Um Olhar Crônico Esportivo

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domingo, outubro 26, 2008

Que final de semana!





Fortes emoções


O final de semana que ora termina enquanto escrevo trouxe fortes emoções.
Digamos, numa licença do cronista, que ele começou na quarta-feira, quando o que não era pensado, era tão somente sonhado pelos mais otimistas e esperançosos torcedores vascaínos, aconteceu. Em pleno Serra Dourada o Vasco não só venceu, como o fez de forma contundente, ao Goiás.

Na noite de quinta-feira, novas emoções, mas sem surpresas: três das cinco equipes instaladas no G5 venceram seus jogos, todos em suas próprias casas: Grêmio, São Paulo e Flamengo. Na coletiva, um repórter perguntou a Muricy se essas vitórias jogavam pressão sobre os outros dois membros do grupo que jogariam no sábado, Palmeiras e Cruzeiro.

“Claro que joga, joga bastante, e o cara jogando com mais pressão atua no limite. É complicado.”

Sem dúvida, Muricy, sem dúvida, bota complicado nisso. No primeiro dia do final de semana propriamente dito, o Palmeiras foi derrotado pelo Fluminense pelo clássico e categórico placar de 3x0. Na sequência, passando do Maracanã para a Arena da Baixada, outro clube do grupo instalado no “G4 do mal”, como disse Lédio Carmona, venceu um dos líderes: Atlético Paranaense 1x0 Cruzeiro.

O sábado terminou com mudanças no G5: o Palmeiras na quinta colocação, o Flamengo na quarta e o São Paulo na vice-liderança.

Emoções não faltaram para quem torceu e para quem secou.

Enquanto tudo isto se desenrolava nos gramados visitados pela Série A, no Pacaembu víamos um retorno.





Ele voltou



O Sport Club Corinthians Paulista enfiava 2x0 no Ceará e garantia seu retorno à primeira divisão do futebol brasileiro com larga antecipação, graças à derrota do Barueri para o Paraná. Se o time não ganhar um único ponto até o final do campeonato, terminará na quarta colocação, com acesso garantido. Mas vencerá e ganhará pontos, naturalmente, e salvo um grande desmonte emocional, técnico e físico, o Corinthians conquistará o título de Campeão da Série B.

Parabéns aos torcedores, que lotaram estádios e muito contribuíram para essa campanha, que não foi brilhante, mas foi correta, aplicada, tratada com seriedade e dedicação. Uma campanha vencedora. Parabéns aos jogadores e à Comissão Técnica mosqueteira, também.

Parabéns à direção corintiana, particularmente ao presidente Andrés Sanches e ao vice Luiz Paulo Rosemberg, o ‘homem do marketing’.

Sanches e Rosemberg enxergaram bem o futuro que se desenhava imediatamente após o rebaixamento e trataram de trabalhar para fazer o torcedor acreditar no time, e trabalhar para não deixar sua auto-estima desmoronar.

Ainda nos últimos de 2007, em meio à verdadeira convulsão que foi o período marcado pela queda de Dualib e seus diretores mais próximos, o clube começou a se mexer. Contratou um treinador de nome, de extrema competência, vice-campeão da Libertadores há poucos meses, o mesmo que há dois anos tinha levado o Grêmio a conquistar o acesso para a primeira divisão de nosso futebol.

Conquistou um novo patrocinador, que chegou pagando mais alto que o patrocínio do grande rival, o São Paulo, e mais do que recebia o outro grande clube de massa, o Flamengo. Passamos a presenciar, desde então, uma verdadeira campanha de marketing, bombardeando o torcedor alvinegro toda semana, até por duas vezes, com fatos e factóides. Como comentei à época, se fato ou factóide não era importante, o importante era ocupar as cabeças e manter quentes os corações dos torcedores.

Um novo time foi montado com as contratações possíveis.
O Paulista foi bem disputado e a equipe saiu-se bem, não tão bem como as ações de marketing, mas bem o bastante para tranqüilizar a todos pelo futuro imediato.
Por pouco, e felizmente, na visão deste blogueiro, o time não ganhou a Copa do Brasil e uma vaga para a Libertadores 2009. Digo felizmente porque, e esse é outro assunto, a situação das finanças corintianas não é catastrófica, mas é péssima, realmente péssima, e uma vaga na Libertadores geraria demandas às quais o clube e seus dirigentes em sã consciência não poderiam ceder sob nenhuma hipótese.

O Brasileiro da Série B foi tranqüilo, tirando alguns dias logo no início.
Não vale a pena repisar o já sabido.

No decorrer do ano o marketing corintiano continuou a pleno vapor. Em muitos momentos o Parque São Jorge mais parecia ser a sede de uma agência de promoções e não de um time de futebol. Como resultado disso, e eu presenciei esse fato em parentes e amigos, o torcedor não estava ‘ligado’ na realidade B do seu time.

Nem tudo foram flores.
Foi criada uma camisa roxa, sucesso de vendas entre os torcedores, mas demonizada por uma torcida organizada. Com acesso direto ao presidente, um erro lamentável e que um dia poderá custar-lhe caro, o grupo tanto pressionou que o clube optou por encerrar sua produção e vendas, depois de mais de 150.000 terem sido vendidas. Nesse ponto, nesse momento, Andrés Sanches errou, curvando-se aos ditames do jogo político interno.

A nova direção instituiu uma política de Transparência. Gosto dela, facilita a vida de quem quer se informar sobre o clube, seja torcedor, jornalista ou um blogueiro. Não chega a ser uma transparência 100%, está mais para a transparência de um vidro com algum ‘fumée”, digamos então que a transparência aparenta ser de 70, 75%.
Não importa, foi um avanço, foi um compromisso.

O estatuto foi modificado e foi votado. Há mudanças potencialmente perigosas, embora bonitas no papel, como o alargamento da base de eleitores e a eleição direta para a presidência.

O sucesso ou o desejo pelo poder atrai as pessoas. Grupos de oposição, algo necessário e salutar em toda instituição, são criados ou fortalecidos e passam a viver intensas disputas políticas. Não faz mal, pode fazer bem. Sobre isso, há muito o que falar e muito está se falando, mas no momento não vem ao caso.

Tudo que vem ao caso é que o time mereceu essa conquista e está de parabéns.

Para mim, essa campanha foi uma demonstração cabal da importância, do valor de uma administração que, se não é brilhante e que tem vários problemas, pode e deve ser chamada no mínimo de boa ou muito boa.

Se o fracasso é órfão e o sucesso tem muitos pais, estou apenas nomeando um dos pais dessa criança: a boa gestão.

A trilha sonora desse post é “O Portão”. Numa grande, inteligente e emocionante ação, o clube obteve autorização de Roberto Carlos e tornou os versos “Eu voltei, agora pra ficar/Porque aqui, aqui é o meu lugar” no hino do retorno à Série A.

Aqui aplica-se, com total cabimento, a velha expressão das salas de aula:

CQD – Como queríamos demonstrar.





Voto consciente


Finalmente, por último mas não menos importante, pelo contrário, até, o paulistano voltou às urnas hoje e reelegeu o prefeito Gilberto Kassab com acachapantes 60,72% dos votos válidos. Marta Suplicy, apesar do apoio da tropa de choque federal que pousou em São Paulo nos últimos dias, recebeu apenas 39,28% dos votos. Algo impensável há pouco mais de um mês.

Mesmo parado por horas e horas nos congestionamentos, sob um calor sufocante, o paulistano teve discernimento bastante para enxergar e separar as coisas. O trânsito dessa cidade é algo que vai muito além do simples raio de ação de seu prefeito. Consciente, o cidadão não descarregou sua ira e seu desconforto e prejuízo no prefeito. Poucas vezes, se é que alguma, vi uma votação tão consciente, em tão larga escala.

E assim termina o domingo e com ele esse final de semana prolongado, que vem desde a quarta-feira.

Como nem tudo são flores, como já disse, no estado do Rio de Janeiro o final de semana terminará somente na noite de amanhã. Os governos federal e estadual decretaram um feriado para os funcionários públicos ou coisa parecida com um feriado. Centenas de milhares de cariocas deixaram a cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
Por meros 50.000 votos, num pleito com 1 milhão de abstenções ou ausências, Fernando Gabeira perdeu a prefeitura.

Como disse, nem tudo foram flores nesse final de semana.


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3 Comments:

  • At 3:49 PM, Anonymous Cesar Augusto said…

    Voltamos, sem sustos.

    Tudo isso graças a um projeto bem feito pelo trio Sanchez, Rosemberg e Antonio Carlos, que viram em Mano Menezes a pessoa ideal para conduzir o clube, sem problemas, sem turbulências, na árdua missão da Série B. Árdua missão, porque o Corinthians caminhava rumo ao desconhecido.

    Depois de muito tempo, a diretoria do Corinthians fez um bom planejamento para o futebol. E investiu no marketing. Um marketing razoável, longe de ser finlandês, como apregoa a oposição, capitaneada pelo Citadini.

    Depois de muito tempo, acertaram, muito mais que erraram.

    É um avanço.

    Mas, no Corinthians sempre têm uma conjunção adversativa, o acesso, que era obrigação, deve ser comemorado, sim, porém, com moderação e muito cuidado para não iludir o torcedor com falsas promessas.

    O Corinthians necessita, urgentemente, para fechar no azul, vender alguém. André Santos e Dentinho são as opções mais viáveis para a venda, que servirão para pagar os compromissos mais urgentes e, talvez, dar uma reforçada na equipe, que já possui uma base razoável.

    Enfim, voltamos, desta vez, para ficar, mas, por cautela, a comemoração deve ser moderada, afinal vencemos apenas a 2ª divisão. O que mais deve ser comemorado é o resgate do corinthianismo. Essa foi a maior vitória do clube em 2008.

    No ano que vem, saberemos, com mais clareza, se a melhora da gestão interferirá ou não no rendimento da equipe.

    Neste ano, foi moleza. Em 2009, com a pressão por resultados, veremos o real potencial da equipe.

    Aguardemos, pois.

    >>>>

    Quanto a eleição, deu a lógica.

    Venceu quem apresentou as melhores propostas.

    O eleitor comparou as gestões. E a gestão Serra/Kassab foi muito melhor que a gestão Marta Suplicy.

    Aliás, não gosto da Marta, mas ela foi jogada ao leões pelos caciques do partido, pois veja:

    Em 2004, Marta já havia sido reprovada pelas urnas ao perder a eleição para o José Serra.

    Agora, sinceramente, não havia razão para insistir em seu nome como candidata a prefeitura. O PT errou feio. Seria mais plausível, um candidato com menos experiência, já que, analisando, friamente, a eleição do Kassab era bem viável. Um prefeito com boa avaliação e utilizando, diga-se, da máquina municipal e estadual, dificilmente, perderia.

    Mas é a aquela coisa. Todos, sem exceção, querem administrar a cidade com o maior orçamento do Brasil. Foi bom para abaixar um pouco a bola do barbudo, que se acha acima do bem e do mal.

    O PT perdeu. Serra ganhou. Alckmin perdeu. Kassab surgiu como a liderança mais promissora do DEM

    E 2010 é logo ali.

    Aposto em Serra, no Planalto. Em Kassab, no Palácio do Governo. E, em Alda, assessorada por Quércia na prefeitura.

    Pena que no Rio, tenha vencido o fisiologismo do Eduardo Paes. Uma pena. Gabeira merecia vencer, mas perdeu dentro das suas convicções, o que é importante.

    >>>>

    Escrevi demais, e estava me esquecendo de comentar a Série A.

    O São Paulo cresce no momento certo, pode atropelar no final, mas tem que vencer o Botafogo, no RJ. Uma vitória associada a uma derrota do Grêmio, colocará o Tricolor no caminho do tri, que seria o 1º da história do clube.

    Por outro lado, ouso dizer que se, sei que não existe, o Grêmio vencer o Cruzeiro, no Mineirão, o campeonato estará pintado com as cores azul, branco e preto.

    O Cruzeiro é favorito, mas duvidar do Grêmio, não duvido.

    O Grêmio, para mim, joga o título, no Mineirão.

     
  • At 4:33 PM, Blogger Emerson said…

    Salve, Cesar.

    Já estava com o próximo post pronto, saindo do forno, quando li teu comentário.

    Em suma: não é hora de ir com muita sede ao pote.

    :o)

     
  • At 4:35 PM, Blogger Emerson said…

    Sim, concordo contigo: o atual "jogo do título" é o do Mineirão, depois de amanhã.

    Se o Grêmio vencer ficará com uma avenida à frente.

     

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