terços da temporada. Com um gravíssimo problema, porém: justamente em sua metade, os clubes têm de conviver com a janela européia de verão para contratações. Dessa forma, o torcedor conhece o time que começa a competição, mas nunca tem a menor idéia do time que irá terminá-la.

A única forma de eliminar esse problema é adequando o calendário brasileiro ao europeu, o que traria muitos outros benefícios aos clubes, desde, é claro, que os torneios estaduais acabassem ou fossem drasticamente reduzidos.


Copas Continentais

Libertadores e Sul Americana: o correto seria que ocorressem simultaneamente, da mesma forma que as copas européias. Essa vontade existe, mas esbarra em obstáculos, como os times argentinos que fazem questão de disputar as duas (outros países também têm esse desejo em seus clubes, mas não têm o mesmo peso dos argentinos), e também, mas aqui é suposição, em problemas com os patrocinadores da Sul Americana que talvez não queiram competir na audiência com os jogos da Libertadores.

Haveria outro problema caso a Toyota ainda patrocinasse a Libertadores. Como a Nissan patrocina a Sul Americana, essa ficaria com uma imagem de “2ª divisão” perante a grande concorrente. Todavia, com a entrada do Santander como patrocinador da Libertadores, esse obstáculo deixa de existir. Se é que chegou a existir, pois nunca li nada a respeito e fiz essa dedução pensando como profissional de marketing.



Bem ou mal, temos um calendário e ele já está publicado e será seguido à risca, como vem ocorrendo nos últimos anos. Um ponto muito positivo, sem dúvida, e que consolidou-se com a introdução da disputa por pontos corridos, principalmente a partir do momento em que consolidou-se com a presença de vinte participantes.

Já é alguma coisa, ou muita coisa, se compararmos com a bagunça de anos anteriores.

Mas há muito, ainda, a evoluir.


Oportunamente, analisarei o calendário para as séries B e C – nessa última, infelizmente, com sinais de abandono e tragédia para muitos clubes.


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3 Comments:

  • At 9:40 PM, Blogger Daniel F. Silva said…

    É isso mesmo, Emerson. Concordo plenamente com você. A única coisa boa do calendário do futebol brasileiro é a certeza de que ele será realmente cumprido. Infelizmente, porém, a estrutura dele está muito longe do ideal.

     
  • At 1:48 AM, Blogger Rubens Nesta Coimbra said…

    Muito boa sua análise, Emerson. Como nordestino, me preocupa a situação da maioria dos times da região passarem grande parte do ano sem jogar. Com o fim dos estaduais, e a eventual não-classificação dos times para a série C fica complicada a situação em alguns estados do nordeste, tanto por parte da torcida que fica carente de jogos de seus times, como também para o fortalecimento do futebol regional. Não vejo a CBF preocupada com essa situação. Acredito que o encurtamento dos estaduais para determinação dos times que irão participar da série C, é um problema para certos estados.

     
  • At 10:07 AM, Blogger Gustavo said…

    Voce deve estar brincando. Acabar com os estaduais? Tirar a vaga para a Libertadores do campeão da Copa do Brasil? Se adequar ao calendario europeu? Desde quando eles ditam como deve ser e como não deve ser o futebol? Quem dita isso somos nós, que temos o melhor futebol do mundo! Qual a diferença dos jogadores sairem no meio ou no inicio do campeonato se eles vão sair de qualquer forma? Pelomenos saindo no meio eles jogam metade. O que tem que se pensar é em uma forma de se aproveitar melhor o potencial do futebol brasileiro, o potencial de se gerar renda, não só para o bolso dos cartolas, mas renda para ser re-investida no futebol brasileiro, transformando-nos na refencia no assunto que deveriamos ser, e em um modelo a ser seguido pelos europeus, fazendo eles ficarem preocupados com nossa janela no final do ano.

     

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