Um Olhar Crônico Esportivo

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quarta-feira, setembro 17, 2008

Pit stop marketeiro



A origem do dinheiro do futebol



A Globo já colocou no mercado as cotas de patrocínio do Futebol 2009.


São cinco cotas principais e mais a abertura das rodadas. Cada uma das cotas tem o custo de 112 milhões de reais, totalizando 560 milhões de reais, mais o custo da abertura, ainda não divulgado, mas de valor bem inferior às cotas principais.


Esse é o dinheiro, descontados os impostos, que a Rede usa para pagar os direitos de transmissão de TV em sinal aberto. Em 2005 cada cota custou 105 milhões de reais, e foram reajustadas em 6,5%. Os atuais patrocinadores: Itaú, Vivo, Casas Bahia, AmBev e Volkswagen tem preferência para renovação.


Além desse direito, os patrocinadores têm outros, como a garantia da exclusividade no patrocínio do BR. Por esse motivo, como este blog informou em ainda em junho, não havia chance do Banco do Brasil patrocinar o BR por meio de naming rights, ou seja, dando seu nome ao campeonato, uma vez que conflitaria com o Itaú, problema que não afeta a Ipiranga, por exemplo, uma vez que nenhum dos cinco patrocinadores vende gasolina.


Há um limite para o crescimento dos valores dos direitos de transmissão, e esse limite é ditado pelo mercado, pelo valor que as empresas estão dispostas a pagar para atingir seus consumidores potenciais e reforçar suas marcas. Por isso mesmo, nunca acreditei nas declarações “em off” de executivos da Record dizendo que pagariam até 1 bilhão pelo futebol.


Sem chance, simplesmente.




Eletrobrás no Vasco



Há algum tempo corriam rumores sobre a entrada de uma estatal no Clube de Regatas Vasco da Gama, como patrocinadora do futebol. Agora, o presidente vascaíno, Roberto Dinamite, confirma os rumores e diz que as negociações com a Eletrobrás estão adiantadas e bem encaminhadas.


Bom, eis uma situação no mínimo curiosa.


A Eletrobrás não disputa mercados, seu produto tem consumo obrigatório e sem concorrência. Ela mesma nada vende, na medida em que são suas subsidiárias que produzem eletricidade e vendem-na para distribuidoras, que, por sua vez, levam-na para as casas e empresas. Nem mesmo essas empresas têm competidoras, uma vez que trabalham com áreas fechadas, onde são a única possibilidade de comprar energia elétrica.


Então, por que uma empresa como essa patrocinaria a camisa de um clube de futebol?


Já temos o exemplo da Petrobrás, que patrocina o Flamengo e é uma empresa estatal. Em seu caso ainda pode-se argumentar que ela disputa mercado de gasolina e lubrificantes com outras companhias.


Temos, também, a Liquigás, outra estatal, subsidiária da Petrobrás, que patrocina o Botafogo. Ela vende gás engarrafado para donas-de-casa e empresas. Tem, também, uma concorrência. Mas, e esse ‘mas’ nunca pode ser esquecido, precisamos lembrar que se trata de uma empresa estatal. Acho o caso da Eletrobrás mais grave ou, amenizando, muito mais incompreensível.


Os valores que foram divulgados são, também, elevados: 15 milhões de reais por ano, durante 5 anos. Se a cifra for verdadeira, será um excelente negócio para o Vasco, sem a menor dúvida.


Pela minha avaliação, o valor de mercado para o patrocínio vascaíno seria algo entre dez e doze milhões de reais. O valor de quinze parece-me, considerando exposição de mídia, elevado.


Também chama a atenção a propalada duração do contrato: 5 anos. Flamengo e Corinthians fecharam seus últimos contratos por apenas um ano, e o São Paulo está negociando seu novo patrocínio por três anos.


Fica aqui a lembrança que a administração anterior divulgou o valor do patrocínio da MRV como sendo 12 milhões anuais, quando, na verdade, era de somente 3,5 milhões. Esperamos todos que a nova gestão vascaína tenha mudado de fato, ao menos nesse ponto, o compromisso com a verdade.





Crash da economia pode afetar o Manchester United



O patrocinador de camisa do Manchester United é a AIG – American International Group – maior seguradora do mundo, e dona, entre outros negócios, da International Lease Finance Corporation, empresa de leasing que possui, entre outras coisas, mais de 900 Boeings e Airbus, arrendados para companhias aéreas de todo o planeta, inclusive aqui na Terra de Vera Cruz.


Até hoje a AIG esteve no olho do furacão (citação incorreta, uma vez que o olho do furacão é zona de calmaria, mas, vale a versão), prestes a quebrar e arrastar sabe-se lá quanto da economia global em seu rastro. Até hoje porque, para felicidade geral dos povos, o banco central americano, o FED – Federal Reserve – anunciou um empréstimo de 85 bilhões de dólares à companhia, passando a deter 80% de suas ações. Vejam bem, 85 bilhões e não meros milhões de dólares, como pude ler em vários sites, inclusive de negócios e marketing.


Nessa história toda, o patrocínio ao MU, tido como o maior do mundo, custando a bagatela de 20,7 milhões de euros, ou 28,5 milhões de dólares (ao explosivo câmbio de hoje, com a moeda americana fechando a 1,87) ou, ainda, meros 53,4 milhões de reais, passou a ficar bastante ameaçado, apesar de pronunciamentos em contrário de seus diretores.


Pura bobagem esse tipo de pronunciamento.

Num momento como esse, quando a vida da empresa está em risco e todo mundo e mais um monte de gente está rezando por um empréstimo salvador (falava-se que o governo de Nova York, e não ficou claro se seria a cidade ou o estado, faria um empréstimo de 20 bilhões para ajudar a companhia a manter-se viva), responder a alguma questão de um diretor de um clube de futebol europeu não é nem a última preocupação, simplesmente é algo que não existe, é um conjunto vazio.


Nesse momento, as bolsas asiáticas já reagiram favoravelmente ao empréstimo para a seguradora gigante e há alguma esperança de retorno a algum tipo de normalidade. Independentemente disso, o time de Sir Alex Ferguson pode perder seu patrocínio milionário que, pensando bem, nem é assim tão gigantesco, afinal, equivale a pouco mais de três “Medial” para o Corinthians, em plena Série B.


Isso me deixa com uma dúvida: o Manchester está recebendo pouco ou o nosso mercado é meio maluco?

Afinal, se sair o novo patrocínio de 30 milhões do São Paulo, desde que o câmbio volte aos seus trilhos da semana passada, ele equivalerá a mais de meio Manchester.


Em tempo: para quem estranhou tanto desassossego com uma seguradora, a questão é que o grosso dos valores segurados pela AIG são apólices de instituições financeiras, que seguram-se contra perdas como essas que vêm ocorrendo no mercado.

Apenas nos últimos três meses a AIG registrou quase 20 bilhões de dólares em pagamentos absolutamente não previstos.


Essa crise, tenho certeza, terá reflexos em nossa área esportiva, mas ainda é muito cedo para falar alguma coisa mais.




Post scriptum


Infelizmente, mesmo com essas medidas e outras mais, tomadas por bancos centrais europeus e asiáticos, as bolsas não sustentaram um primeiro momento de animação e continuaram em queda.


Má notícia para todos, seja na Ásia, Europa ou nas três Américas.



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2 Comments:

  • At 10:21 AM, Blogger ROD said…

    Emerson,

    Más notícias para todos, sem dúvidas, muito embora eu esteja com uma curiosidade quase que sado-masoquista de ver como se sairão os "gênios", economistas do PT, ao se defrontarem com a primeira grande crise na economia mundial.

    Até agora, os "gênios" vinham surfando numa calmaria jamais vista na economia deste mundo hoje globalizado, e com uma moeda estável e relativamente forte, fruto da "herança maldita", mas parece que o caldo, agora, vai engrossar.

    Aguardemos os próximos capítulos

    um abraço, e pra não perder o hábito:

    FORA LULLA!!!

     
  • At 10:32 PM, Blogger Junior said…

    VC É MALUCO? Q PESQUISA VC SEGUIU PRA AFIRMAR Q O VALOR ANUAL DE PATROCINIO DO VASCO É APENAS 10 MILHOES? TIMES MENORES Q O VASCO RECEBEM MAIS E NINGUEM FALA NADA. E DA PETROBRAS GENTE COMO VC ACHA NORMAL, MAIS DE 15 ANOS DE PAIIIITROCINIO, É UMA VERGONHA! TENHO NOJO DA PETROBRAS E DO BRASIL, ONDE COISAS COMO ESSAS ACONTECEM POR CAUSA DE GENTE COMO VC.

     

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