Um Olhar Crônico Esportivo

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segunda-feira, maio 12, 2008

Bocafobia, uma falsa síndrome




O Boca Juniors é um grande clube.

Não se discute.

O Boca tem um bom time.

Tampouco se discute.

O Boca tem Riquelme, que é craque.

Há controvérsias, a menos que um jogador possa ser tão grande craque com tão poucos títulos no currículo. Mas, vá lá, digamos que é craque.

O Boca tem La Bombonera, onde é invencível.

Nem tanto, nem tanto.

O Boca é um eliminador de times brasileiros, The Brazilian Teams Killer.

Nem tanto, nem tanto.

No penúltimo confronto contra um clube brasileiro o eliminado foi o Boca Juniors, vencendo o São Paulo em La Bombonera por 2x1 e perdendo no Morumbi por 1x0.

Por que essa síndrome com relação ao Boca?

Por que esse medo de jogar contra o Boca?

Não vejo, com sinceridade, motivos para isso. Não mais do que vejo para temer jogar contra o Chivas ou o Colo-Colo ou mesmo o River.

Digam que o Boca é um adversário terrível e concordarei.

Digam que é dificílimo de ser batido e também concordarei.

Indubitavelmente, o Boca parece dever parte de seu crescimento e poderio às manobras e ambições de Macri, que transformou o clube e o time em sua melhor plataforma eleitoral. Já é o correspondente entre nós a prefeito de Buenos Aires, se bem que, no caso, trata-se de algo misto entre prefeito de São Paulo e governador do estado. De certa forma, na prática, é um dos três nomes mais influentes na política argentina. A um grande clube não convém atrelar seu presente e seu futuro a um político de carreira. A mim não soa bem, mas talvez seja bobagem minha.

Sea como sea, a mi no me gusta.

E paremos por aqui.

Sinceramente?

Não vejo motivos para tanto temor, tanta onda, tão grande síndrome.

Não vejo tantos motivos, enfim, para essa bocafobia.





Mais da visita a La Bombonera

Por falar nisso, viram os leitores desse Olhar Crônico Esportivo o post sobre a visita do Gustavo, meu filho, ao La Bombonera.

Vejam agora o que ele deixou nas paredes da lanchonete, dentro do La Bombonera:







Tenho uma dúvida: foi só uma zoação ou foi uma profecia?

Para mim, foi uma profecia.

A ver.





Sobre esse texto e as fotos

Quando o Gustavo voltou de sua viagem para a maravilhosa Buenos Aires e mostrou-me as fotos e o folheto e falou da visita ao estádio La Bombonera, pensei apenas em escrever sobre a visita, como fiz e vocês tiveram oportunidade de ler.

Agora, todavia, com todo o burburinho em torno do Boca, sua implacável invencibilidade (sic) frente a times brasileiros, lembrei-me dessas fotos e achei que seria divertido dar uma resposta à bocafobia que parece tomar conta dos brasileiros.

Aos amigos argentinos, os xeneizes em particular: não levem a mal.

O Boca é gigante, tal como o são outros.


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3 Comments:

  • At 4:05 AM, Anonymous Anônimo said…

    O problema de jogar contra o Boca nao eh com os jogadores ou com "a camisa", mas sim com os arbritos... Sempre roubam pros bosteros! (Vide o jogo da final contra o Gremio em 2007 na bombonera)

     
  • At 1:02 PM, Blogger André Monnerat said…

    Bom, assim como o Boca tem o Macri, o Milan tem o Berlusconi... E ninguém tem dúvidas de que o Milan é uma potência que ainda vai durar muito. Ou não?

    Uma vantagem do Boca é mesmo o psicológico. É fato que os outros entram em campo com medo deles, torcem pro cruzamento não os colocar no caminho e por aí vai. Eles não: entram sabendo o que têm que fazer e fazem seu trabalho.

    De qualquer forma, desta vez o Boca não tem La Bombonera. É uma vantagem a menos.

     
  • At 6:46 PM, Blogger Leo said…

    quero compartilhar o relato de minha amiga laura!!!



    Buenos Aires, 5 de maio de 2008.

    Desde muito queria conhecer a Bombonera, cheia. Jà havia visitado em um periodo de vacaciones no esquema gringo, roteirinho, mas ja dava pra imaginar como fica aquele lugar lotado. Outra vez, eu e a Re tentamos ir a uma partida, nem classico nem nada, mas ou era os 300 dólares na gringa ou na Popular. Ninguém quis nos levar a popular, nem vender ingresso. Nos chamaram de loucas varridas pra mais.

    Cheguei meio-dia nas redondezas de La Cancha. Sem ingresso, sem companhia. Algumas platas e muita vontade de ir ao jogo.
    Ia encontrar um amigo do amigo tal e que ia me vender o ingresso, mas dependia de telefone, ligar na hora certa tal e que obviamente nao rolou, o cara nao atendia.

    Ali, rola desde cedo uma festa. Enquanto os vàrios onibus de turismo chegam, La Boca toda vira uma parrillada familiar de domingo ao ar livre. Pertinho da entrada, hà dois ou tres restaurantes que vendem os tais Choripan, Lomito, Patty. Compra o Ticket depois de muito se amassar na fila, o cara pega o pao gigante, bota um naco de carne GIGANTE, te entrega de mao a mao e entao pronto.

    Esta altura, quase 13:30, ja havia desistido de comprar ingresso na rua e enquanto comia meu Patty na sarjeta à frente de La Cancha me preparando para assim que acabar de comer ir embora, apareceu "un tipo" querendo me vender platèia por 600 pesos. Disse que nao tinha tal plata. Perguntou quanto tinha, disse "Cem!", ele disse "Vambora brasileira, te llevo a la 12".

    Era absolutamente tudo que eu queria. Clássico Boca X River. A la 12! A Popular. Onde, teoricamente, nao se paga para entrar. Entra quem o porteiro, a organizacao conhece. O "tipo" me levou de namorada. Na hora de entrar acabei me dando bemzaço, porque no empurra-empurra que è para passar deste portao, crianças, namoradas, esposas tem máximo respeito e passam na frente. Subimos as escadas e, UAU: Lindo domingo de sol, popular já completamente cheia, e diziam que nao era nem a metade.

    Antes do clássico começar, a festa vai esquentando. A guerra de milho é geral ("Aquel que no salta es un Gallina!"). Entramos uma hora antes e na Popular já se distribuía os baloes, os rolinhos de papel, os pedacinhos de papel, bandeiras, e a bateria, do ladinho, pertinho, é difudê.

    Jogo começa. Dalí, nao hà sequer espaço para deixar os dois pés no chao. As pessoas vao se engalfinhando, se apoiando para conseguir espaço pra se manter em pé, cantar e ainda assim ver o jogo. E logo no começo do jogo, Gol!! Achei que esse negòcio ia cair, ou todos cairem pra frente, sei là. Torcida toda, senhores, crianças, festejam num emprurra-empurra na certeza que ninguèm vai cair, pq nao ha espaço para tal. Um abraço coletivo gigante-mór. A cantoria nao pára um segundo, e a bateria acompanha num coro sò, como um estadio pequeno de Bairro, um Juca, apenas com 50 mil pessoas dentro.

    O juiz apita final do primeiro tempo. Automaticamente e simultaneamente (!) as pessoas todas sentam. Eu, no meio de uma torcida gigante fiquei em pé, com os pés presos porque tinham oito pessoas por metro quadrado sentados neles, esquema Joao-Bobo mesmo, quando um tiozao carinhosamente me oferece um pedacinho do degrau que tinha na frente dele. Logicamente nao se vende bebida alcoolica, afinal ali tudo já está ao limite das CNTP, mas se vende CocaCola, água e amendoins. O cara que está là em baixo quer comprar, a fila toda, desde lá de cima colabora, pq nao há condiçoes de ninguém se mexer. O que rola é uma intimidade de compratilhar as coisas, as conversas, as comidinhas, o espaço.

    Começa o segundo tempo, a "inchada", torcida, nao pára de cantar. Me impressionou a organizaçao, a quantidades de cançoes e familiaridade com elas. O jogo, afinal, tava chato que só. O River decidiu nao jogar, e restou ao Boca mais alguns chutes a gol e muita festa a La Cancha. Ah, vale citar também que o meu vocabulário chulo portenho cresceu 1000% depois desta experiencia multicultural-multicultural.

    Acabado o jogo, a festa continua lá dentro, até porque é um passo infinito sair de là. Mas continua a festa pelas escadarias, e como a altura é grande, o por do sol contribuiu para o momento. Ao sair, na rua, a bateria está lá, e a festa continua nas parrilladas. O clima é de um Juca, com uma galerinha em volta da bateria à frente do estadio. Novamente fiquei impressionadíssima.

    Sou fa de carteirinha da Argentina e volto a afirmar que quem nao gosta disso aqui tem é muita inveja ou nao conhece suficiente. Até onde a rixa existe, o fabuloso futebol, os caras mandam bem pra cacete. Em termos de presença no estádio, eles sao o verdadeiro Carnaval. E aí, que na minha opiniao, está inserido o contexto paixao pelo futebol, na possibilidade do jogador e dos tantos outros no campo, fazerem algo unico, uma jogada que nunca pode ser repetida, nas milhares de combinaçoes de passes e lances que tornam o feito único, e estar presente apoiando o time torna também o fato como único, e imensurável.

    Desta experiencia nao levei nada fisico. Nem ingresso, nem foto, apenas estas recordaçoes, que ainda anestesiada compartilho com vcs. Cheguei às 22h em casa ontem e capotei e tava morrendo de vontade de compartilhar com os amigos brasileiros mas nao tive forças de chamar a ninguèm.
    Pai, Mae, tá tudo bem.

    Ainda em tempo: azeite porcada.

    Beijos,
    Lau

     

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