Um Olhar Crônico Esportivo

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domingo, fevereiro 17, 2008

Jogos 5.000 x 0 Estádio


Hoje é um dia importante para o Sport Club Corinthians Paulista, é o dia do seu jogo de número 5.000. Um evento digno de ser comemorado, de ser celebrado. Infelizmente, para a grande massa torcedora alvinegra, a festa será no Estádio Cícero Pompeu de Toledo, o Morumbi, casa do tradicional adversário e hoje maior rival, o São Paulo, mesmo sendo o mando de campo do Corinthians. Mais que isso: nesse mesmo estádio, o Corinthians já mandou mais de 500 partidas. Por mais de 500 vezes pagou ao rival e co-irmão para jogar em seu campo.

Essa é uma das coisas que nunca entendi no futebol, ou melhor, até acho que entendo, mas é difícil aceitar: o fato dos clubes de maiores torcidas do Brasil, e isso já desde muito, muito tempo, não terem seus próprios estádios.

Como foi possível?

Como é possível?

Apenas por incúria e falta de visão de seus administradores?

Por falta de competência, pura e simples?

Por falta, quem sabe, de honestidade e seriedade no trato com as coisas – o dinheiro – dos clubes?

Talvez pelo conjunto disso tudo, seja a resposta mais provável.

Nesse momento, enquanto o time disputa o Paulista e a Copa do Brasil, os bastidores fervem com mil coisas, mil possibilidades, mil notícias ou balões de ensaio. Entre elas, a mais importante é a notícia que o estádio será construído.

O projeto já existe, o desenho é bonito, o local está definido, o terreno, dizem, está em negociação.


Todavia, em meio a tantas flores róseas, há também espinhos. O maior deles, talvez, seja o nome da pessoa que está à frente do projeto, o Sr. Edgar Soares. Contra ele pesam muitas acusações por negócios diversos dentro do clube. Por coincidência, em passado distante Edgar Soares realizou alguns trabalhos na ilha de edição de minha produtora. Lembro de algumas conversas agradáveis e que ele falava sempre de muitos planos, muitos projetos, muita coisa para fazer. Um empreendedor de mão cheia, aparentemente. Confesso que surpreendeu-me ver seu nome associado a um monte de eventos no mínimo estranhos dentro do Corinthians. Mas fico por aqui. Não tenho competência e tampouco informações para emitir juízos de valor, mas, segundo boa parte das pessoas que conhecem os bastidores corintianos, não seria ele a pessoa mais indicada para estar à frente de tal projeto.

Outro espinho é a dúvida que dessa vez saia, inclusive entre boa parte dos torcedores. O simples fato de usar “dessa vez” em referência ao projeto já demonstra o muito que há por trás de histórias e promessas que nunca passaram disso, histórias e promessas. Mesmo aquelas que acabaram gerando recursos para a construção.

Ontem pela manhã, um corintiano garantiu-me que, ao que tudo indica (meio contraditório, mas é assim que é), dessa vez o estádio sai mesmo, conforme ele soube por um amigo que ocupa uma das muitas diretorias do clube.

É uma obra de respeito, ainda que para 52.000 espectadores. Seu custo está previsto em 350 milhões de reais. Pelo projeto, as construtoras ficariam com 10.000 cadeiras cativas para vender, ao custo de 21.000 reais cada uma, gerando, somente elas, uma receita de 210 milhões de reais.

Além disso, venderiam também 200 camarotes, por preços não revelados (mas se acreditam em 21.000 para uma cativa, um camarote não sairá por menos de 200.000, o que daria mais 40 milhões) e terão os naming rights do estádio por dez anos. Outra fonte de renda prevista é o ganho de 1,6 milhão de reais de aluguel por ano, durante dez anos.

Cosme Rimoli, excelente repórter do Jornal da Tarde, escreveu boa matéria a respeito. Clique aqui.

No papel parece factível, basta começar para dar tudo certo e inaugurar o estádio no centésimo aniversario do clube, em 1º de setembro de 2010.

Se transformado em realidade, esse estádio será muito bom não só para o Sport Club Corinthians Paulista, mas para o futebol de maneira geral e para a cidade de São Paulo, que terá mais um palco para acomodar seus amantes do esporte bretão que consagrou Rivelino, Sócrates, Luizinho e tantos outros grandes jogadores que passaram pelo clube do Parque São Jorge.

E como ouvi de importante dirigente são-paulino há algum tempo, não há futebol sem competição. E competição exige bons adversários. Por isso, ele mesmo torce pelo sucesso do Corinthians e do Palmeiras, que é a melhor forma de manter as disputas vivas e interessantes. E o sucesso de cada um depende disso.

Parabéns ao Corinthians pelo 5.000º jogo.

Felicidades com seu estádio.

Que dessa vez torne-se realidade.

Pois está mais que na hora de virar o jogo para 5.000 x 1.


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