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domingo, agosto 05, 2007

Assim se faz futebol no Brasil

(Matéria publicada no O Estado de S.Paulo, em 4 de agosto de 2007.)




Nada de perdão para jogador do Juventude

Alex Alves recorreu da punição por uso de inibidor de apetite. Perdeu

Almir Leite

O Juventude está na zona de rebaixamento, tem um dos ataques menos efetivos do Campeonato Brasileiro, mas daqui a 19 dias as coisas poderão começar a melhorar. No dia 23 termina a suspensão por doping de Alex Alves e o clube de Caxias do Sul terá o direito de escalar novamente seu atacante. Alex pegou com 120 dias por ter testado positivo para sibutramina, um controlador de apetite. Como Dodô, inicialmente punido por uso de femproporex, também um inibidor de apetite. Alex recorreu ao STJD. Como Dodô. Mas o artilheiro do Juventude não teve a mesma sorte do artilheiro do Botafogo. Sua suspensão foi mantida.

O curioso é que Alex Alves faz parte de um grupo de jogadores pegos no antidoping nos últimos meses por consumir um suplemento alimentar que continha sibutramina por erro do laboratório que produziu o produto (e que acabou descredenciado pela Anvisa). Dois deles, Fininho e Adans, do Veranópolis gaúcho, foram absolvidos. Mas Alex e Walker, pego quando jogava pelo Náutico - e atualmente desempregado -, tiveram de pagar 120 dias.

Alex foi condenado em duas instâncias no tribunal da Federação Gaúcha (o doping ocorreu em jogo do Estadual) e no dia 12 de julho teve a pena mantida pelo Pleno do STJD - o mesmo que anteontem perdoou Dodô. “É tudo muito estranho’’, disse ao Estado o presidente do Juventude, Iguatemy Ferreira Filho. “De um lado tem o Botafogo e o Rio; do outro, Juventude e Caxias do Sul. Bem, é fácil de entender. Só posso supor que foi uma decisão política (a absolvição de Dodô).’’

Claro que fatores como a atuação dos advogados também contam - o próprio Alex Alves, não localizado ontem, já andou reclamando a atuação do clube. Mas Ferreira Filho vê só um motivo para a manutenção da pena de seu jogador e o perdão ao botafoguense. “O tribunal usa dois pesos e duas medidas’’, critica o dirigente. “No julgamento do Dodô, três auditores eram torcedores do Botafogo. Fica bem complicado.’’

A revolta de Ferreira Filho é maior porque nem o pedido para transformar parte da pena de Alex (60 dias) em pagamento de cestas básicas, como em outros casos, foi atendido. “Nem analisaram. É assim que se faz futebol no Brasil.’’


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