Um Olhar Crônico Esportivo

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quinta-feira, julho 10, 2008

O fim dos cambistas?



(Viagens e nova falha no serviço Speedy, dessa vez afetando o meu sinal, deixaram-me “fora do ar” desde a noite da segunda-feira.À essa falha e talvez provocado por ela e pelas mexidas tentando recuperar o sinal, deu “pau” no meu micro, o que vai obrigar-me a formatá-lo, com sorte – muita sorte – amanhã, sexta-feira. Lamento e peço desculpas pelo atraso com que estou postando esse texto, sem ter tido condições de conferir mais informações a respeito.)



O fim dos cambistas?

Quem sabe? É o que se pode esperar, pelo menos, a partir das palavras do Walter, o W da BWA, empresa que produz os ingressos de boa parte dos grandes clubes brasileiros, além de treinar funcionários e criar sistemas de comercialização de ingressos para vários desses clubes.

Walter falou ao jornalista Ricardo Perrone, editor do Blog do Rica Perrone, na última segunda-feira, em entrevista gravada com 52 minutos de duração (disponível no You Tube ou para download, com links no blog), e o tema principal foi sua resposta às acusações de fraude e falsificação de ingressos de que sua empresa foi vítima nos últimos dias, no Paraná. Na primeira parte, ele responde às acusações de maneira extremamente objetiva e passando, ao menos para mim, forte impressão de estar dizendo a verdade e ser inocente das acusações de que foi vítima. Como esse assunto ainda está em desenvolvimento, não vou aprofundar a respeito. A esse respeito, a empresa publicou nota oficial.

Na verdade, achei mais interessante quando ele disse ao Perrone, que o questionara sobre os rotineiros e estúpidos problemas que os torcedores têm para comprar ingressos, que em 30 dias a CEF – Caixa Econômica Federal – e a BWA, Ingresso Fácil e os clubes assinarão um acordo que permitirá às 9.000 casas lotéricas credenciadas pela Caixa e espalhadas por todo o Brasil, vender ingressos para os jogos de futebol. Além das lotéricas, também as agências da Caixa (e de outros bancos também) passarão a vender os ingressos aos torcedores. A implantação desse esquema começará pelo Rio de Janeiro, vindo em seguida para São Paulo, antes de atingir todo o país. Efetivamente implantado, será um golpe profundo na atividade dos cambistas, particularmente nos piores e mais daninhos de todos, justamente os que atuam em esquemas armados por pessoas dos próprios clubes.

Mas o coup de grâce, o tiro de misericórdia, mesmo, deverá ser a criação de um cartão de entretenimento, que vai, simplesmente, acabar com a existência física do ingresso. De posse desse cartão, o torcedor irá ao jogo que quiser sem necessidade de ter o ingresso físico. Além dessas medidas, hoje já é possível vender ingresso com o nome e identificação do comprador, entre outras formas capazes de, num primeiro momento, reduzir drasticamente a ação dos cambistas, como, também, garantir que meias-entradas sejam compradas e usadas somente por estudantes devidamente identificados (bom, esse “devidamente identificados” é outro abacaxi, como bem sabemos...). Claro, para tudo isso há que ter o apoio firme e vontade política dos clubes, caso contrário nada sai do papel.

Muitos outros fatores complicam a venda de ingressos no Brasil. Perguntado sobre o porquê de não haver venda de ingressos à noite em outros postos que não os estádios em dias de jogos noturnos, Walter disse que isso se deve a motivos de segurança e seguro. A BWA e a Ingresso Fácil não gostam e não querem ficar com o dinheiro dos ingressos já vendidos nos pontos de venda, e por isso tem sob contrato uma empresa de transporte de valores com carros-forte, que coletam o dinheiro do movimento do dia em cada local. Entretanto, esses veículos circulam somente até as 19:00 horas, que passa a ser, portanto, o horário-limite para o funcionamento dos guichês e outros pontos de venda. Essa limitação de horário de circulação existe em função de medidas de segurança, endossadas pelas companhias de seguro.

A venda nos shopping centers, onde a segurança é sensivelmente maior, empaca na determinação dos próprios shoppings em não permitir essa comercialização em suas instalações. O motivo é que os administradores não querem correr o risco de filas e tumultos em épocas de grandes jogos, o que, infelizmente, costuma ser verdadeiro.


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