Um Olhar Crônico Esportivo

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quinta-feira, outubro 19, 2006

Mais um complicador


Apesar do que pensa muita gente, todo o dinheiro que passa por um clube ainda é pouco para que as obrigações mínimas sejam cumpridas. E elas, mesmo mínimas, são muitas.

Uma das maiores dificuldades vivida hoje pelos administradores é o valor dos salários dos atletas, que sobem cada vez mais em função de uma competição interna já extremada por si só, mas muito agravada pela competição externa, que se torna a mais importante e, também, passa a servir de referência para uso interno. Nem preciso dizer que isso é profundamente injusto. Para o clube, mas não para o atleta.

No Brasil, o salário tem agravantes de peso: os encargos sociais e trabalhistas. Alguns, como o INSS, ficam limitados a um valor máximo. Outros, porém, são variáveis e, quanto mais alto o salário, maiores são: FGTS, férias, abono de férias (1/3) e o 13º salário. Para reduzir os custos agregados à folha (e também para reduzir perdas eventuais em disputas jurídicas, onde a base de cálculo é o salário), os clubes passaram a pagar uma parte do salário, ou melhor, da remuneração contratada, através de “direito de arena”, pago contra a entrega de nota fiscal de prestação de serviços passada pelo jogador.

Justo? Injusto? Correto? Incorreto?

De minha parte acho correto e justo. Aliás, tudo que é livremente contratado entre duas partes é justo e correto.

Mas, resolve? Francamente, resolver não resolve, mas ameniza a paulada nas contas do clube. E economia de custos é essencial à sobrevivência de qualquer empresa ou entidade.

Dias atrás, o TST – Tribunal Superior do Trabalho – uma vez mais decidiu que o direito de arena é parte do salário e sobre ele devem ser pagos e recolhidos o FGTS, o 13º, as férias e o abono das férias.

Fim da festa, mais despesas para os clubes.

E o que já era ruim, ficará um pouquinho pior.


Essa decisão teve como relator o ministro Ives Gandra Martins Filho - cujo pai é conselheiro vitalício e presidente do Conselho Consultivo do São Paulo - e refere-se à ação movida por Cássio contra o Internacional, que vai pagar, agora, FGTS, 13o, férias e abono de férias sobre os direitos de arena que recebeu durante o contrato.


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2 Comments:

  • At 6:33 PM, Blogger JOSE AMBROSIO said…

    o TST entendeu qeu os clubes e atletas apenas tentam burlar a lei,agora se os contratos deimagem fossem realmente contratos d eimagem, com o atleta usando material esportivo do clube em suas aparições nos meios de comunicação,se os atletas fizessem realmente uso de sua imagem em favor dos clubes , esta situação poderia ser alterada?

     
  • At 6:44 PM, Blogger Emerson said…

    A intenção é reduzir o custo do atleta.
    Burlar a lei é um efeito colateral.

    É chato falar e escrever isso, mas infelizmente é a mais pura verdade. Nossa legislação trabalhista é despropositada e foi criada para manter os salários de fome de sempre.

    13o, FGTS e outras coisas não passam de engodo, são miçangas para agradar e enganar.

    Nada mais.

     

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