Um Olhar Crônico Esportivo

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terça-feira, março 04, 2008

Boladas e Caneladas do terço final de verão



Dois pesos e duas medidas.

Tá na Folha de hoje, na coluna Painel:

“Desconto - O vice palmeirense Gilberto Cipullo sugere mudança na Lei Pelé que desobrigue os clubes de pagarem multa equivalente ao restante do contrato nos casos de jogadores dispensados.

Na pele - A idéia de Cipullo deve ser discutida pela comitiva de cartolas que está em Brasília por lobby pelas alterações na Lei Pelé. O corintiano Andres Sanchez faz parte do grupo. Ele não rescindiu com Roger para evitar ter de pagar o contrato até o fim.

É a mesma velha história da relação desigual entre as partes, onde quem pode mais chora menos. Os clubes têm gritado em alto e bom som que a Lei Pelé está a quebrá-los. Ora, qualquer um com um pouco de informação sobre os clubes brasileiros sabe ser isso deslavada mentira ou absurdo desconhecimento da realidade. Os clubes brasileiros foram quebrados por seus próprios e abnegados dirigentes.



Desconfiança & Comodismo

A expectativa do São Paulo para amanhã, contra o Audax, é ter cerca de 30.000 torcedores no Morumbi. Casa cheia, mesmo, só nas próximas fases.

Esse comportamento da torcida Tricolor já é bem conhecido dos dirigentes, mas a verdade é que se o time já estivesse rendendo melhor o público seria bem maior. Também é bem conhecido o gosto são-paulino por ver o time em peso apenas quando está vencendo e jogando bem.



Conversas com um “boleirinho” de futuro

Conversava esses dias com um garoto que está fazendo testes num dos clubes da Capital. Conversa vai, conversa vem, ele falou dos torneios que disputou na Baixada Santista, onde é muito melhor para jogar porque sempre tem olheiros dos clubes e é uma competição atrás da outra.

Jogou três vezes contra a estrela santista, Neymar, o garoto de 15 anos que ganha trinta mil por mês e conseguiu ser mantido a salvo do assédio do Real Madrid. Disse que ele é bom mesmo, mas que afina. Joga legal até receber a primeira pancada e aí dá uma sumida do jogo.

Ele contou isso se divertindo, afinal, estava falando de uma estrela em ascensão. Perguntei a ele se não seria melhor mesmo ele “afinar” e sumir do jogo e, dessa forma, proteger suas pernas?

O garoto ficou pensativo e acabou por me dar razão.

Ele mesmo, por sinal, meia-atacante, não sabe marcar e nem bater, só sabe cercar, e por isso o último treinador dele gritava pra ele “Bate! Bate!”, quando marcava um adversário que já o havia acertado. Como ele (ainda) costuma ouvir o que eu digo, disse-lhe para esquecer o fulano e continuar sem bater. Mas que seria bom aprender a “cercar” melhor, dar combate tentando não fazer falta e, sobretudo, nunca revidar, porque atacante que revida vai pro chuveiro e o zagueiro fica em campo dando risada. Coisa que ele já sabe, mas nunca é demais repetir e reforçar.

Dias atrás ele veio aqui perto de casa ver um jogo-treino do Barueri, contra um time de várzea aqui de Carapicuíba, mas muito bem arrumadinho, daqueles times enjoados, cheios de banca e pose. O Barueri goleou e Pedrão, vice-artilheiro do Paulista, marcou 3 gols. O garoto saiu encantado com o toque de bola fluente do Barueri e a facilidade com que a bola chegava na frente. Já é fã do Pedrão, e não é para menos.

Hoje foi dia de treino, logo cedo. Falei brincando pra ele não ir pra balada e dormir direitinho. Se bobear, é capaz de ter faltado na escola só pra dormir mais cedo.

Cá entre nós, não serei eu a condená-lo se realmente fez isso. E tomara que tenha feito um bom treino, que vale como uma peneira.

Na dúvida, está aprendendo a trabalhar com vídeo. Afinal, nada melhor que prevenir.



Problemas à vista?

Há anos a Colômbia vive uma guerra terrível contra os narcotraficantes das FARC. Com a morte do número 2 do grupo em ação militar que penetrou dois quilômetros no Equador, Hugo Chávez, presidente venezuelano, foi à loucura e está por trás da reação destemperada do governo equatoriano.

Relações diplomáticas foram cortadas, embaixador expulso, embaixador retirado, Chávez faz uma grande mise-en-scène e joga pra galera (2008 é ano eleitoral), mandando dez batalhões de seu exército para a fronteira com a Colômbia. Estimulado pelo chefe, o presidente equatoriano, Rafael Correa, faz o mesmo, enquanto o presidente Álvaro Uribe, da Colômbia, mantém uma postura calma e pede a intermediação de países europeus.

Equador, Colômbia e Venezuela...

Os jogos da Copa Libertadores serão afetados?

A ver.

Lembrete: em 1991, bandidos das FARC invadiram o Brasil, atacaram um quartel do Exército Brasileiro – o Destacamento Traíra, às margens do rio do mesmo nome –, mataram três soldados, feriram quatro e roubaram armas e munições. A reação foi imediata. Dois dias depois, um pelotão de tropas especiais treinadas em guerra na selva do Exército Brasileiro entrou fundo em território colombiano, atacaram a base das FARC, mataram sete bandidos, feriram outros e recuperaram todo o armamento roubado.

A Colômbia errou, mas fez o que devia fazer e apresentou desculpas ao Equador.

Mas o clown venezuelano quer barulho e confusão. É disso que ele se alimenta.


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4 Comments:

  • At 9:21 PM, Anonymous Victor said…

    Essa é a impressão mesmo que tenho da torcida do São Paulo. Aliás, esse era um estereótipo clássico dos são-paulinos.

    De uns tempos para cá, sabe-se lá porque, tem-se dito que a torcida do São Paulo tem uma identificação especial com a Libertadores, parecendo gostar até mais que outras.

    Não é o que me parece vendo as torcidas de Cruzeiro e Grêmio por exemplo quando estes disputam a Libertadores.

    Saudações Tricolores (cariocas)
    Victor
    Blá blá Gol

     
  • At 10:17 PM, Blogger agepe said…

    Sobre esse probleminha da Colombia x Equador x Venezuela-Farc...estou contigo Emerson.
    AInda acrescento que os países americanos deveriam era cobrar o ditadorzinho mais transparencia nesse contato com essa facção.

     
  • At 2:06 AM, Anonymous Anônimo said…

    Eu não li o Painel FC nesta terça, Emerson, mas soube da intenção dos clubes paulistas de "rediscutir" a Lei Pelé por um press-release do Ministério do Esporte.
    Esse lobby dos clubes é ridículo! Este mês a Lei Pelé vai completar 10 anos e os dirigentes continuam culpando uma mudança jurídica inevitável (e que ocorreu no mundo todo graças ao precedente do caso Bosman) pela própria incompetência.
    Não acredito (e principalmente espero) que as apirações do Cipullo sejam atendidas.
    Sobre a Lei Pelé, inclusive, o Francisco escreveu um post interessante lá no Futebol & Negócio. Deixa a sua opinião lá!
    Abs, Marcos Silveira

     
  • At 7:35 PM, Blogger alessandro said…

    Grande Emerson,
    .
    Meu pai que fala que 77 foi um grande ano,pois o Vasco foi Campeão Carioca e eu nasci.hehehehehehehehe
    .
    E muito chato aquele lance lá do blog do Cereto,eu tenho em mim que se não gosto do estilo do blog não vejo,o dele mesmo eu não dava muita bola,pois era mais futebol paulista,mas o cara mora em SP ele tem é mais que escrever daí mesmo.
    .
    Abraços e boa sorte pro seu São Paulo hj contra os italianos do audax ou ao contrário sei lá,hehehehehehe

     

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