Um Olhar Crônico Esportivo

Um espaço para textos e comentários sobre esportes.

<

sexta-feira, novembro 02, 2007

Estádios brasileiros para 2014...


... pobres, despreparados e miseráveis estádios.

O SINAENCO - Sindicato Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva – ou mais simplesmente Sindicato da Arquitetura e da Engenharia, fez um levantamento em 29 estádios brasileiros, em 17 capitais e mais a cidade de Santos, todos eles, em tese, candidatos a receber os jogos da Copa 2014. As conclusões foram lamentáveis e avalizam a declaração de Ricardo Teixeira feita há alguns meses:

“Nenhum estádio brasileiro tem, atualmente, condições para receber um jogo de Copa do Mundo dentro das exigências da FIFA.”

Os pontos negativos mais presentes foram banheiros, pontos cegos e estruturas perigosas para dividir torcidas. Mas, não só isso, pois muitos desses estádios estão em elevado estágio de deterioração, como a Fonte Nova, em Salvador, estádio onde o Bahia manda seus jogos e que recebe públicos altíssimos, frequentemente superiores a 50.000 pessoas. Arquibancadas em ruínas, entre outros problemas levantados pelo SINAENCO, inclusive com ameaças à segurança de torcedores e até mesmo de jogadores. Embora já descartado para a Copa, pois o governo da Bahia acena com a construção de uma nova arena, esse estádio é um verdadeiro atentado à segurança das dezenas de milhares de torcedores que o freqüentam, semanalmente, e que deixam centenas de milhares de reais nas bilheterias a cada partida. Para quem quiser, esse endereço traz algumas centenas de fotos dos estádios inspecionados:

SINAENCO - Situação dos Estádios


Dos estádios visitados, os que apresentam melhores condições, ou são os menos problemáticos, o Sindicato apontou o Maracanã, Morumbi, Mangueirão, Engenhão e Arena da Baixada, em Curitiba, todos, porém, precisando de várias obras tanto dentro como em seus entornos. Para espanto de muitos, pois há uma disputa em curso para o jogo de abertura da Copa, o Mineirão está entre os piores. Entre os estádios cotados para a Copa, é o que está em condição mais crítica.

Embora não esteja previsto seu uso em 2014, o recém-construído Engenhão também precisaria de várias adaptações para receber um jogo de Copa do Mundo.

“Todos os estádios brasileiros terão de ser adaptados para o que a Fifa exige. Mesmo que a Copa não seja jogada lá. O problema é que esses estádios são velhos e não há um planejamento para melhorá-los. Sempre é feito alguma coisa aqui, outra lá e nada fica bom por inteiro”, disse José Roberto Bernasconi, presidente do SINAENCO.

Esse levantamento foi uma preparação feita pelo Sindicato para o 8º Encontro Nacional das Empresas de Arquitetura e Engenharia Consultiva (Enaenco), evento bienal promovido pelo Sinaenco e que este ano acontecerá nos dias 29 e 30 de novembro, no Centro Brasileiro Britânico, em São Paulo.

O tema será "Copa 2014 - O Brasil antes e depois" e as discussões serão centradas nos investimentos necessários para o desenvolvimento da infra-estrutura brasileira, de forma a capacitar o país para recepcionar o Mundial e o considerável contingente de turistas de todo o mundo que virão ao país por ocasião da Copa.

“O evento insere-se no conceito adotado pelo setor de arquitetura e engenharia consultiva de que é necessário pensar antes para fazer melhor, ou seja, planejar com antecedência para evitar problemas, como os que infelizmente vimos acontecer nas obras para a realização dos Jogos Pan-Americanos, em julho, no Rio de Janeiro”, explica, ainda, o presidente do Sinaenco.

A Copa 2014 começa a movimentar os segmentos interessados.

Os problemas começam a ser levantados, detalhados e apontados para o público e para as autoridades. Na maioria dos casos, para não dizer a totalidade, está previsto o uso de dinheiro público. É utópico imaginar que a iniciativa privada vá investir fortunas em obras de retorno incerto, para não dizer inviável. Gostaríamos todos, com certeza, que uma boa fiscalização do uso das verbas públicas não fosse, também, uma utopia.

No início da década de 70, vivendo o “milagre econômico” e sob um regime ditatorial, o país viveu uma febre de construção de estádios, para abrigar a Mini-Copa de 1972, organizada para comemorar o Sesquicentenário da Independência. O resultado foi o nascimento de muitos elefantes brancos, hoje cinza-escuros e negros, entregues ao abandono ou, na melhor das hipóteses, à sub-utilização. Sem uso e sem manutenção, estão deteriorados em grande parte. Curiosamente, a Mini-Copa e seus estádios não é citada nas matérias que a imprensa vem publicando sobre 2014 e seus problemas.

Uma visita aos arquivos dos jornais seria muito útil para os jornalistas que escrevem ou falam sobre a Copa no Brasil.


.

Marcadores: ,

1 Comments:

  • At 3:47 PM, Anonymous Higor said…

    Na placar de julho, intitularam em uma longa pesquisa , A Arena da Baixada , Morumbi e Beira rio como os três melhores e acessíveis estádios do Brasil.Além de São Paulo, Atlético Pr, Internacional, e Cruzeiro( com o adênduo de não ter estádio) e Santos( mesmo com vários problemas relacionados a Vila Belmiro) as melhores estruturas do país.Como clube, em patrimônio como em administração;.

     

Postar um comentário

Links to this post:

Criar um link

<< Home