Um Olhar Crônico Esportivo

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sexta-feira, julho 20, 2007

Mistérios do futebol


Esse é um esporte cheio de mistérios.

É, também, o esporte de todas as possibilidades.

O futebol aceita estatísticas, mas unicamente para detoná-las.

Aceita rankings diversos, pelo só prazer de botá-los de cabeça pra baixo.

Esporte interessante o futebol.

Nossa evolução como espécie consagrou o cérebro e as mãos, dotadas de características todas próprias – viva o polegar! – que permitem realizar o que o cérebro imagina.

O futebol se vale do cérebro.

Mas não se vale das mãos, exceto como complemento dos braços na tarefa de equilibrar o corpo. E, claro, na função de goleiro, algo tão distinto do futebol propriamente dito, que o atleta investido na função atua somente numa área pequena, com regulamentos próprios. Exceto aqueles que rompem com a mesmice e jogam igualmente bem com os pés, como Rogério Ceni. Mas aí já falamos de outra categoria de jogador.

O futebol vale-se dos pés, esses maravilhosos pés que, comparados às mãos fazem tão pouco e sobre os quais temos um controle meio restrito. Com certeza, é neles que reside a aversão do futebol ao previsível, ao lugar-comum, ao óbvio. Neles e na bola, claro. Mas tudo isso é assunto pra outra hora, por tão vasto que é.



Um mistério

Reunindo todas as teorias possíveis, acopladas a diferentes levantamentos estatísticos e cálculos matemáticos, o São Paulo tem um ataque portentoso para esse momento do futebol brasileiro. Nomes de peso e prestígio, sem a menor dúvida.

Aloísio, Borges, Dagoberto, Diego Tardelli, Leandro, Marcel, que recém-saiu para o Grêmio.

Naturalmente, todos podem ser contestados em um ou outro ponto, mas é inegável que se trata de um elenco muito acima da média de que dispõem os demais clubes que disputam o Campeonato Brasileiro da 1ª Divisão em 2007.

Apesar dos predicados todos, esse ataque não funciona. E quando isso começou a acontecer, com Borges, por exemplo, parou por contusão.

Explicações existem e as mais diversas, desde as prováveis até as muito criativas, tanto que passam a ser, simplesmente absurdas.

Nenhuma, porém, consegue explicar como tanta gente habilitada e acostumada a fazer gols, de repente não consegue mais marcar um sequer e por muitos jogos.

O conjunto do time é bom. A maioria vem jogando junto há um bom tempo, portanto, já existe um entrosamento mínimo. O clube é ótimo, os salários são bons e pagos religiosamente em dia, o treinado é bom, experiente e competente, o preparador físico e sua equipe são de primeira qualidade, assim como a área médica e fisioterápica.

Ou seja, as condições objetivas e algumas subjetivas estão dentro ou até acima da normalidade. Então, por que diabos a bola não entra nas metas adversárias? Com muitas até batendo nas traves, por capricho dos deuses dos estádios?

Ah...

Os deuses dos estádios...

Sim, talvez... Possivelmente.

Estou a ponto de jogar minha racionalidade no lixo e ater-me, unicamente, a essa hipótese. Parece-me, entre todas, a mais plausível.

A menos que se acredite nas diferentes teorias conspiratórias, uma mais maluca e improvável que a outra. A menos ruinzinha delas fala de desunião no elenco. Outra, sustenta isso e acrescenta um grupo determinado a derrubar o treinador. Há quem fale, também, em corpo mole, pura e simplesmente, por conta de insatisfações diversas e difusas.

Ainda fico com o humor – péssimo e sem graça – dos deuses dos estádios.

Ate porque, como bem sabiam nossos antepassados remotos e outros não muito, há mais coisas entre o céu e a terra do que supõe nossa vã filosofia.

É isso, ou deixar tudo no campo do mistério não resolvido.


À guisa de post scriptum...

A noite de anteontem no Morumbi foi particularmente gelada.

E chata.

E muito, muito triste, com a presença vívida em todos do acidente na véspera com o vôo 3054.

E a única coisa boa e decente daquela noite gelada foi o minuto de silêncio em homenagem às vítimas do acidente.


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3 Comments:

  • At 10:19 AM, Anonymous Paulo Dinis said…

    Emérson, bom dia!
    Sei que vc gosta do trabalho do Muricy, mas vc não acha que ele tem boa parcela de culpa nessa escassez de gols do ataque Tricolor? O time é muito parado, não há qualquer movimentação, e isso, apesar de ajudar a defesa, mata o setor ofensivo. As principais chances do São Paulo são quando o Ilsinho acaba entrando pelo meio (foi assim contra Atlético-MG, Flamengo, Santos) e ele acaba não incentivando isso, sei que perdemos jogadores (o Mineiro e Danilo fazem muita falta), mas não acho que nosso elenco, nem de longe, é pior que qualquer outro time.
    Não cobro títulos, porque sei que não dá pra ganhar todos, mas o Muricy, em 19 meses de trabalho, não conseguir dar uma cara para esse time.
    Por mais que os Deuses não estejam ajudando como outrora, acho que o Senhor de preto na berada do banco também não está auxiliando muito.
    Abraço

     
  • At 12:58 PM, Blogger Emerson said…

    Paulo, o São Paulo de 2006 foi o São Paulo do Muricy.
    O time manteve a vontade e o futebol de 2005, foi vice na Libertadores e foi campeão Brasileiro.
    Não é pouca coisa.

    Agora, nesse ano, a coisa tá feia e começa a preocupar. Mas eu não vejo no Muricy a razão disso tudo. Uma parte, com certeza, mas não a maior.

    Mudar o treinador não é a solução, pelo menos nesse momento. A última vez que mandamos treinador embora foi no caso do 00.

    Vamos supor que tenha gente no elenco querendo derrubar o Muricy. Ou que alguns jogadores estejam insatisfeitos com ele e rendendo menos que o possível. Nesses casos eu sou mil por cento pró-treinador. Não há outra saída possível.

    Agora, olhando o São Paulo de hoje, todos os fatores objetivos possíveis estão ok. Alguns dos subjetivos também. Portanto, só me resta acreditar que o melhor a fazer é manter o apoio ao Muricy. Montar um novo time é tarefa complicada, às vezes. E, mais dia, menos dia, teremos de abandonar o 352 e jogar num 442, talvez até num 433 como variação, pois o time, por melhor que seja no 352, fica meio desequilibrado no meio. O diabo é arrumar dois meias de qualidade, criativos e também combativos.
    Coisa difícil.

    Há um outro fator, do qual alguns jogadores reclamam, embora não haja solução para isso: contra o SP, a maioria dos times vem fechada, bem fechada, tirando espaço dos alas. Sem os alas fica complicaddo justamente por não jogarmos com dois meias criativos. E por aí vai.

     
  • At 1:42 PM, Anonymous Paulo Dinis said…

    Émerson, boa tarde!
    Concordo que o Muricy, não é o único dos problemas, mas insisto que falta padrão ao time. Padrão que o São Paulo só teve na era Muricy no BR06, pois na própria Libertadores 06, sofremos, e muito, com o time: Passamos por Estudiantes e Palmeiras (times bem inferiores) com as "calças na mão". Não cobro do time espetáculo, sei bem que libertadores é muito complicada, só que o time não foi bem naquela competição, mesmo capitulando apenas na decisão.
    Existem outros problemas sim, sem dúvida, e eles não são pequenos. Os "Deuses" do futebol também não estão nos ajudando, lembremos que em 2005, os times vinham ainda mais fechados jogar contra nós, contudo, o pé do nosso Querido Rogério estava milimetricamente ajustado e abria qualquer jogo (foi assim contra o River, Palmeiras, Tigres, Corinthians, Itthad...), e hoje não contamos com a mesma sorte, talvez se as faltas do nosso número 1 entrassem, não passariamos tanto sufoco.
    Mesmo assim acho que seria um boa hora, para o Muricy trocar de ares.
    Abraço!

     

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