Um Olhar Crônico Esportivo

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terça-feira, outubro 14, 2008

Falsa e gostosa euforia




“Eu aprendi que a alegria

de quem está apaixonado

é como a falsa euforia

de um gol anulado.”


Gol Anulado – João Bosco e Aldir Blanc



Outro dia no Ipatingão, o quarto árbitro viu-se numa complicação, pois não tinha placa com o número 44 do zagueiro Rodrigo, que deixava o campo contundido. As placas para mostrar ao público quem entra e quem sai só iam até o número 18.


Algumas bolsas de valores ao redor do mundo não chegaram a ter esse problema, mesmo porque usaram para mostrar seus percentuais de aumento num dia as mesmas telas que usam para mostrar as fantásticas e gigantescas quantias que nelas são negociadas. Aliás, mostraram os aumentos nas mesmas telas que mostraram os brutais índices de queda dos últimos dias.


Podemos chamar a isso de um efeito gangorra, com os índices, completamente malucos, subindo e descendo ao sabor de discursos e penadas. Qualquer medida, por mais inócua que venha a se mostrar no dia seguinte, é o bastante para alegrar investidores e especuladores e todos os operadores financeiros no mundo inteiro. Qualquer suspiro, qualquer espirro e pronto, lá despencam as bolsas novamente. Tal como crianças num parquinho, quem está no alto sorri e sente-se dono do mundo. Já a expressão de quem está embaixo é de puro terror. Os mercados e as crianças parecem ter muito em comum, principalmente uma certa crueldade ou ausência de sentimentos, que levam um e outras a causar dores em quem os ama ou com eles convive.


Bosco e Blanc descreveram com perfeição esse sentimento que vai da extrema alegria à extrema tristeza: é a falsa euforia de um gol anulado.


Tudo isso sinaliza um 2009 que já começa a assustar.




O Circo está assustado



Lívio Oricchio, jornalista do Estadão que cobre a Formula 1, e é, na minha opinião, quem melhor o faz ao lado de Reginaldo Leme, assina uma matéria hoje, direto de Fuji, dando ciência a nós, meros mortais, que o Circo estuda meios para reduzir os custos operacionais já a partir de 2009.


O mercado já sinalizou que muitas escuderias, talvez todas, virão a ter problemas para receber o que estão acostumadas. Ninguém escapará a isso, nem mesmo a Ferrari. Não é de espantar, é bom que se diga, quando sabe-se que o desenvolvimento de um novo motor consome a bagatela de 80 milhões de dólares todo ano.


Dinheiro demais, muito além do razoável.


Começaremos a ter novidades no próximo dia 19, quando os dirigentes das escuderias reunir-se-ão com Max Mosley – aquele das fantasias nazistas – em Londres, em busca de medidas que reduzam os custos das equipes.


Stefano Domenicali, diretor-esportivo da Ferrari, disse que uma das saídas é uma maior estandarização de componentes, uma forma de reduzir os custos sem comprometer o espetáculo do Circo.


Mosley soltou um balão de ensaio: todos os carros correrem com o mesmo motor. Bernie Ecclestone gostou da idéia, assim como Flavio Briatore, que aproveita para reclamar que o desenvolvimento do motor consome metade de toda a verba de seu time, dizendo, ainda, que ao torcedor pouco importa se o carro é movido por um motor x ou y.


Apimentando um pouco mais o tititi de Fuji, comenta-se que há patrocinadores correndo riscos de quebra.




E o futebol?



Ora, o futebol não ficará imune a tudo isso.

Além dos sinais já emitidos e comentados neste Olhar Crônico Esportivo, notícias d’Espanha dão conta que 3.000 pessoas estão perdendo seus empregos nos últimos dias, em média.

Sinais, sintomas, exemplos, manifestações que mostram o crescimento de uma provável onda recessiva. Isso, por sinal, é algo que não se discute mais. A questão que se coloca agora para os dirigentes – chega de economistas e financistas – dos maiores países do mundo é como evitar uma depressão econômica.


Ok, mas, novamente a pergunta: e o futebol com tudo isso?


Acredito que o primeiro impacto será nas receitas dos clubes europeus. Inevitavelmente, o faturamento com licensing, bilheterias e marketing sofrerão quedas. Provavelmente, somente as receitas da televisão conseguirão manter-se no mesmo nível atual.


A conseqüência imediata disso irá refletir-se nas contratações de jogadores locais e estrangeiros. Isso poderá acontecer de duas formas: uma grande redução na ponte-aérea de ida entre o Brasil e Europas: Ocidental, Oriental e agregados mais próximos.


Como as contratações não cessarão por um passe de mágica, as que acontecerem serão feitas com valores muito abaixo do que nos acostumamos a ver.


Então, isso quer dizer que nossos jogadores preferirão ficar por aqui?


Nem tanto, nem tanto.


Os salários lá de fora continuarão sendo pagos em dólares ou euros, com valores mais altos do que pagamos por aqui, na Terra de Vera Cruz. Em tese, o Brasil ficaria em melhores condições para manter seus atletas por aqui, mas essa tese não encontra onde se apoiar. Como não escaparemos do espectro da crise que Ronda o mundo, o jeito é aproveitar a fase e reformar tudo que for possível reclamar para melhorar o nível dos espetáculos.


Parece que nenhum clube brasileiro está com dívidas indexadas pelo dólar.


Que coisa mais curiosa. Todos apressaram-se em dizer que nada devem em dólares, já foi tudo acertado.


Veremos...



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1 Comments:

  • At 10:16 AM, Blogger RONALDO DERLY RODRIGUES said…

    viu só a F1 já começou a ser afetada
    o GP da frança de 2009 já está sendo removido do calendário devido a crise economica,não é a toa que o circo está se mudando de mala e cuia para singapura,india,china,etc,,,

    abraços ronaldo.

     

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