Um Olhar Crônico Esportivo

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quarta-feira, abril 30, 2008

Tudo se repete


Ou, mais um capítulo da Guerra dos Estádios.

Nada disso é novo, exceto o motivo: final de Campeonato Paulista no Palestra Itália.

Antes dessa decisão, jogos importantes, decisivos, realizados no estádio palmeirense, agora também chamado de Pepper Arena pelos adversários, provocaram cenas e histórias similares às que foram vividas ontem.

A direção da Sociedade Esportiva Palmeiras colocou à venda para o distinto público, composto por seus torcedores apaixonados e entusiasmados, a bagatela de 17.000 ingressos para o jogo final do campeonato. Outros 3.000 foram destinados a sócios e convidados, 2.600 para a torcida visitante, da Ponte Preta, e 5.000 para o setor “Visa”, de preços salgados e comercialização à parte, num total de 27.600 ingressos.

Em apenas 2h50’ os ingressos esgotaram.

Como disseram vários torcedores frustrados, eles acabaram sem que as filas enormes se movessem um só milímetro. Milhares de pessoas, que começaram a chegar na noite anterior, ficaram a ver navios e ingressos nas mãos de cambistas. Com esses não havia escassez, somente abundância, tanto nos números de ingressos disponíveis como nos preços, que de 40 reais pulavam para 120 e até 200 reais por um só ingresso. Pura loucura.

O tempo de 2h50’ foi, também, o tempo necessário para que a tensão acumulada pelas muitas horas de espera, associada à enorme frustração, resultasse em atos de violência. Como é de praxe, as dependências do clube propriamente ditas ficaram a salvo de qualquer coisa, pois os prejuízos e o pavor espalharam-se pelos arredores do estádio, pelas ruas estreitas tomadas por residências e prédios, habitados por milhares de pessoas que nada tinham a ver com nada daquilo. O comércio fechou as portas, não sem antes abrigarem, querendo ou não, centenas de pessoas que correram para lojas e bares em busca de proteção. Os dois shoppings nas proximidades também fecharam suas portas e proibiram, com seguranças parrudos e mal-encarados, a entrada de pessoas com alguma identificação do clube.

No frigir dos ovos, domingo, ao entrar em campo, o time palmeirense será saudado por 24.000 de seus torcedores, que comprarão, não tenho a menor dúvida, todas as entradas em mãos dos cambistas.

Provavelmente vencerá a Ponte Preta, ou empatará, e dará a volta olímpica diante desses torcedores. Enquanto isso, outros 45.000 que poderiam também estar vendo, saudando e comemorando, estarão sentados em frente às telinhas, frustrados, sonhando com o jogo perdido ao vivo, enquanto os 72.000 lugares do Morumbi estarão desertos.

Uma boa imagem do profissionalismo de fachada que reina no futebol brasileiro.

Nem vou comentar as acusações novamente feitas da existência de esquemas para entregar ingressos somente aos cambistas. Pura bobagem, é assim há anos.

Dessa forma termina, dessa vez para valer, a série Guerra dos Estádios.

Vencedor? Acho que não há.

Perdedor? Com certeza há: o torcedor palmeirense.


Veja aqui a excelente matéria do Estadão a respeito.


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2 Comments:

  • At 10:33 AM, Blogger Ivan said…

    SEU TIME TÁ FORA RAPA...

     
  • At 8:13 AM, Blogger Douglas Heinz said…

    Bom dia Emerson,
    .
    Penso da mesma forma, acho que o Palmeiras cometeu um erro ao não jogar no Morumbi, principalmente pela receita que deixou de arrecar devido ao menor número de lugares disponíveis.
    Mas, quem entende esses dirigentes?

     

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