Um Olhar Crônico Esportivo

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quarta-feira, setembro 26, 2007

Bravo! Bravíssimo!

(Esse texto foi escrito originalmente para o site do Wanderley Nogueira, depois do jogo São Paulo x Figueirense.)



Bravo! Bravo!

Assim termina mais uma grande apresentação de uma orquestra.

Sob a regência de um maestro, de cujo trabalho só enxergamos a batuta indo e vindo, subindo e baixando, seguindo motivos desconhecidos de quem não conhece música e que tentamos imitar ao volante do carro, algumas dezenas de profissionais trabalharam em perfeita sintonia. Cada instrumento na tonalidade e altura corretas, entrando no momento certo, saindo de cena com perfeição para a entrada do próximo. Cordas, metais, percussão, vozes, em algumas obras, tudo funciona como, digamos, um relógio suíço. Tudo se encaixa, o trabalho de cada um se encaixa com o todo. Parece até que tocam por música. Encaixou mesmo.

Opa! Essa palavra não me é estranha: encaixou.

Ah, não é mesmo. É a famosa palavra-mágica, o “abre-te Sésamo” atrás do qual correm todos os professores, digo, treinadores de futebol.

“O time encaixou...”

“A marcação encaixou...”

São palavras associadas aos vencedores, satisfeitos, felizes da vida, mesmo que tentem ocultar a felicidade por trás de uma máscara de mau-humor ou de insatisfação permanente. Pura mise-em-scène. Quando o time encaixa, o time todo, treinador incluso, é só sorrisos e felicidade.

Tal e qual o torcedor. Tal e qual o torcedor são-paulino nesses últimos jogos do Brasileiro. O time está encaixado.

A marcação, exercida com vigor e rigor, começa no campo do adversário, praticamente em sua própria área.

De vez em quando, cada vez menos, a bola chega ao último reduto tricolor, Rogério Ceni. E dali raramente passa. Até agora, em vinte e sete jogos, apenas 8 vezes a bola beijou as redes. Sete delas antes do time encaixar a marcação, primeira etapa do encaixe total.

O São Paulo encaixou. O jogo flui, cada um sabe onde encontrar o outro, a marcação não esmorece, o ritmo e a condução da bola parecem obra de um setor único, sem diferença entre defesa, meio e ataque, mesmo porque jogadores de um vivem no setor do outro. Não há barreiras, há deslocamentos e ocupação de espaços.

Bonito de se ver.

Muricy pode ganhar uma batuta de presente.

Seu time está jogando por música.

Bravo, maestro!

Bravíssimo!


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3 Comments:

  • At 4:40 PM, Blogger Vinicius Grissi said…

    Salvo os exageros: uma belíssima exibição. Vitória fácil e incontestável...

     
  • At 11:29 AM, Anonymous jacare_argentino said…

    Desculpe hermano Emerson, voce é um amigo e um cara bem inteligente e sempre diz coisas pertinentes, mas dessa vez parece ate que vimos jogos diferentes...
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    O jogo que voce viu com certeza nao incluiu um Boca que soube frear bem os ataques saopaulinos com inteligencia e nenhuma retranca, diferente do que se fez no tricolor depois do "gol"...
    E o gol... tenho certeza que nao fui o unico a ver o toque de braço do Aloisio pra dominar a bola, semelhante ao que ele ja tentou contra o Flamengo, so que ai o arbitro anulou...
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    Nao me entenda mal, o tricolor tambem jogou bem, mas jamais pra merecer comentarios tao exaltados e nem pra merecer sequer a classificaçao...
    Mas hoje pensando de cabeça fria eu pude ver que foi melhor, agora o time pode se desgastar menos pro Apertura e pro Mundial, que sempre foi o que realmente interessa...
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    Enfim, parabens pelo titulo, ja que foi a final antecipada, e abraços.

     
  • At 4:40 PM, Anonymous Paulo Dinis said…

    Emerson, vim aqui, tempos atrás, reclamar do Muricy, enquanto vc o defendia. Não será a primeira vez que digo que vc está correto, mas realmente o São Paulo está jogando muito bem, quase por música (que sempre combina de acordo com a situação). Isso é mérito do Muricy!

    Sobre o jogo de ontem, descordo do colega Jacare_argentino. O Boca, enquanto pôde, esfriou o jogo, já o São Paulo foi pra cima, com um bom volume, enquanto isso era necessário. Os Argentinos assustavam nos contra-ataques. O postura Tricolor após o gol (diga-se que ao meu ver não houve falta) foi muito parecida com a do Boca na primeira etapa, tentando uma marcação eficiente e jogando nos contra-ataques, enquanto os Xeneizes lançavam chuveirinhos na área. Após as contusões dos são paulinos, o Boca veio pro abafa, o São Paulo se postou atrás, de forma eficiente. Aqui, tal como lá, venceu o melhor. Pior para o Boca que devido a uma desatenção (que o São Paulo não teve aqui) no final do 1º jogo levou um gol.

    Se foi melhor para o Boca, eu não sei. Mas que esse não era o discurso de 2, 3 dias atrás, ah não era.

    Abraço a todos.

     

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