Um Olhar Crônico Esportivo

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domingo, setembro 16, 2007

Clássico é clássico...



... e vice-versa.

Grande frase do Jardel, aquele centroavante emérito marcador de gols (e acho que só, também). A princípio, e até hoje, essa frase é repetida de forma pejorativa, mas, sei lá, pensando bem, ela fecha e define rigorosamente o que é um jogo clássico:

Clássico é clássico e vice-versa.

Ponto. E esse blog pede licença para ser são-paulino de carteirinha nesse post. De vez em quando o coração tem que falar e ocupar espaço. :o)

Confesso que estava com preguiça de ir ao Morumbi ontem. Mas meu amigo Miguel já estava lá, aliás, desde cedo no clube, papeando, churrasqueando, etc e tal... Vida dura para um sabadão! Ingresso na mão, tudo tranqüilo, então, por que não ir? Ora, porque o sofazão aqui do lado... a televisão com a tela razoável, o conforto, a preguiça... Essas coisas importantes que dão um certo sabor (?) à vida.

– Até que a Rosa entrou em cena e decretou: você fica no estádio, enquanto eu vou ao Shopping Butantã.

– Mas você vai ficar mais de três horas num shopping? Fazendo o que?

Bom, nem transcrevo a resposta. Antes de sair de casa, duas trocas de roupa. Coloquei a camisa do São Paulo e voltei para tirá-la. Com a divisão solicitada pela PM, a torcida santista teria acesso às arquibancadas pela Rampa 5, justamente ao lado do Portão 17, que dá acesso ao Memorial e ao Salão Nobre e à Tribuna de Honra. Para não correr risco, mesmo porque iria a pé para o shopping no final do jogo, tirei a gloriosa camisa Tricolor e lá fui eu.

Antigamente, eu chegava cedo ao estádio. Muito cedo, até demais às vezes. Agora chego tarde, quase em cima da hora. Coisas da vida. No caminho, outros retardatários como eu. Ou nem tanto retardatários, é mais o conforto do ingresso comprado antecipadamente. Várias motos com os motoqueiros uniformizados e carros com três, quatro, cinco pessoas, bandeiras tricolores desfraldadas pelas janelas. Não tem jeito, o coração bate mais forte.

Apesar da preguiça e do apelo sofazístico, eu vou bastante ao Morumbi. Mesmo nesse ano meio magro, já fui umas oito vezes. Ou mais; qualquer hora pego os ingressos – sim, guardo todos – e conto. Mas em alguns jogos a emoção é maior, a expectativa é outra, o batimento cardíaco acompanha. Ontem foi um desses jogos.

Ver os jogos das cadeiras tem lá suas vantagens, sem dúvida, a começar pelo horário de chegada. Mas tem, também, suas desvantagens, e uma delas me faz pensar que está na hora de ver alguns jogos lá do alto, da velha e gostosa arquibancada, no meio da torcida que grita mais, pula mais, comemora mais. Quem sabe o próximo?

Não importa o lugar do estádio, sempre faço questão de sentar relativamente próximo a uma das equipes de atendimento de emergência, com o desfibrilador.

Essa da foto é a estação próxima à tribuna, no setor 216.

Meu amigo Miguel não se liga muito nisso, mas eu sou já sou mais encanado. Enfim, não custa estar meio prevenido.

Já virou tradição o São Paulo entrar em campo com os jogadores cercados por uma multidão de crianças, vindas, em sua maioria, de escolinhas que têm convênios com o São Paulo.

No jogo de ontem eram crianças de três escolinhas da Grande São Paulo, e, claro, sempre têm filhos e netos de jogadores, funcionários, conselheiros, etc. É uma coisa bonita e a molecadinha fica ansiosa esperando pela entrada do grande ídolo, Rogério Ceni, que é cercado por quarenta a cinqüenta crianças todo jogo. Coisa de louco. As demais se dividem entre os outros dez jogadores, com mais peso, hoje, para Dagoberto, claro.

O jogo foi bom demais para o São Paulo. Que deixou claro, desde o início, que iria jogar para ganhar. O Noriega, comentarista do Sportv, disse que o jogo do São Paulo era de intensidade. O Lédio e o André Rizek não só concordaram, como usaram o termo em seus comentários sobre o jogo. Foi muito feliz o Noriega: intensidade descreve bem o futebol do São Paulo ontem.

Luxemburgo estava bem à nossa frente, agitado em boa parte do jogo. Com 2x0 no placar não perdoamos: o grito irônico de “Burro” saiu de nossas bocas. Depois fiquei sabendo que a própria torcida do Santos gritou isso para ele. Mas se o grito santista foi de revolta, o nosso foi gozação pura, ironia pura, logo seguido por “um, dois, três, Luxemburgo é freguês!”, complementado por “É, Muricy!”.

Clássico também tem dessas coisas, como o embate Luxemburgo x Muricy, os dois maiores vencedores e pontuadores nos pontos corridos.

O jogo? Ora, tanta gente já escreveu tanto sobre ele que eu vou me poupar esse trabalho. Concordo com o Lédio, com o André, com o Juca, com o PVC...

Só digo que o gol do garoto Breno, que vai fazer 18 anos em pouco menos de um mês, foi um dos grandes momentos que vivi no futebol nos últimos anos. Gol antológico, não tanto por sua beleza e categoria, mas por tudo isso ter saído dos pés de um zagueiro. Mais que isso: um garoto de 17 anos, alto e forte. Que futuro tem a criança! Claro, em doze meses, dezoito com sorte, estará num dos grandes times europeus. Vida que segue.

No final, já nos acréscimos, o Santos marcou. Sinceramente, nem vi direito a jogada. Nem vi, ainda. Não tive tempo para assistir o vídeo, que deixei programado para gravar. Na revisão da fita só parei para ver os dois gols do São Paulo. Embora eu tenha ficado irritado com esse gol, ele foi até benéfico. Era muito exagerado o tititi da imprensa em torno do recorde a ser batido por Rogério e a intransponibilidade da defesa Tricolor, agora chamada de Muralha. Até o FIFA News falou disso anteontem. Enfim, aconteceu e será um peso a menos doravante.

Jogo acabado, peguei o caminho do shopping, sem a camisa do meu time. Inútil preocupação, pois a PM montou um esquema perfeito na saída do Morumbi, isolando as duas torcidas, e deixando a avenida principal de acesso ao estádio livre para os são-paulinos. Em meio ao mar de camisas tricolores senti-me meio deslocado sem a minha. Que pena.

Policiamento em toda a extensão, reforçado pela cavalaria ao lado das rampas de saída. Viaturas por toda parte e grupos de policiais a pé a cada cinqüenta, cem metros. Um sossego, bom demais. A PM manda a conta desse efetivo para o clube mandante, no caso de ontem o São Paulo, mas vale a pena.

É isso. Rumo ao quinto título Brasileiro, rumo à conquista definitiva da Taça que está guardada há décadas na CBF.


Rumo ao Penta!

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3 Comments:

  • At 9:34 AM, Anonymous Paulo Dinis said…

    Emerson, como disse o "poeta", clássico é clássico e vice-versa, é uma emoção diferente e ainda bem que pra nós são paulinos, ultimamemte, tem sido ótima. Como sempre vou ao estádio e fico ali na geral (aliás saí na sua foto, alí entre a duas faixas tricolores na vertical), pude conversar com a criançada, é impressionante como todos querem entrar com o Rogério, essa mulecada é muito animada, eles vieram de Mauá, Curitiba e Joinville.
    O jogo foi ótimo, o resultado também, que venha o figueirense e que essa intensidade permaneça!
    Abraço

     
  • At 11:55 AM, Blogger Vinicius Grissi said…

    Bom post, mas pra mim o mais interessante foram os dados de público. Na verdade, os não pagantes: apenas 130. Não sei o motivo da contagem, mas aqui no Mineirão, onde acompanho, o torcedor não entra de graça, mas são pelos menos 3 mil bicos por jogo.

    Estranho...

     
  • At 12:35 PM, Anonymous carlos pizzatto said…

    O craque do São Paulo se chama Carlinhos Neves.

     

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