Um Olhar Crônico Esportivo

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sábado, junho 17, 2006

Pitacos da Copa I


Excepcional 1º tempo da Argentina! Praticamente perfeito em todos os setores. Marcação muito bem feita quando a Servia e Montenegro (SM) chegava ao ataque, não deixando espaços para tramas, permitindo apenas cruzamentos sem grande perigo para a área. Domínio do meio-campo. E um ataque como deveria ser o brasileiro: rápido, inteligente, jogadas bem construídas, disposição para brigar pela bola “do adversário” (terceiro gol e parecido com o segundo do Ronaldo contra a Alemanha em 2002 – não a feitura, mas a recuperação da bola em poder do zagueiro). O começo de jogo dos hermanos foi perfeito, e é exatamente o que o São Paulo pratica quando o time está descansado e concentrado no jogo: marcação forte na saída de bola, sufocando o adversário em seu próprio campo.

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Arbitragem excelente também. O gol anulado de forma incorreta não conta, pois a correção da jogada só é perceptível com auxílio eletrônico. Agora, de novo bato na mesma tecla: a arbitragem brasileira está defasada e o torcedor brasileiro anda mais predisposto a ver balé do que futebol, pois grita falta a qualquer contato. Aqui, na Terra de Vera Cruz, o terceiro gol argentino não existiria, pois nossos árbitros, e agora também nossos bandeiras, teriam marcado falta na tomada da bola do zagueiro pelo Saviola. O “gigantesco” número de faltas nos jogos do BR tem sua origem, em grande parte, nessa visão equivocada : encostou, apitou.

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Impressionou-me a saída de campo do Luiz Gonzáles: praticamente todos os companheiros foram até ele levar um conforto, um carinho. Bela cena, que por si só fala muito, significa muito. Assim como o segundo gol dos hermanos: um gol do time, gol do conjunto, gol do entrosamento e da troca de bola. Gol do ‘toco y me voy”, como bem disse o Galvão, no velho estilo argentino de jogar bola. Um grande jogo no 1º tempo. Vejamos o segundo. Tenho dúvidas quanto à reação da SM. Não por eles, mas pelos argentinos. A ver.

E da Sérvia e Montenegro nada vimos. A Argentina dominou com tranqüilidade, continuou jogando bem, embora sem a volúpia do primeiro tempo. Mesmo assim marcou mais três vezes, uma delas em lindo gol de Cerlitos Tevez. Logo que entrou em campo, recebeu uma bola em sua intermediária e foi cercado por três adversários. Não só não a perdeu, como deu um passe correto para um companheiro fora do cerco. Messi também entrou, jogou bem, criou a jogada do 4º gol e marcou o 6º. Nada mal, nada mal. A manchete de hoje do Estadão resume tudo:

“Pura magia: Argentina 6x0”

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Pois é, nosotros, enquanto isso, não temos jogadas, não temos esquema, não temos variações, temos apenas o "quadrado" e o "amor à amarelinha". Não dá certo porque tem 15 letras e não 13. Essa é a direção ténica (sem o c mudo mesmo, essa direção ainda não tem direito a ele e não me falem de 94, ou eu terei de falar de Baggio) do Brasil.

Temos jogadores “imexíveis”, não importa que outros estejam jogando muito melhor. A mentalidade do treinador parece engessada, é aquilo e não muda, não pode mexer, se mexer, quebra de novo, como diziam os médicos antigamente para os fraturados, moleques, principalmente.

Portanto, para seguir em frente dependeremos de azares do adversário, como em 94, ou de rasgos de genialidade de um ou outro jogador desse elenco multimilionário.

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Pode-se perceber uma nítida evolução no futebol de muitos países. Mais ou menos na linha do "não há mais bobo". Simultânea à evolução técnica, há, também, o crescimento exponencial no número de fãs de futebol. Digo, sem medo de errar, que a FIFA escreve certo, ainda que por linhas meio tortas. / O México trancou sua seleção um mês antes das outras. Desfalcou o Chivas em plena LA e se arrumou encrencas intramuros. E hoje por muito pouco não perde de Angola. Sim, poderia ter ganho, mas também esteve perto de perder. E Angola não teve nada da preparação mexicana, pelo contrário, foi tudo meio tumultuado. É um time ingênuo ainda, tem muito pra evoluir, mas não é a baba que se pensava que fosse. Naturalmente há um patamar diferenciado ocupado pelos campeões mundiais, mas já dá pra dizer que o desnível diminuiu.

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Desde o primeiro jogo da Copa temos visto os telões nos estádios, mostrando o jogo ao mesmo tempo. A geração de imagens é única e, naturalmente, a FIFA não vai ficar repetindo lances polêmicos ao vivo em pleno estádio, pois só serviria para colocar fogo no jogo e destruir a arbitragem, daí a transmissão menos rica em imagens e replays do que estamos acostumados. Curiosamente, nada vi na imprensa a respeito, nenhum comentário. Pode até ter me escapado, é claro, não tenho acesso a tudo, a própria Globo passa batida por isso. Somente hoje, durante Portugal x Irã, é que foi feita menção ao fato. Também, pudera, com o telão suspenso no alto, com 4 faces...

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Cristiano Ronaldo, de Portugal, vai ser eleito o melhor jogador do mundo num dia qualquer do futuro, não duvido. É mais um jogador midiático, mais um que joga para a mídia, para as câmeras de televisão, como faz Ronaldinho Gaúcho ainda. Mas atualmente já faz menos que até pouco tempo atrás. Cristiano Ronaldo pouco fez no jogo contra o Irã. Mas fez alguns lances plasticamente bonitos, embora inócuos. Como quando pedalou algumas vezes sem sair do lugar, sem tentar avançar. Como o zagueiro iraniano ficou postado à sua frente, só restou-lhe a alternativa de um cruzamento pífio, sem direção, para algum ponto entre a grande área e a intermediária. Que caiu nos pés de um iraniano, não sem antes, porém, o locutor ficar extasiado com nada. Depois fez pior: pegou uma bola e ficou fazendo algumas embaixadinhas na entrada da grande área, de costas para o gol. Perdeu a bola facilmente, mas não sem antes arrancar profusos elogios do locutor. Ora, ora, francamente...

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