Um Olhar Crônico Esportivo

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quarta-feira, setembro 24, 2008

Cidades, IPCs e os clubes de futebol





Matemática e economia andam na ordem do dia ultimamente.


A economia por motivos mais que sabidos, é claro, com esse crash na economia americana – que todos sabiam que iria acontecer, mas, assim mesmo, quase ninguém cuidou de antecipar e prevenir os efeitos piores – e seus reflexos por todo o planeta.


A matemática também está na boca do povo, porém por motivos mais prosaicos, menos sérios, digamos. Refiro-me às projeções sobre quem será o campeão brasileiro e quem cairá para a 2ª divisão.


Bush está preocupado com a crise econômica, se é que ele tem noção do que está ocorrendo, coisa da qual não tenho certeza.


Certeza que tenho, todavia, ao dizer que ele não está ligando a mínima para quem ganha e quem cai no Brasileiro.

Azar dele, claro. Cá entre nós, prefiro conviver com essas preocupações de tão alto nível esportivo do que com as dele com Wall Street, FED, Iraque, Afeganistão, Al Qaeda, etc.


Isto para não falar do Obama do bem e do velho McCain, namorador emérito nos velhos tempos da cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.


Deixando essa introdução movida a besteirol para trás, vou entrar numa discussão que, uma vez mais, dá o ar de sua falta de graça: a influência do poder econômico no futebol brasileiro.


(Na verdade não vou entrar na discussão agora, só fornecerei

algumas informações, deixando para discutir mais à frente.)



Não serei cretino ao ponto de dizer que ela não existe, pois existe, como em qualquer outra atividade.

Mas não é tão grande e, principalmente, não é tão determinante como dão a sugerir seus ferozes críticos.

Fosse assim e não haveria necessidade de campeonato de futebol, ou de atletismo, ou de qualquer outra coisa.

Bastaria medir o tamanho de cada economia e dar as medalhas de ouro proporcionais aos mais ricos em escala decrescente.


Para não ficar com blá blá blá sobre isso, vou fazer diferente.


Na tabela a seguir, estão listadas as cidades brasileiras de acordo com o seu IPC – Índice Potencial de Consumo.


Este índice, sobre o qual já postei neste Olhar Crônico Esportivo em 13 de julho de 2007 (para quem quiser reler ou ler pela primeira vez), é um bom indicador da, digamos, riqueza de cada cidade, riqueza que sempre será maior do que a apontada pelo índice, pois a real capacidade econômica de uma cidade agrega, também, as de suas vizinhas imediatas.



Cada uma das cidades virá acompanhada pelos times que suporta e em qual divisão.


Vejam que há situações muito interessantes.


Tem muita cidade rica que não tem clube em nenhuma das três divisões principais do nosso futebol.


Tem muito clube que vai bem, obrigado, e que não é de centro economicamente forte.


Tem muito clube de cidades das quais, sejamos francos, poucos ouviram falar, mas que estão desempenhando bons papéis no futebol de seus estados e do Brasil.


Como, por exemplo, o Holanda, de Rio Preto da Eva, cidade que tenho o prazer de conhecer, onde já almocei, onde já tomei muitos cafés e chupei muitos sorvetes.

Rio Preto da Eva fica a quase meio caminho entre Manaus e Itacoatiara, e é uma das poucas cidades à qual o manauara pode chegar por via rodoviária.


O que diferenciou o Holanda?


Gestão.


Ao fim e ao cabo, é a gestão, mais que o dinheiro, que faz a diferença.


Aproveitem a tabela.





Clubes da 3ª Divisão 2008 de municípios fora da lista dos 500 maiores IPC do Brasil:
(Por problemas de diagramação, a tabela principal virá depois dessa.)

Cidade

Estado

Clube

Barras

PI

Barras FC

Eng. Beltrão

PR

Esp. Rec. Engenheiro Beltrão

Guará

DF

EC Dom Pedro II

Horizonte

CE

Horizonte FC

Linhares

ES

Linhares FC

Lucas do Rio Verde

MT

Luverdense Esporte Clube

Mucajaí

RR

Atlético Progresso Clube

Picos

PI

Sociedade Esportiva de Picos

Rio Brilhante

MS

Esporte Clube Águia Negra

Rio Preto da Eva

AM

Holanda Esporte Clube

Salgueiro

PE

Salgueiro Atlético Clube

Santa Cruz

RN

Sport Club Santa Cruz



Agora, a tabela listando as cidades brasileiras entre as 500 com maior IPC e seus clubes nas 3 divisões principais do nosso futebol.


Ranking

IPC

Cidade

Clubes

Série A

Clubes

Série B

Clubes

Série C

8,95

São Paulo

Palmeiras

Santos *

São Paulo

Portuguesa

Corinthians


5,37

Rio de Janeiro

Botafogo

Flamengo

Fluminense

Vasco


Madureira

1,91

Belo Horizonte

Atlético

Cruzeiro


America

1,88

Brasília


Brasiliense

Gama

Legião

1,85

Salvador

Vitoria

Bahia


1,61

Curitiba

Atlético

Coritiba

Paraná

J Malucelli

1,39

Fortaleza


Ceará

Fortaleza


1,32

Porto Alegre

Grêmio

Internacional



1,07

Recife

Náutico

Sport


Santa Cruz

10ª

0,95

Goiânia

Goiás

Vila Nova

At Goianiense

11ª

0,91

Campinas


Ponte Preta

Guarani

13ª

0,80

Manaus



Fast

14ª

0,73

Belém



Paysandu

Remo

17ª

0,55

Santo André


Santo André


18ª

0,53

Maceió


CRB

CSA

21ª

0,49

São Luiz



S Correa

23ª

0,49

Campo Grande



Operário

24ª

0,48

Duque de Caxias Rio de Janeiro



D. Caxias

26ª

0,45

Natal


ABC

America


28ª

0,43

Santos

Santos



31ª

0,41

Florianópolis

Figueirense

Avaí


33ª

0,39

Juiz de Fora



Tupi

34ª

0,38

Aracaju



Confiança

Sergipe

37ª

0,36

Cuiabá



Mixto

41ª

0,32

Caxias do Sul


Juventude

Caxias

45ª

0,28

Jundiaí



Paulista

48ª

0,27

Bauru



Noroeste

56ª

0,24

Blumenau



Metropolitano

62ª

0,22

Serra



Serra

66ª

0,21

Pelotas



Brasil

68ª

0,20

Anápolis



Anápolis

74ª

0,19

Santa Maria



Internacional

83ª

0,17

Campina Grande



Campinense

Treze

86ª

0,17

Macapá



Cristal

88ª

0,16

Barueri


Barueri


90ª

0,16

Rio Branco



Rio Branco

91ª

0,16

São Caetano do Sul


S Caetano


98ª

0,15

Marília


Marília


110ª

0,13

Ipatinga

Ipatinga



114ª

0,13

Macaé



Macaé

119ª

0,13

Criciúma


Criciúma


120ª

0,12

Vitória da Conquista



Vit Conquista

122ª

0,12

Caruaru



Central

126ª

0,12

Itajaí



Marcilio Dias

131ª

0,11

Palmas



Palmas

136ª

0,11

Itu



Ituano

144ª

0,10

Petrolina



Petrolina

146ª

0,10

Bragança Paulista


Bragantino


147ª

0,10

Itabuna



Itabuna

152ª

0,10

Mossoró



Potiguar

171ª

0,08

Juazeiro do Norte



Icasa

174ª

0,08

Marabá



Águia

194ª

0,07

Guaratinguetá



Guaratinguetá

203ª

0,07

Toledo



Toledo

225ª

0,06

Arapiraca



ASA

242ª

0,06

Alagoinhas



Alagoinhas

259ª

0,05

Ituiutaba



Ituiutaba

273ª

0,05

Itumbiara



Itumbiara

290ª

0,05

Lins



Linense

327ª

0,04

Saquarema



Boavista

376ª

0,04

Mirassol



Mirassol

472ª

0,03

Bacabal



Bacabal


* Para efeitos mercadológicos, embora o Santos seja da cidade de Santos, tal como está nessa lista, ele também é considerado como sendo um clube da cidade de São Paulo.



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3 Comments:

  • At 1:15 PM, Anonymous Sérgio Mineiro said…

    Emerson, muito legal. Conheço todos esses clubes. Agora, não sei de sua disponibilidade de critérios, mas faltou colocar os clubes do Interior dos outros Estados( você só colocou os de São Paulo), e não só da capital.Ahhh!!! Como tem clubes de futebol no Brasil Heim!!!Faltou também a Portuguesa de Desportos, ou ela não é da Capital?
    Saudações.
    Sérgio Mineiro.

     
  • At 1:17 PM, Anonymous TRI MUNDIAL said…

    Emerson, seria interessante se houvesse um levantamento do IPC por torcida de clubes de futebol. Imagina isso nas mãos do Depto de Marketing do clubes.

     
  • At 1:28 PM, Blogger Emerson said…

    Putz!
    Que falha vergonhosa!

    Fiquei super-preocupado em não deixar fora nenhum clube da B ou da C, e fui deixar de fora logo um clube da Série A!
    Tomara que o Flávio Gomes não leia esse post antes de corrigi-lo.

    Obrigado, Sérgio e Tri, pelo alerta.

    Sergio, meu critério foi colocar todos os clubes das Séries A, B e C. Por isso que muitos clubes ficaram fora.

    Tri, esse levantamento IPC/torcida é feito de formas diferentes. Basicamente, você tem o grosso de uam torcida numa certa área geográfica. Verifica quanto de audiência real e potencial tem essa área, vê qual o IPC que corresponde a ela, e dá um valor a isso tudo.

    Isso explica, por exemplo, parte do fato dos valores de patrocínio do SP serem comparáveis aos do CRF e SCCP.

     

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