Um Olhar Crônico Esportivo

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terça-feira, setembro 30, 2008

Para quem São Paulo torce


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Para quem São Paulo torce
O Instituto Datafolha concluiu uma pesquisa interessante, publicada pelo caderno Vencer, do jornal Agora, do grupo da Folha, nesse domingo.
Antes de comentar alguns aspectos, segue a relação de todos os clubes listados pelo Datafolha, considerando a cidade de São Paulo como um todo:



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Clube
%
Corinthians
33,3
São Paulo
22,2
Palmeiras
14,2
Santos
5,9
Outros
4,6
Nenhum
19,9



-->
Outros Clubes
Flamengo
2,0
Portuguesa
0,3
Vasco da Gama
0,3
Cruzeiro
0,3
Fluminense
0,2
Botafogo
0,2
Atlético – MG
0,2
Grêmio
0,2
Internacional
0,1
Bahia
0,1
Vitória
0,1
Outros
0,6

O que salta aos olhos nessa pesquisa é o tamanho de sua amostra: nada menos que 28.389 pessoas, com 16 anos de idade ou mais. Para se ter uma idéia, essa amostra corresponde a 0,26% da população adulta da cidade, de acordo com dados da Fundação SEADE. Os dados foram coletados entre 23 de fevereiro e 21 de julho desse ano, por 114 profissionais, dos quais 65 foram pesquisadores de campo.
A cidade foi dividida em 8 diferentes regiões, por sua vez subdivididas em 96 distritos, com no mínimo 300 entrevistas em cada um, com os entrevistados sendo sorteados aleatoriamente, dentro de cotas de sexo e faixa etária de acordo com os levantamentos do IBGE para o ano 2000. A margem de erro é de 2%.
Nas primeiras posições nenhuma novidade, exceto, para os eternos descrentes das pesquisas, a comprovação da torcida são-paulina ser a segunda maior também na capital, onde moram hoje onze milhões de pessoas (e mais dez milhões nos outros municípios da Grande São Paulo).
A participação da torcida santista com praticamente 6% dos torcedores, é a comprovação cabal, uma vez mais, do peso que a cidade de São Paulo tem para esse clube. Como reconheceu dirigente santista há alguns dias para este blogueiro, é nessa cidade que está a maior parte da torcida do clube e não em Santos, onde o time é o de maior torcida, sem dúvida, mas não o único. Uma justificativa a mais para que o time mande mais jogos em São Paulo do que faz atualmente.
Outros dois pontos a destacar: comprovando a multiplicidade de origens de seus habitantes, quase 5% dos entrevistados declararam torcer para outros clubes que não os do Trio de Ferro e mais o Santos. Impressiona o tamanho da torcida do Flamengo, com 2% das declarações, contra apenas 0,3% da Portuguesa de Desportos.
Aqui cabe um parênteses. Durante a década de 70, torcedores da Lusa com visão mais a longo prazo, tentaram mudar o nome do clube para, se a memória não me trai, Bandeirantes. Foram derrotados pela direção de então e de quase sempre, à frente da qual estava Osvaldo Teixeira Duarte. Um dos motivos para a lenta e inexorável diminuição do tamanho e importância da torcida está, sem dúvida, em seu nome, tese que leva a uma outra: Palmeiras e Cruzeiro cresceram muito em parte devido à mudança de seus nomes, com a retirada de Itália e o conseqüente aportuguesamento dos nomes.
A longo prazo, clubes de colônias tendem a minguar, à medida que as próprias colônias perdem identidade e, sobretudo, componentes, em especial num país em que a miscigenação da população é característica nacional.
Finalmente, outro número que não pode passar em branco: 20%, praticamente, dos paulistanos com 16 anos ou mais, não torcem para nenhum clube. Embora muito grande, é um número ainda pequeno em relação aos que já foram levantados nas pesquisas nacionais, inclusive do próprio Datafolha, cuja última pesquisa realizada em novembro de 2007 (ver Olhar Crônico Esportivo dos dias 14 e 15 de janeiro de 2008), apontou 26% dos brasileiros com 16 anos ou mais como não torcendo para nenhum clube.
Dos 96 distritos em que foi dividida a cidade, o Corinthians lidera isoladamente em 80.
O São Paulo lidera em 14, o Palmeiras em um, o da Lapa.
No Capão Redondo, Corinthians e São Paulo têm 28% cada, com 12% para o Palmeiras e 5% para o Santos.
Os distritos em que há liderança do São Paulo são, em sua maioria, tipicamente redutos da classe média mais antiga.
O Corinthians tem uma forte penetração nas Zonas Leste, Extremo Leste e Norte, locais com maior concentração de moradores com menores faixas de renda.
Curiosamente, no bairro de Perdizes onde está localizado o Parque Antártica e o estádio Palestra Itália, a liderança é Tricolor com 25%, seguido pelo Palmeiras com 23% e o Corinthians com 20%.
No Morumbi, o São Paulo lidera com 32%, com o Corinthians encostado com 31% e o Palmeiras bem atrás com apenas 13% dos torcedores. Na vizinha Vila Sonia, bairro de acesso ao Estádio Cícero Pompeu de Toledo, os números são parecidos, com 31% de são-paulinos, contra 28% de corintianos e 14% de palmeirenses.
No entorno do Parque São Jorge o domínio corintiano é disparado, como, por exemplo, no Tatuapé, com 39% de corintianos, contra 19% de são-paulinos e 18% de palmeirenses.
Distribuição das torcidas pelas 8 regiões


Região
Clube
%
Noroeste



Corinthians
35,3

São Paulo
20,5

Palmeiras
14,3

Santos
5,5
Norte



Corinthians
37,4

São Paulo
21

Palmeiras
12,5

Santos
5,2
Extremo Leste



Corinthians
36,5

São Paulo
20,8

Palmeiras
11,9

Santos
6,7
Leste



Corinthians
37,1

São Paulo
19,7

Palmeiras
14,9

Santos
5,3
Centro



Corinthians
30,8

São Paulo
20,2

Palmeiras
15,5

Santos
6,6
Sul



Corinthians
31,1

São Paulo
23,5

Palmeiras
16,1

Santos
4,8
Extremo Sul



Corinthians
28,9

São Paulo
25,5

Palmeiras
14,1

Santos
6,7
Oeste



Corinthians
26,9

São Paulo
25,4

Palmeiras
16,6

Santos
5,1
Aqui cabe notar um ponto interessante: nas regiões mais tradicionais da cidade, de povoamento mais antigo, o Corinthians tem amplo domínio, como os casos das zonas Leste e Norte. Já nas regiões de ocupação mais recente, como a Extremo Sul e, principalmente, a Oeste, o domínio corintiano é bem reduzido, ficando, na Zona Oeste, dentro da margem de erro.

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4 Comments:

  • At 5:19 PM, Anonymous Anônimo said…

    Grande Emerson, belissimo post. Muito bom poder mostrar ao palmeirenses que nossa torcida é significativamente maior, já que eles insistem em dizer o contrário.

    Um grande abraço a você, suas opiniões e idéias fazem falta à nossa lista.
    Oto Jr

     
  • At 6:38 PM, Anonymous Anônimo said…

    Show de bola!! O que me impressiona mesmo, é que além dos 2% de torcida do meu Mengão, é a faixa etária em que ela se concentra. Que força tem esse clube heim!!!!
    Saudações.
    Sérgio Mineiro.

     
  • At 12:29 AM, Anonymous Paulo Machado said…

    Emerson,

    Fiz o seguinte comentário no blog do Lédio:

    Emerson,

    Um das falhas desse tipo de pesquisa é confundir torcedores com simpatizantes, além de não levantar o poder de consumo de cada torcida, ferramenta fundamental para qualquer planejamento estratégico. Vide por exemplo o levantamento sobre venda de pay-per-view (acessível em http://maquinadoesporte.uol.com.br/v2/noticias.asp?id=9461) em que aparecem com principais clientes do sistema - torcedores que assinaram o pacote:

    Flamengo - 15%
    Corinthians - 12%
    Fluminense -12%
    São Paulo - 8%
    Grêmio+ - 7%
    Internacional - 7%

    Óbvio que no caso específico do Flu, algo está muito conflitante com as pesquisas gerais, e mesmo considerando-se que a boa campanha do time na LA possa ter alanvacado o número, caberia uma pesquisa mais detalhada sobre o caso, a meu ver partindo do próprio clube. Fizeram?

    Outro dado que sempre me pareceu mentiroso é esse de 20% sem clube de preferência. Se isso fosse verdade nosso futebol estaria em outro patamar em termos econômicos. Esse número é muito maior, bem maior. Imaginem a potência que seria o Corinthians se realmente 33% dos paulistas TORCESSEM pelo clube. O problema é considerar na pesquisa como torcedor aquele que simplesmente menciona o clube, sem criar um critério que filtre esses números. Ora, conheço diversos “torcedores” que foram uma vez na vida a um estádio, alguns nem isso, incapazes de citar os jogadores do clube, de assitir um jogo sequer etc, mas na hora da pesquisa mencionam o clube, num impulso meio de “inércia”.

    Entendo estaria mais do que na hora dos clubes, talvez o clube dos 13, fazer um levantamento mais sério e dimesionar corretamente o potencia desse mercado, sem números enganadores.

    abraços

     
  • At 8:10 AM, Blogger Emerson said…

    Oto, prazer em ver você por aqui. Sinto falta dos debates e conversas com vários amigos, também.
    Quanto ao crescimento da torcida do SP, ele é inegável e muito consistente, não apresentando 'soluços' ou comportamento 'montanha-russa'.

    :o)


    Sérgio, algumas torcidas estão ficando nacionais, de fato. Sem dúvida, nesse ponto o CRF está na dianteira.



    Paulo, respondi em boa parte no JOgo Aberto, em mais de um comentário.

    Mas sempre cabe mais e mais, mesmo que repetindo um pouco.
    :o)


    Às empresas não importa muito saber a intensidade com que cada um torce. Elas interessam-se por macro-números, digamos, como a audiência dos jogos do time, a estratificação sócio-econômica e etária da torcida, isto é, de quem se declara torcedor do time, sua dispersão geográfica, etc.

    São esses números, e você sabe disso, que vão determinar o potencial de consumo daquela torcida.

    Quanto ao ppv, vou reproduzir parte de um comentário que postei no JA:

    "Outra coisa curiosa: quem compra e quanto compra do ppv?

    Até hoje não temos uma informação oficial, digna de crédito, sobre isso.
    Acreditem, há muito dirigente de clube querendo saber isso e há muito, muito tempo.
    Mas esse, meus amigos, é segredo guardado a sete chaves pela Globosat.
    Se é que a própria Globosat tem essa informação e eu creio que não tem, por um simples motivo: sou assinante desde o primeiro ano do BR com ppv, assim como do Paulista, e nunca, em todos esses anos, a Sky ou a Globosat, perguntou-me, na hora de renovar o contrato, qual era o meu time.

    Com dinheiro em jogo, essa é a única forma de se saber para quem torce o comprador do ppv.

    Mesmo assim…

    Por exemplo, e agora vou sacanear um grande amigo que lê esse JA: ele tem o ppv em casa.
    Ele é palmeirense. Mas sua cara-metade é são-paulina dos quatro costados, de gritar na arquibancada pelo Tricolor - tal como ele, aliás, palmeirense de berrar pelo Verdão e ir a Tokyo ver a decisão do Mundial.

    Entonces, o ppv do casal é pró-Palmeiras ou pró-São Paulo?

    Aqui na minha casa é simples: eu sou são-paulino, minha mulher nada é são-paulina (por mim), minha filha é são-paulina, meu filho é são-paulino.

    Tranquilo, né?

    Em outras, além desse exemplo do meu amigo, a coisa é mais complicada ainda, pois o pai torce para um, a mãe para outro, os filhos para outros, ainda.

    É complicado, portanto, dizer quanto cada um tem no ppv, realmente.
    O mais importante, porém, é que não há nenhum dado oficial sobre preferências clubísticas entre os compradores de ppv.

    O único dado, aliás, que a Globosat, Sky, Net podem ter, é o da compra de jogos isolados."


    Quanto ao povo 'sem torcida': esse percentual de 20% é baixo mesmo, praticamente 25% menor que a média nacional. Mas essa, com certeza, é impactada pelos habitantes de cidades menores e áreas rurais, onde o futebol tem peso menor que nas cidades médias e grandes.

    Com relação a ir ou não ao estádio, sinceramente, não considero relevante. Um de meus melhores amigos não põe os pés num estádio há muitos e muitos e muitos anos. Mais de trinta, eu creio, e ele mora pertinho do Morumbi e já convidei-o trocentas vezes, sem resultado. Nem por isso ele deixa de ser um torcedor fanático e super bem informado sobre o São Paulo, sem perder um só jogo pela tv, e é, claro, comprador dos pacotes do ppv desde o começo, tal como eu.

    Ir ao estádio, principalmente aqui em SP, não diz muito sobre o torcedor. A torcida do SP que o diga.

    hehehehehe...

     

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