Um Olhar Crônico Esportivo

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segunda-feira, agosto 25, 2008

Olimpíada, substantivo feminino




A gramática e a realidade combinaram-se à perfeição na participação brasileira nos Jogos Olímpicos de Pequim: o relativo sucesso brasileiro – e sucesso apenas para consumo interno – deveu-se ao desempenho de Maurren, e de Fofão, Mari, Sheila, Paula, Fabi e suas companheiras do time de vôlei, assim como Keitlyn e Nathalia, além, é claro, de Fernanda e Isabe na vela.

O mundo masculino brasileiro fracassou em Pequim. Entenda-se por fracasso o desempenho de atletas que, por currículo e resultados recentes eram apontados fora do país como favoritos a medalhas. Como foram os casos de João Derly, no judô, Diego Hipolyto, na ginástica, o time de vôlei masculino de quadra, esse, sim, candidatíssimo ao ouro e o próprio futebol masculino, entre alguns outros. Falhamos, também, no mundo feminino, tanto na ginástica como no vôlei de praia, que voltam sem medalhas.

Evoluímos, inegavelmente, e nisso concordo com o Sr. Nuzman, dirigente eterno, que apontou o salto que demos em relação a Atenas, participando de 33 finais olímpicas contra 30 em 2004. Um crescimento de 10%, reduzido a pó quando comparado ao crescimento das verbas destinadas à “Pequim 2008”.

Nada menos de 1,2 bilhão de reais foi gasto nesse atual ciclo olímpico, o que dá a bagatela de 80 milhões de reais por medalha conquistada.
Ficaria mais barato e produtivo recompensar um Bolt ou meio Phelps com 100 milhões de dólares – 160 milhões de reais – cada, caso um deles ou ambos se naturalizassem brasileiros. Seríamos, então, uma potência olímpica, status prometido por Nuzman no distante ano de 1995, quando tomou posse na presidência do COB.

Será interessante observar se dirigentes do COB e das federações nacionais estarão em Piracicaba, em novembro, assistindo aos Jogos Abertos do Interior de São Paulo. Espera-se cerca de 15.000 atletas, competindo em todas as modalidades olímpicas, praticamente. Provavelmente, ou com certeza, não veremos cartolas em Piracicaba, afinal, estarão todos concentrados, pensando em como arranjar mais recursos para construírem suas ‘cidades da natação’, ‘cidades do vôlei’ e outras cidades diversas, sem falar, é claro, no esforço que todos estarão dispendendo, movidos por dinheiro público, para defender “Rio 2016”. Como todos sabem que não é conveniente misturar festas com esporte, estarão distantes de Piracicaba, mergulhados em festas por toda parte, de Ipanema a Trafalgar Square, da Praça da Paz Celestial a Manhatann.

Fora o futebol e mais recentemente o vôlei masculino, o esporte brasileiro sobrevive à custa de fenômenos, atletas que venceram muito mais por seus próprios e exclusivos atributos do que como frutos de uma estrutura e de uma prática voltada à valorização dos atletas e, principalmente, à prática de esportes como produto de política de estado voltada à saúde e à formação dos jovens.

Cada um dos oitenta milhões de reais que custou uma medalha olímpica, poderia ter sido usado na construção e manutenção de pequenos centros esportivos por todo o país, atraindo crianças e jovens, a partir de professores e instrutores bem pagos e altamente motivados para a difusão do esporte entre a juventude. Ao tomar conhecimento desses números percebe-se que dinheiro existe, o que não existe, e não é novidade, é a sua administração inteligente, para ficar no mínimo.

Grande novidade.




P.s.: esse texto será devidamente arquivado para permitir sua reutilização em 2012, no dia seguinte ao encerramento dos Jogos Olímpicos de Londres.

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1 Comments:

  • At 6:15 PM, Blogger RONALDO DERLY RODRIGUES said…

    acho que a cultura do esporte no brasil deveria passar pelo ensino básico e fundamental,leia-se educação
    fisica,complementada pela universidade,sei que é um pouco utópico mas sonhar não custa nada,e
    por falar em custos porque voce não
    faz um post só sobre os investimentos
    e gastos realizados pela delegação
    brasileira para e em PEQUIM,abraço
    ronaldo.

     

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